Apesar do crescimento econômico, que levou o país a ultrapassar o Reino Unido e consolidar o sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, o Brasil ainda é uma nação de desigualdades. Segundo relatório sobre as cidades latino-americanas feito peloPrograma das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o Brasil é o quarto país mais desigual da América Latina em distribuição de renda, ficando atrás somente de Guatemala, Honduras e Colômbia.

De acordo com o levantamento “Estado das cidades da América Latina e do Caribe 2012 – Rumo a uma nova transição urbana”, a América Latina é a região mais urbanizada do mundo. O relatório projeta que a taxa de população urbana chegará a 89% em 2050. O índice de urbanização brasileira foi o maior em toda a América Latina, entre 1970 e 2010. Hoje, 86,53% da população brasileira vivem em cidades.

Os dados mostram que Argentina, Chile e Uruguai possuem uma incidência de pobreza nacional abaixo de 12%, ao passo que mais da metade dos habitantes de Bolívia, Guatemala e Paraguai é pobre. Em termos absolutos, dos 124 milhões de pobres da região, 37 milhões estão no Brasil e 25 milhões no México.

O estudo mostra que a região atingiu os Objetivos do Milênio em relação ao abastecimento de água. Mas, apesar de 92% da população urbana ter água encanada, estima-se que 40% do bem é perdido devido ao mau funcionamento da infraestrutura, vazamentos e usos inadequados. Além disso, as tarifárias não conseguem cobrir os custos de operação e dificilmente beneficiam os mais pobres.

Cerca de 74 milhões de pessoas ainda precisam de saneamento adequado nas cidades, sendo que menos de 20% das águas residuais é tratada antes de seu descarte.

Segundo a ONU, cada habitante urbano da região gera quase um quilo de resíduos sólidos todos os dias. As cidades conseguiram melhorar a coleta e a eliminação de lixo, aumentando o acesso ao serviço e desempenhando atividades de reciclagem, reutilização e aproveitamento.

Segundo o pesquisador Erick Vittrup, oficial principal de assentamentos humanos da ONU-Habitat, hoje existem 124 milhões de pessoas pobres vivendo nas cidades, o que equivale a cerca de 25% da população total da América Latina. Destes, 111 milhões moram em favelas.

A ONU-Habitat considera como pobre quem vive com menos de US$ 2 por dia (cerca de R$4). “Se nada for feito para mudar esse panorama, em nível mundial, toda a população urbana de hoje, que corresponde a 3,5 bilhões de pessoas, vai morar em favelas, em 2050”, afirmou.