O uso político do futebol não é novidade na história do esporte. Seja por regimes autoritários ou democráticos, o futebol sempre foi instrumento de mobilização das massas para determinados anseios políticos. No Brasil, pesquisas recorrentes mostram o poder de influência dos jogadores de futebol e alguns outros esportistas. Muitos deles conseguem se eleger a nível regional devido su exposição na Mídia a nível nacional.

No seu início, na Inglaterra, senhores de pequenas cidades apoiavam financeiramente o time de sua fábrica para reforçar seu prestígio social, ganhando assim o reconhecimento de seus empregados. Muitos estadistas apoiaram diretamente alguns clubes, vinculando suas conquistas com a situação política implantada pelo seu plano de governo e tirando proveito político disso – Desta maneira agiu Hitler com o Schalke 04 e Mussolini com a Roma. O caso mais interessante talvez seja de Francisco Franco, da Espanha, com seu apoio ao Real Madrid. Os adeptos do Centralismo Castelhano torciam pelo clube Madrileno enquanto o Barcelona, maior rival, reunia torcedores com postura contrária ao regime de Franco e que apoiavam a autonomia das culturas regionais. Lembremos que Barcelona fica na região da Catalunha e a cultura catalã era um dos alvos da política ditatorial de Franco.

O presidente Médici recebeu o time campeão da Copa de 1970 em Brasília e começou a apoiar a Confederação Brasileira de Desporto (CBD), a atual CBF, que a partir de 1971 passou a organizar o campeonato nacional. Em 1979, 94 times disputavam o título nacional. O próprio presidente da CBD, Heleno de Barros Nunes, ao explicar o crescimento da competição, sintetizou a aproximação entre o governo e os dirigentes esportivos: “Onde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional”. Foram construídos trinta estádios entre 1972 e 1975. Mas a elevação dos preços do petróleo no mercado mundial em 1974 trazia de volta a inflação e o endividamento externo, revelando os limites do “Milagre Econômico” e tornando visíveis os sinais e desgaste da ditadura.

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