Muitos não sabem mas Steve Jobs estudou o zen budismo durante alguns anos com o monge Kobun Chino Otogawa e utilizou como inspiração para o design e estética dos produtos Apple. Acredita-se que ele tinha planos de promover o budismo pelo mundo.

A adesão ao budismo é fruto de uma viagem à Índia, em 1974, com o amigo Daniel Kottke. Para a surpresa de todos, Jobs voltou aos Estados Unidos trajando roupas típicas de monges e com a cabeça totalmente raspada. Apesar de ter abandonado as roupas logo depois, ele continuou firme em sua crença. Em 1991, com a benção do monge Kobun Chino Otogawa, ele se casou na Califórnia com Laurene Powell, atualmente presidente do conselho da Emerson Collective, organização com foco em reformas sociais. O casal teve três filhos: Reed, nascido no mesmo ano, Erin, de 1995, e Eve, de 1998. O empresário pouco aparecia em público com a família.

Em entrevista à revista Times, em 1997, Jobs declarou: “Eu penso que a vida é uma coisa inteligente… as coisas não acontecem por acaso”. É difícil dizer exatamente o que Jobs estava expressando nessas palavras, principalmente se levarmos em conta o fato da sua conversão ao budismo. Entretanto, não seria muito concluir que ele acreditava na capacidade humana para criar ou recriar sua realidade. Certamente, Jobs não está pensando no preceito budista do Karma, pois neste caso ele teria sido um pouco mais envolvido em projetos filantrópicos, até seguindo o exemplo do seu concorrente, Bill Gates. O plano inteligente e determinado que Jobs segue é o seu próprio plano. Jobs não se vê dependente de nenhum outro plano, exceto dos que ele mesmo estabelece.

A busca incansável pela excelência, que em si não é má, era outro ídolo da religião da Apple. Para fazer o melhor produto e ter os prazos cumpridos, Jobs exigia a completa fidelidade dos seus empregados. Era seu orgulho descrever o quanto a equipe da Apple trabalhava incansavelmente durante as noites, finais de semana e até no natal. Os engenheiros que trabalharam no projeto inicial do primeiro Mac terminaram com problemas em suas famílias por terem se isolado delas, por conta da intensa carga de trabalho. Ninguém consegue alcançar posição na empresa de Jobs se não fizer voto de fidelidade à empresa e entregar-lhe a própria alma.

Steve Jobs tinha a convicção de que sua missão era “acrescentar um dente à engrenagem da história”. Sem dúvida, sua obra foi diferenciada e sua marca vai permanecer por muito tempo ainda na história humana. Mas, chegou o momento em que faltou um dente na engrenagem da sua própria vida, e ele não conseguiu mais fazê-la rodar. Embora cercado de todas as “maravilhas” da tecnologia, Jobs não consegui acrescentar um pequeno ‘byte’ ao curso da sua vida. Assim, partiu aos 56 anos.