Em 4 de fevereiro de 2011, postei sobre a necessidade das cidades estabelecerem alianças com seus profetas para ouvir a direção de Deus e receber sua intervenção. Em 29 de setembro de 2010, publiquei um quadro cronológico mostrando a atuação dos profetas durante a monarquia de Israel.

Em Atos 13.1 nós lemos: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, Colaço de Herodes, o Tetrarca, e Saulo”. Todos estes cinco homens eram profetas e mestres, ou senão profeta ou mestre. Nós lemos no próximo capítulo que Barnabé e Paulo eram apóstolos. Eles foram enviados. Eles foram enviados para ministrar para os gentios.

É preciso distinguir o dom da profecia dos dons de palavra de conhecimento e sabedoria. A Palavra de conhecimento é revelação sobrenatural, exatamente como todos os dons do Espírito são sobrenaturais. A palavra de sabedoria se refere ao conhecimento do futuro. A palavra de sabedoria é uma revelação sobrenatural que se refere ao plano e propósito de Deus. Muitos entendem ser profeta aquele pastor, evangelista ou missionária que interpela alguns crentes nas igrejas entregando “recados” do Senhor. A verdade é que milhões de chaves de casas e automóveis já foram entregues nessas mensagens. Até agora, a maioria não recebeu essas promessas!

O profeta pode se valer dos dons de conhecimento e sabedoria para integrar seu ministério. A palavra de conhecimento trata do cotidiano, do urgente, do presente. A palavra de sabedoria produz esperança, direção e visão.

  • O profeta precisa ter atitude em relação à Voz de Deus e ao mundo que o cerca;
  • O profeta precisa ter aptidão para lidar com as Escrituras e aplicá-las no cotidiano das pessoas;
  • O profeta precisa ter audiência. Ele deve aproveitar qualquer oportunidade para fazer a Palavra de Deus compreendida de modo contextualizado;
  • O profeta precisa ter amizades verdadeiras pois muitas vezes ele é abandonado pelo simples fato de transmitir a Palavra de Deus. Ele não precisa ser político no tocante à aplicação da Palavra de Deus;
  • O profeta precisa ser alegre para lidar com as perseguições e contagiar os desanimados e abatidos;
  • O profeta precisa ser audaz para inovar na forma de pregar, ensinar e persuadir o povo de Deus;
  • O profeta precisa ansiar pelo Reino de Deus e seus valores praticados pelo Estado.

Luciano R. Peterlevitz é bastante claro: “A questão dos profetas é o reinado. No Estado está o foco de atritos. Esta é a chave para a leitura dos profetas! Isso porque os Estados israelita e judaíta abandonaram os princípios orientadores da fé em Javé, para firmarem votos com falsas divindades, e conjuntamente a isso, aliaram-se a uma ideologia opressora dos pobres desprestigiados da sociedade. Corroborou-se assim a injustiça social. E a palavra profética surge como uma resposta a isso.

Vejamos:
1º – A maioria dos livros proféticos fixa, em seus cabeçalhos, o reinado (Is 1.1; Jr 1.1; Ez 1.2s; Am 1.1; Mq 1.1; Sf 1.1; Ag 1.1; Zc 1.1).
2º – Profecia e estado surgem juntos, conflitam e juntos desaparecem. Ambos surgem no 10º século e desaparecem no 6º século. Podemos visualizar um esboço desse conflito:

  • Samuel, o profeta, critica o reinado (1Sm 8.11-17).
  • Gade e Natã (1Sm 22.5; 2Sm 7.2), apesar de pertencerem ao grupo de poder em torno de Davi, são críticos, também.
  • Aías, o silonita, apóia a conspiração contra Salomão (1Rs 11.26s.) e depois, opõe-se a Jeroboão ( 1Rs 13.1s.; 14.1s.).
  • Jeú, filho de Hanani, investe contra o rei Baasa, de Israel (1Rs 16.1s.).
  • Elias, o tesbita, contra Acabe ( 1Rs 17s.)
  • Micaías, filho de Inlá, entra em choque com Josafá, de Judá ( 1Rs 22.13s.).
  • Eliseu apóia um golpe de Estado contra Jorão, de Israel ( 2Rs 9.1s.).
  • Oséias e Amós contestam Jeroboão II, de Israel.
  • Sofonias se opõe aos regentes (Sf 1.8).
  • Jeremias enfrenta cinco monarcas: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim/Jeconias e Zedequias.
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