No Brasil, em 2010, havia 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos de idade ocupados, o que representava 3,9% das 86,4 milhões de pessoas ocupadas com 10 anos ou mais de idade. A população ocupada de 10 a 15 anos equivalia a 1,9% dos trabalhadores, 1,6 milhão de pessoas. Já na faixa de 16 ou 17 anos eram 1,8 milhão (2,1% do total), caso em que o trabalho é autorizado, desde que não seja prejudicial à saúde, à segurança e à moralidade. Os adolescentes de 14 ou 15 anos só poderiam trabalhar como aprendizes. Em 2000, as crianças e adolescentes de 10 a 17 anos de idade representavam 6,0% das 65,6 milhões de pessoas ocupadas de 10 anos ou mais de idade.

O número de jovens trabalhando diminuiu de mais de 8 milhões em 1992, para os cerca de 3 milhões hoje.  Desde a década de 1990, o Brasil subscreveu a Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Integra a rede de 25 países atingidos pelo Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) da Organização Internacional do Trabalho (OIT). E recentemente o governo brasileiro anunciou que o Brasil poderá sediar a 3ª. Conferência Global sobre o Trabalho Infantil em 2013. Evidente que não se pode negar o papel que os movimentos sociais tiveram na deflagração desse processo desde a década de 1980, transformando o trabalho infanto-juvenil numa questão social e exigindo medidas urgentes para tratar esta situação.

Mais de 115 milhões de crianças e adolescentes no mundo, cerca de 7% da população mundial nessa faixa etária, exercem trabalhos com risco de vida, informou nesta sexta-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A maioria avassaladora dessas crianças vive na África, na Ásia e na América Latina.

Certo domingo de 1780, Robert Raikes encontrou, numa área pobre de Gloucester, um grupo de crianças maltrapilhas brincando na rua. Enquanto ele censurava severamente o grupo de delinqüentes juvenis, uma senhora que ele acompanhava a casa após o culto interrompeu-o para explicar-lhe que estes jovens violentos e impetuosos existiam porque, quando crianças foram ignorantes, pobres e sem instrução.
– “Porque, então, eles não vão à escola aprender?”, perguntou Raikes.
– “Por que não podem”, replicou ela.
– “Mas que disparate!”, disse Raikes. “Há tantas escolas particulares que oferecem instrução livre e gratuita. Porque é que estes pequenos pagãos não vão para uma delas?”.
– “Porque”, acrescentou ela, “eles trabalham em fábricas em regime de 12 horas por dia, durante 06 dias por semana. O Senhor Pode dar-me uma sugestão onde é que eles poderão ir estudar? Só os jovens de classe média, que não precisam trabalhar, é que podem freqüentar essa suas escolas”.
 Então, Raikes contratou uma equipe de quatro mulheres no bairro para lecionar em cozinhas transformadas em salas de aulas, recebendo um xelim e seis pence, cada uma. As aulas começavam às 10 horas da manhã e iam até as duas da tarde, com lições de matemática, história e inglês, com um intervalo de uma hora para o almoço. Assim, a Escola Dominical nasceu operando de forma independente das igrejas, alfabetizando e ensinando Bíblia às crianças carentes.
Depois de um período experimental, Raikes divulgou suas idéias e os resultados em seu jornal, no dia 3 de Novembro de 1783. Esta experiência foi transcrita em outros jornais. Líderes religiosos tomaram conhecimento do movimento que se espalhava. Em 1784 eram 250 mil alunos matriculados. A taxa de criminalidade de Gloucester caiu, com o advento das escolas dominicais de Raikes, de forma que em 1792 não houve um só caso julgado pela comarca de Gloucester.
Houve, no entanto, uma forte oposição ao movimento de Raikes, que era considerado por alguns líderes religiosos (por incrível que possa parecer) como um movimento diabólico, porque funcionava à parte das Igrejas e era dirigido por leigos, isto é, pessoas que não tinham formação pedagógica. O Arcebispo de Canterbury reuniu os bispos para considerar o que deveria ser feito para exterminar o movimento. Chegou-se a pedir que o Parlamento, em 1800, aprovasse um decreto para proibir o funcionamento de escolas dominicais. Achavam que este movimento levaria à desunião da Igreja e que profanava “o dia do Senhor”. Contudo, a oposição se dissipou e o movimento das escolas dominicais prosperou.
Mesmo assim, em 1787, havia 250 mil crianças freqüentando escolas dominicais na Inglaterra. Após cinqüenta anos, esse número saltou para 1,5 milhão no mundo inteiro, e cerca de 160 mil professores ministravam as aulas. Especialmente animadores são os números de Manchester, em 1835. Essa escola dominical tinha 120 professores, 117 dos quais foram estudantes da escola dominical.