“Quando matam muitos jornalistas, há algo de errado no país”, disse a jornalista investigativa Ana Arana, diretora da Fundação Mexicana de Jornalismo Investigativo (Fundación Mepi) no painel “Narcotráfico – Crime e imprensa no México”, ministrado no primeiro dia do 6º Congresso da Abraji.

Arana mostrou a pesquisa feita pela Mepi sobre como anda a cobertura do narcotráfico pelos mexicanos, que enfrentam uma guerra/guerrilha/conflito que ameaça todas as estruturas do país. E também do mundo: “nós não acreditamos em fronteiras”, disse. Para a jornalista, um dos obstáculos mais importantes a serem superados é “ensinar aos Estados Unidos que a história não acaba na fronteira do México, mas é algo de todos”.

Segundo Arana, 47 mil pessoas foram mortas no México nos últimos cinco anos. Cerca de 80% da polícia do país está corrompida pelo crime organizado. Um dos problemas que o país enfrenta é a fraqueza de suas instituições, já que os mexicanos viveram sob o regime de um partido único, o Partido Nacional Revolucionário, por cerca de 70 anos.

A pesquisa de Ana mostra que, quanto mais os conflitos crescem, menos notícias são veiculadas. Analisando todas as matérias do primeiro semestre de 2010, a Mepi encontrou um resultado assustador. Menos de 50% dos jornalistas assinam matérias sobre o narcotráfico. Em algumas cidades, menos de 10% dos homicídios são noticiados. Em cada 10 matérias sobre violência, apenas 1,7 é identificada como tendo relação com o crime organizado. “O México está em uma situação 99% crítica”, avalia a jornalista.

Segunda ela, as matérias sobre o narcotráfico não saem por medo de represália e também porque muitas delas são tidas como conspiratórias. Em 2010, o “El Diário de Juarez” publicou o editorial “O que querem de nós”, pedindo trégua ao tráfico de drogas, para que parem de matar jornalistas. Ciudad de Juarez, que fica na fronteira do México com os Estados Unidos, é responsável por 25% dos homicídios em todo o país. Os jornais simplesmente não procuram mais notícias do narcotráfico.

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