Podemos dividir este Salmo em 3 partes: os versos de 1 a 6 falam da Palavra não pregada mas revelada através das Bondade de Deus e da Sua Criação. Os versos 7 a 11 identificamos a Palavra viva, especialmente quando aplicamos seus princípios em nossas vidas. Em terceiro, temos a Palavra em oração quando requeremos as Promessas de Deus e buscamos o auxílio de Deus sobre esse fundamento.
Muitos estudiosos identificam os salmos 1, 19 e 119 onde a Torá tem papel importante para interpretação do livro dos Salmos. O paralelismo é encontrado no salmo 19. Na primeira metade, Deus vem do hebraico Elohim, muitos usado em relação à Criação. Na segunda parte, Deus é Jeová, também comum quando associado à Torá.
  1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.
  2. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete.
  3. Não é uma língua nem são palavras, cujo sentido não se perceba,
  4. porque por toda a terra se espalha o seu ruído, e até os confins do mundo a sua voz; aí armou Deus para o sol uma tenda.
  5. E este, qual esposo que sai do seu tálamo, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho.
  6. Sai de um extremo do céu, e no outro termina o seu curso; nada se furta ao seu calor.
  7. A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples.
  8. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos.
  9. O temor do Senhor é puro, subsiste eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos.
  10. Mais desejáveis que o ouro, que uma barra de ouro fino; mais doces que o mel, que o puro mel dos favos.
  11. Ainda que vosso servo neles atente, guardando-os com todo o cuidado;
  12. quem pode, entretanto, ver as próprias faltas? Purificai-me das que me são ocultas.
  13. Preservai, também, vosso servo do orgulho; não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de falta grave.
  14. Aceitai as palavras de meus lábios e os pensamentos de meu coração, na vossa presença, Senhor, minha rocha e meu redentor.
Assim, em termos de revelação geral, Davi afirma (v.1): “Os céus anunciam a glória de Deus e a abóbada celeste torna conhecida a obra das suas mãos” (hashamayim mesafferîm kevôd-’el ûma‘aseh yadayw maggîd haraqîah). Deve-se notar o paralelismo sinônimo entre “céus” e “abóbada celeste” e, também, entre a ação de “anunciar” e de “tornar conhecido”, pois, seguindo esse raciocínio, percebemos que estão em paralelo, também, a “glória de Deus” e a “obra das suas mãos”. Tal percepção é importante para entender que o que Davi quer dizer com glória está relacionado à obra da criação – não que esse seja o único aspecto glorioso no Senhor. Essa é uma declaração de que tanto o ato da criação foi revestido de glória como o próprio Criador é glorioso. É também a afirmação de que a natureza gloriosa de Deus e da sua atuação pode ser deduzida pela observação do Universo. Afinal, somente um Deus glorioso e perfeito pode produzir uma obra tão perfeita e magnífica. Por isso, completa (v.4): “Sua voz foi ouvida em toda a Terra e suas palavras, na extremidade do mundo” (bekal-há’arets yatsa’ qôlam ûbiqtseh tevel millêhem).
Quanto à revelação específica, aquela que se dá por meio das Escrituras, tema muito abordado pelo rei salmista – tome-se como exemplo o Salmo 119 –, seu julgamento é categórico (v.7): “A lei do Senhor é perfeita” (tôrat yehwâ temîmâ). A partir dessa afirmação, Davi apresenta quatro ações da revelação de Deus nas Escrituras sobre os homens (vv.7,8): Ela é “quem recobra a alma” (meshîvat nafesh), “reforça a sabedoria do ingênuo” (ne’emanâ mahkîmat petî), produz “as alegrias do coração” (mesammehê-lev) e “traz luz aos olhos” (me’îrat ‘ênayim). Alento, sabedoria, alegria e o caminho correto são as bênçãos produzidas por aquilo que Deus revelou por meio dos profetas e apóstolos.
Mas, há que se fazer uma ressalva. Davi não tem em mente nenhum tipo de superstição como exibir em casa uma Bíblia aberta acreditando que, assim, a casa fica protegida e abençoada. O que Davi ensina, nesse salmo, é que tais bênçãos veem da leitura e aplicação dos ensinos de Deus pelos seus servos e que, assim (v.11), “há muita recompensa em cumpri-los” (beshamram ‘eqev rav). O salmista olha para essa esperança de modo aplicativo e pessoal, afirmando o que espera para si pela obediência às Escrituras (v.14): “Serei íntegro e limpo de muitas transgressões” (’êtam weniqqêtî miffesha‘ rav). Guiado pela sabedoria de Deus, sua mais profunda aspiração é: “Sejam aceitáveis diante de ti, Senhor, as palavras da minha boca e a meditação do meu coração” (yihyû leratsôn ’imrê-pî wehegyôn livvî lepaneyka yehwâ).
  1. [To the chief Musician, A Psalm of David.] The heavens declare the glory of God; and the firmament sheweth his handywork.
  2. Day unto day uttereth speech, and night unto night sheweth knowledge.
  3. {There is} no speech nor language, {where} their voice is not heard. {where…: or, without these their voice is heard: Heb. without their voice heard}
  4. Their line is gone out through all the earth, and their words to the end of the world. In them hath he set a tabernacle for the sun, {line: or, rule, or, direction}
  5. Which {is} as a bridegroom coming out of his chamber, {and} rejoiceth as a strong man to run a race.
  6. His going forth {is} from the end of the heaven, and his circuit unto the ends of it: and there is nothing hid from the heat thereof.
  7. The law of the LORD {is} perfect, converting the soul: the testimony of the LORD {is} sure, making wise the simple. {law: or, doctrine} {converting: or, restoring}
  8. The statutes of the LORD {are} right, rejoicing the heart: the commandment of the LORD {is} pure, enlightening the eyes.
  9. The fear of the LORD {is} clean, enduring for ever: the judgments of the LORD {are} true {and} righteous altogether. {true: Heb. truth}
  10. More to be desired {are they} than gold, yea, than much fine gold: sweeter also than honey and the honeycomb. {the honeycomb: Heb. the dropping of honeycombs}
  11. Moreover by them is thy servant warned: {and} in keeping of them {there is} great reward.
  12. Who can understand {his} errors? cleanse thou me from secret {faults}.
  13. Keep back thy servant also from presumptuous {sins}; let them not have dominion over me: then shall I be upright, and I shall be innocent from the great transgression. {the great: or, much}
  14. Let the words of my mouth, and the meditation of my heart, be acceptable in thy sight, O LORD, my strength, and my redeemer. {strength: Heb. rock}

The writer C.S. Lewis said concerning Psalm 19, “I take this to be the greatest poem in the Psalter and one of the greatest lyrics in the world.”10 Creation, God’s word, and the life of prayer speak in harmony to convey the profound message of God’s glory to those who have ears to hear.

Psalm 19 brings together cosmos, torah, and prayer. It puts in an interrelated sequence the language of the heavens, the instruction of the Lord, and the words of the psalmist.

In Psalm 19, the Holy God is revealed to us in Creation and in the Word. It is important for us to remember that worship always begins with God. Worship is God’s idea. We don’t call ourselves into worship. We are called into worship. Our worship begins with the REVELATION of the Triune Godhead. Only then can worship be a RESPONSE where we come before God in adoration, thanksgiving, or in the case of the psalmist here, confession of sin. As we respond to God in worship we are transformed. We always leave changed. We always leave changed. In worship, there is RENEWAL through the redeeming work that can only come to us as gift. And Jesus Christ is the one holding it all together.