Tenho notado que há um crescente movimento para musicalização das pregações evangélicas. Ou seja, os cantores gospel estão se tornando mais influentes que os pregadores típicos nos púlpitos das igrejas cristãs no Brasil. Um ministério que não tem um CD ou DVD musical associado pode não ser considerado como próspero.

Cito como exemplo a ascensão da Igreja Batista da Lagoinha que com seu Ministério de Louvor tem alcançado multidões em várias cidades do Brasil. Então o que sua liderança decide? Torná-los pastores pois o grau de influência pode ser multiplicado. Eles poderão participar de qualquer reunião para pastores sem constrangimentos. A intenção é boa mas a ferramenta é ruim. Muitos deles não devem possuir o dom de pastorear o que agrava a solução para o problema principal das igrejas brasileiras em crescimento: pastores cuidam de pessoas.

Muitos pregadores perceberam que a audiência é acordada quando ele introduz uma música no início de sua pregação. Eles já notaram que os ouvidos, especialmente dos jovens e adolescentes, estão mais atentos aos cantores que aos pregadores. A estratégia sempre foi utilizada pelos grandes evangelistas como Billy Graham em suas “cruzadas” (procuro evitar esse nome pelo mau que ele fez nas relações entre cristãos e muçulmanos) evangelísticas. Todo grande evangelista tinha um cantor renomado que trazia consigo.

Em 10 de junho de 2010, postei um artigo Alterações na forma da Adoração (leitourgia), destacando as mudanças da forma de adoração nas igrejas evangélicas. As mudanças alcançaram a liturgia católica. Os padres cantores Marcelo Rossi e Fábio de Mello se tornaram os mais influentes por utilizar as mesmas músicas e estratégias dos cantores evangélicos.

Em 22 de fevereiro de 2011, postei um artigo sobre o ensino de Howard Snyder que escreveu: “A adoração liberta a igreja para o Reino. Louvamos a Deus não só pelo que Ele tem feito; mas também por aquilo que Ele irá fazer. Pela fé, antecipamos e celebramos o dia em gue iremos cantar: o reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo (Ap 11.15). “Na adoração, celebramos a economia de Deus (oikonomia) e o Seu Reino.” Ele identifica a instrução como parte da adoração ao envolver a igreja no ato de ouvir a voz de Deus mediante a Palavra lida, ensinada ou falada de alguma outra. “Na adoração, os movimentos de celebração e instrução são movimentos do Espírito e da Palavra.”

As pregações devem se atualizar com as formas de comunicação disponíveis. Os pregadores devem buscar novos recursos para transmitir sua mensagem de forma contagiante. Não apenas a forma deve ser tratada mas o conteúdo deve ser repaginado para alcançar mais conversões. Eu disse repaginado e não mudado. A combinação com a música pode ser explorada mas o lugar da Palavra deve ser resguardado. Porque sem Profecia, o povo se corrompe. Aliás, esse foi princípio para a canonização dos textos bíblicos, o que concordo até hoje.

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