Em relação ao jogo, por obedecer à Palavra de Deus, o cristão tem uma conduta ou comportamento coerentes à sua fidelidade a Deus.

A – Reprovação e abstinência

O jogo não faz parte da conduta cristã, pois o servo de Deus possui conhecimento que o capacita a agir dentro da coerência cristã, apegando-se ao que é nobre e se abstendo do pernicioso e reprovável, (I Ts. 5:21).

Eis o alvo divino para o cristão: ter pleno co­nhecimento e toda a percepção, aprovando as coisas excelentes, sendo sincero e inculpável para com Je­sus, (Fp. 1:9-10), não sendo cúmplice nas obras in­frutíferas das trevas, antes porém reprovando-as, (Ef. 5:11), abstendo-se de toda forma de mal, (ITs. 5:22).

Sendo assim, o cristão com conhecimento e percepção dados por Deus, avalia o jogo na sua es­sência, entendendo que nele não há nada de excelente e decide reprová-lo; não o pratica nem se torna cúm­plice em nenhum envolvimento com ele, estando ci­ente de que o jogo é um mal e, uma vez que quer ser sincero e inculpável perante Jesus se abstêm de tudo o que Lhe desagrada.

É com essa coerência cristã que o servo de Deus vive: obedece e agrada ao Senhor na obediência aos mandamentos divinos, e reprova e se abstêm do mal que Ele abomina.

B – Trabalho nobre

O cristão não aposta, não se envolve com o jogo, não espera ociosamente pela sorte; pelo contra­rio, sua vida é de esforço para obter sua subsistência, trabalhando dignamente, obedecendo o ensino divino a esse respeito: Deus nos ordena trabalhar seis dias da semana cumprindo cabalmente nossas tarefas, (Ex. 20:9). Desde o começo foi assim, pois a Adão esta­vam confiados o preparo e o cultivo da terra, (Gn. 2:5,15) e isso antes da queda, pois o trabalho não é castigo e sim ordenança divina. E a todos nós se apli­ca a Palavra de Deus a Adão, de que devemos obter o nosso pão com suor, esforço, (Gn. 3:19).

Deus quer que vivamos com dignidade, traba­lhando com as próprias mãos, cuidando do que é nos­so, de forma a estarmos supridos, (I Ts. 4:11-12); que do fruto do nosso trabalho digno tenhamos con­dições até de acudir ao necessitado, (Ef. 4:28). A or­dem do Senhor nesse aspecto é tão séria, exigindo de cada um a responsabilidade pelo seu sustento oriun­do do trabalho, que declara que se alguém recusa tra­balhar que então fique sem o próprio alimento, (II Ts. 3:10), isto é: Deus requer de cada um o exercício do trabalho e que viva do fruto dele.

Infelizmente muitos vivem na ociosidade, sem­pre achando impróprio ou impossível fazer alguma coisa – esses nada realizam e nada têm, (Ec. 11:4); (Pv. 6:9-11); pois “a sonolência/inatividade, vesti­rá de trapos o homem ” (Pv. 23:21).

Contudo, os que temem ao Senhor são bem aventurados, do trabalho de suas mãos têm seu sus­tento, sendo felizes, realizados, (Sl. 128:1-2); (Ec. 5:18); tendo sono sereno e agradável, (Ec. 5:12), e até enquanto dormem, o Senhor lhes providencia o sustento, (Sl. 127:2b), pois Deus confirma a obra das mãos dos que O acatam, (Sl. 90:17), realidade essa reconhecida até pelo Diabo, pois declarou isso a Deus em relação à bênção divina sobre a obra das mãos de Jó, (Jó 1:10).

Os amantes do jogo não são assim, antes pre­ferem esperar pela sorte, desobedecendo a Deus no que diz respeito ao trabalho. O cristão confia no Se­nhor, obedecendo o que Ele ordena sobre a dignidade do trabalho, desempenhando funções desde as mais simples até as mais especializadas, mas todas dentro da dignidade cristã. Enquanto os amantes do jogo apostam e esperam pela sorte, o cristão crê e espera no Senhor, trabalhando dignamente. “O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso. ” (Pv. 12:11)

C – Vida modesta

Outra razão pela qual o cristão não aposta na “Sorte Grande” “é porque vive satisfeito com o que Deus lhe concede pelos meios da honra e honestida­de, sabendo que “a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui, ” sendo pre­cavido contra “toda e qualquer avareza ” (conforme determinou Jesus, (Lc. 12:15).

A avareza/cobiça não convém ao cristão, (Ef. 5:3); se torna uma idolatria, (Cl. 3:5); pois muitos colocam seu coração nos bens materiais, fazendo de­les o seu tesouro, (Mt 6:21).

A riqueza não traz estabilidade e não se deve depositar confiança nela, (I Tm. 6:17-19) e os que só se empenham pelo dinheiro não podem servir a Deus e sofrem muitos males: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruina e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se ator­mentaram com muitas dores. ” (I Tm 6:9-10).

E essas dores e males são diversos: a começar, “… a fartura do rico não o deixa dormir, ” (Ec.5:12).

“Quem confia nas riquezas cairá”; “…o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo “; “aquele que tem olhos invejosos corre atrás das ri­quezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pe­núria”;(Pv.11:28; 28:20,22).

E por fim a tragédia maior que é o perigo de se desviar ao Senhor Deus, não estar no seu reino, (Ef.5:5). Por essa razão os piedosos sempre são pre­cavidos no trato com os bens materiais, (Sl. 62:10b; Jó31:24,25,28ePv. 30: 8-9).

Ao cristão convém a modéstia: vida sem ava­reza contentando-se com o que tem, pois Deus cuida dos seus, (Hb. 13:5). “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada te­mos trazido para o mundo, nem coisa alguma pode­mos levar dele; tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. ” (I Tm. 6. 6-8).

Essa é a experiência do cristão: está feliz , re­alizado no Senhor, usufruindo do que Deus lhe dá, sem lançar mão do jogo que promete grandes prêmios. Na modéstia cristã o servo de Deus está plenamente su­prido. Apostar na sorte e desejar uma grande premiação é conduta dos que estão insatisfeitos, sem realização verdadeira, e que pensam que a vida con­siste na abundância de bens. O aparentemente pouco do cristão modesto é o tudo que lhe realiza, pois é o que Deus lhe concedeu no caminho da dignidade.

D – Empenho pela realidade celestial

Ainda outra razão tem o cristão para despre­zar o jogo: está empenhado com as realidades celesti­ais.

Essas realidades celestiais estão reservadas pelo Senhor para todos os seus, e obviamente o cristão se empenha por elas, para já desfrutar aspectos delas aqui na terra e aguardar pela vivência plena das mes­mas na eternidade. Esse zelo leva o cristão a não de­sejar o muito na vida terrena, pois receia que esse muito o desvie do Senhor, (Pv. 30:8-9) pois está avi­sado de que o empenho pela riqueza terrena conduz à ruinas irreparáveis (I Tm. 6:9-10).

Ora, levando-se em conta que tudo o que exis­te no mundo físico é passageiro e está destinado à destruição no último dia, (II Pe. 3:7,10-12) – para que se preocupar apenas com as coisas terrenas, (Fp.3:19b)?

O Senhor nos ordena a pensar e a nos empe­nharmos pelas realidades celestiais (Cl. 3:2-4; Mt. 6:19-21), “pois a nossa Pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo;” “Nós porém, segundo a sua promessa es­peramos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (Fp. 3:20; II Pe. 3: 13.) Nessa perspectiva cristã o servo de Deus vive fascinado com a realidade celestial.

O jogo com seus prometidos prêmios em nada combina com essa visão cristã, antes perturba e até impede essa sublime experiência, pois leva o apostador a se empenhar e fixar tanto nas coisas terrenas que se esquece da realidade Celestial.