Outro dia, estava ouvindo um CD do grupo Vencedores por Cristo. Ao ler as letras, fiquei impressionado pela quantidade de versões. Naquele tempo, estávamos demasiadamente dependentes dos missionários estrangeiros, seu estilo, modelo e ensino.
Uma das músicas, ‘Aleluia’, de Marta Kerr, inicia assim: “Tão calma como a chuva de verão. Tu me tocas e me enches de gozo”. Será que naquele tempo as chuvas de verão eram brandas? Desculpe, mas em que país ela morava? Desde aquele tempo, alguns filhos de pastores tinham acesso a estudar e morar no exterior. Filhos de missionários estrangeiros eram a referência. Mas o evangelho tinha dificuldade de alcançar as classes mais pobres. Os números mostram como as igrejas tradicionais tinham dificuldades de crescer entre as classes mais pobres.
As igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, metodistas e congregacionais) privilegiaram a classe média. Isso abriu espaço para o crescimento das igrejas pentecostais nas classes mais pobres. Isso é relatado no livro de Peter Wagner, “Cuidado, aí vem os pentecostais”. Wagner, da igreja congregacional, registra o crescimento das igrejas pentecostais na América Latina durante o século XX, especialmente das Assembléia de Deus. O pentecostalismo histórico passou a tomar forma com as Assembléias de Deus, Evangelho Quadrangular, Pentecostal Deus é Amor, Casa da Benção.
A partir dos anos 80, uma nova onda de crescimento se deu com as igrejas carismáticas. As igrejas de Nova Vida, fundada pelo bispo Roberto McAllister, trouxeram um novo modelo de lidar com os dons do Espírito Santo. Eram conhecidos como carismáticos pela interpretação de que não havia necessidade de falar em línguas estranhas ao receber o batismo do Espírito Santo. Mais recentemente, uma nova onda de igrejas surgiu, as neo-pentecostais como Universal do Reino de Deus, Igreja da Graça, Renascer em Cristo e Mundial do Poder de Deus. O sistema de governo episcopal se fortaleceu nestas igrejas. O pastor Ariovaldo Ramos chama de “coronelismo evangélico”. Com uma história impregnada de ditaduras, a América Latina parece preguiçosa ou temerosa em romper com sistemas autoritários e hierarquizados.
É fato que as igrejas neo-pentecostais são as que mais crescem. De alguma forma, disputam entre si, uma assistência que está adequada ao estilo de marketing agressivo e de menor envolvimento familiar no funcionamento da igreja local. A utilização da TV se tornou ferramenta indispensável, provocando disputas entre horários mais nobres. A saída das demais igrejas parece ser o uso da internet com transmissão de cultos ao vivo e sites mais interativos.
A igreja evangélica brasileira já alcançou a maturidade. Já não somos mais chamados de ‘bíblias’. Temos alcançado todas as faixas sociais. O crescimento tem sido consistente. Temos muitos líderes, escritores, cantores, editoras, mas ainda é pouco. Pouco para se aproximar do poder. Aqui, muitos líderes tem derrapado ao entender que este é o tempo de governar. Governar o quê: uma cidade, um estado? Parece que ainda faltam homens (e mulheres) de Deus em posições estratégicas, relevantes e transformadoras.
Enquanto isso, ficamos nas trincheiras da moral, evitando a destruição do país. Ficamos na adoração e intercessão até que chegue o Dia do Senhor. Se Ele remover o ímpio do trono, graças a Ele. Quem sabe, de tanto baterem cabeça uns nos outros, os servos de Deus tenham oportunidade.

#paracleto
#Missão integral
G/P
Jair

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