Cientistas criaram um “mapa do corpo” que mostra exatamente onde as pessoas gostam ou não de serem tocadas, de acordo com o nível de proximidade que se tem com o outro. Mais de 1.300 pessoas responderam a um questionário da Universidade de Oxford, da Inglaterra, e da Universidade de Aaalto, da Finlândia, que perguntava onde elas se sentiam à vontade de serem tocadas e por quem. Na análise, homens e mulheres de Grã-Bretanha, Finlândia, França, Itália e Rússia coloriram em quais partes do corpo se sentiam mais ou menos confortáveis com o toque.

Os resultados, compilados em um mapa do corpo e publicado pela revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), revelaram que homens preferem ser tocados do que as mulheres, em quase todas as situações, com a exceção do contato com amigos homens.

<span class='image-component__caption' itemprop="caption">Relationship-specific Touch-Area Maps (TAMs) across all studied countries, divided by subject gender. The blue-outlined black areas highlight the taboo zones, where a person with that relationship is not allowed to touch.</span>

A maioria das mulheres informou aos pesquisadores que a única parte em que o toque de um homem desconhecido não é desconfortável é nas mãos. Enquanto isso, homens disseram se sentir muito mais à vontade com mulheres estranhas tocando qualquer parte de seu corpo, incluindo os genitais, do que um parente.

Para a pesquisadora Julia Suvilehto, da Universidade de Aalto, os resultados do estudo – que é o maior do tipo já realizado – mostram que o toque “representa uma importante parte das relações sociais”. “Quanto maior o prazer causado pelo toque de uma parte específica do corpo, mais somos seletivos com quem pode tocá-la”, explica ela.

O psicólogo explica que interpretamos o toque consoante o contexto da relação que estabelecemos com as pessoas e com as emoções que elas nos transmitem, esclarecendo que podemos perceber um toque de um parente ou amigo como um gesto reconfortante, enquanto o mesmo toque de um estranho pode ser indesejável. “Eu acho que beijar um estranho no rosto ainda colocaria um grande número de pessoas numa situação desconfortável. Mas como a vida moderna se tornou tão convencional, um aperto de mão já não parece excessivamente familiar, especialmente se a pessoa tiver sido introduzida por um amigo”, disse.

Alguns resultados foram pouco surpreendentes, como por exemplo a conclusão de que as mulheres se sentem geralmente mais confortáveis a ser tocadas do que os homens. Apesar disso, o estudo apresentou resultados mais inesperados, como por exemplo o facto de os homens preferirem ser tocados nos órgãos genitais por uma conhecida casual do sexo feminino, do que pela sua própria mãe. Ao contrário, para as mulheres seria completamente inaceitável serem tocadas intimamente por alguém que não fosse o seu parceiro ou a sua mãe. Inesperadamente os italianos mostraram-se mais desconfortáveis ao toque do que os russos e, globalmente, os finlandeses foram os que se mostraram mais confortáveis com o toque.

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O espaço pessoal é definido por Hall (1989) como uma espécie de “bolha” que as pessoas criam em torno de si que apresenta uma distância de 50 cm a 1,20 m. Nessa distância, a visão do rosto fica totalmente nítida, há possibilidade de segurar ou agarrar outra pessoa e é possível notar alguns detalhes fisionômicos. É limitada pela extensão do braço e apropriada para tratar de assuntos pessoais. Normalmente só os amigos ficam dentro do espaço pessoal. Segundo o mesmo autor, no espaço social, detalhes visuais mais sutis são pouco percebidos e é nesta distância que geralmente conduzimos nossos relacionamentos sociais, como as reuniões mais formais. Outro espaço citado por Hall (1989) é o público, que é totalmente impessoal. Nele a acuidade visual diminui consideravelmente, abrangendo, no máximo, o rosto todo; outros detalhes tornam-se imperceptíveis. Esta distância pode ser usada por qualquer pessoa em ocasiões públicas para discursos ou alguma outra forma solene de conversa. Hall (1989) aponta que temos “personalidades” situacionais aprendidas. Estas personalidades estão associadas às distâncias acima descritas. Assim, as pessoas que não desenvolveram a fase pública de sua personalidade não costumam ocupar espaços públicos, não sendo bons oradores ou árbitros. Por outro lado, as pessoas que não desenvolveram as distâncias íntimas e pessoais não podem suportar a proximidade.

Myers (1999) relata que o espaço pessoal é diferente quando observamos diferentes culturas: algumas preferem mais espaço, como a dos escandinavos, norte-americanos e britânicos, e outras preferem menos, como os latino-americanos, árabes e franceses. Por este motivo, Hall (1989) dá ênfase aos desentendimentos que podem ocorrer entre pessoas de culturas diferentes, já que a utilização do espaço difere.

Observou-se que a alta densidade populacional, por exemplo, que provoca a falta de espaço, está correlacionada com o crime e a violência. Hall (1989) aponta que a superpopulação pode produzir alguns comportamentos como a agressão. Além disso, Heimstra e Mc Farling (1978) mencionam que é preciso que a pessoa sinta que seu espaço pessoal e privacidade estão resguardados para sentir satisfação quanto ao ambiente em que mora; caso contrário, pode ocorrer estresse. Em seu trabalho sobre a influência do contexto ambiental nos trabalhadores off-shore de uma plataforma petrolífera, Pena (2002) identificou que quanto maior a escolaridade e a hierarquia organizacional dos trabalhadores, maior era o espaço que tinham disponível e maior era a sensação subjetiva de invasão espacial nos alojamentos da plataforma. Por outro lado, quanto mais baixo o nível de escolaridade e de hierarquia organizacional, menor era o espaço físico disponível nos alojamentos para estes trabalhadores e menor era a sensação de invasão do seu espaço.

ARGYLE, M.; TROWER, P. Você e os outros: formas de comunicação. São Paulo: Harper e Row, 1981.

HALL, E. T. A dimensão oculta. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1989

MYERS, D. Introdução à psicologia geral. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

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