O efeito Mateus, denominado por Robert Merton (1973, 1988), é usado na sociologia da ciência, numa alusão ao evangelho, para enfatizar vantagens e prestígio que se adquirem no meio acadêmico, sempre em favor de quem possui. O nome refere-se ao Evangelho segundo Mateus, que diz “A todo aquele que acredita mais fé lhe será dada em abundância; e daquele que não crê lhe será tirado”.

Merton (1973) resumiu pesquisas de estudiosos da sociologia da ciência, para demonstrar o aparecimento de estratificação no sistema científico, seja de reconhecimento ou honorífico, de recursos financeiros, de comunicação da ciência. Por ser uma estratificação, marginaliza cientistas que mesmo produtivos não recebem as benesses em detrimento do outro, também produtivo, que pertence, por exemplo, a uma universidade de prestígio. Quem já publica tem mais chance de publicar do que quem nunca publicou. Quem pesquisa terá sua pesquisa aprovada e financiada, em oposição a quem está começando.

Merton usou esta parábola para caracterizar as situações onde pequenas diferenças iniciais são ampliadas no tempo. Malcolm Gladwell, no livro Outliers, conta o caso dos meninos que são selecionados para compor um time de futebol. Em geral esta seleção é feita por idade. Assim, os garotos de oito anos serão selecionados para formar um grupo de jogadores com esta idade. O problema é que o menino que nasceu em janeiro tem uma vantagem sobre o garoto que nasceu em dezembro de quase um ano. Esta pequena vantagem inicial faz com que a criança que nasceu em janeiro seja considerada como mais apta ao esporte que seu colega que tem dezembro como data de nascimento. Assim, os garotos que nasceram no início do ano acabam prevalecendo sobre os demais. Isto caracteriza o efeito Mateus.

Três pesquisadores tentaram verificar a existência do efeito Mateus na área acadêmica. Pierre Azoulay, Yanbo Wang e Toby Stuart usaram artigos científicos para verificar se os pesquisadores, e seus artigos, que foram premiados com o Howard Hughes Medical Investigator sofriam a influencia da fama. A resposta foi afirmativa. E o efeito Mateus é significante quando existe uma incerteza sobre a qualidade do artigo. Isto ocorre, por exemplo, quando estou na dúvida se um artigo é bom, mas diante de um nome conhecido, decido ler.

Rankings universitários internacionais incluem pesquisas de opinião em uma tentativa de fazer com que as análises não fiquem apenas quantitativas. Ou seja, a resposta dos entrevistados é uma informação qualitativa que acrescenta a análise de dados como quantidade de artigos científicos publicados pelos docentes.

Mateus 25:14-18: “Pois como será o homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e então partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que recebera um, saindo abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.”

A lição preliminar da parábola dos dez talentos é a produtividade, e chamemos de produtividade a uma vida vitoriosa, de transformação de caráter ou de aquisição de virtudes da vida cristã. Enfim, a produtividade na vida do cristão, depende do tipo de relação que o servo tem com o seu Senhor.

Porém, a  lição definitiva desta parábola foi proposta por William Herzog II que forneceu uma interpretação em que a imagem do senhorio ausente, que colhe onde não semeou, é interpretada literalmente. Na leitura de Herzog, o terceiro servo é um“delator” que “desmascarou a alegria do mestre pelo que ela é, os lucros da exploração desperdiçados em excessos”. Ele é punido por falar a verdade e não por não trazer nenhum lucro. Para Herzog, o objetivo da parábola é a necessidade de agir com solidariedade quando confrontado com injustiça.

Estudiosos concordam que a taxa de juros era muito limitada e, de um modo geral, nas culturas antigas orientais o padrão era a estabilidade e não o progresso financeiro agressivo estimulado em nossas sociedades recentes. O trabalho de Thomas Piketty, no livro o Capital no Século XXI, mostra, a partir de uma pesquisa com dados desde 1700, que a sociedade “meritocrática” não permite que figure o topo quem não é herdeiro de uma fortuna.

A palavra grega utilizada para descrever o homem é eugene que significa nobre. Quando ele retorna o 3° servo o descreve como skleros que significa rude. Esse ponto de vista encontra mais sentido na vida dos cristãos autênticos que buscam prosperidade através de um trabalho diário, se afastando de corrupção, desonestidade e busca do dinheiro fácil. O mundo jaz no maligno e o amor ao dinehrio é a raiz de todos os males. Precisamos fugir da interpretação fácil das Escrituras que suporta paraísos monetários e não dá suporte ao trabalho útil e a remuneração justa. É a proposta para os pregadores justos.