Esta postagem dá sequência a divulgação dos resultados da pesquisa desenvolvida pelo Instituto Paracleto sobre doenças crônicas na vida do cidadão da cidade do Rio de Janeiro. De uma população de 10,4 milhões apenas 5,8 milhões fizeram ao menos uma consulta médica nos últimos 12 meses, o que, convenhamos, é muito pouco. A cidade do Rio de Janeiro é carente de um bom sistema de saúde. O envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida do brasileiro requerem uma melhoria das técnicas de diagnóstico e tratamento de doenças crônicas.

Com relação aos estudos acerca dos fatores de risco, a HA, o tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo, a obesidade e a hipercolesterolemia têm sido alvo das investigações acerca da determinação das DCNT e são apontados pela World Health Organization (2002) como os principais fatores de risco para esse grupo de enfermidade.

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) se tornaram a principal prioridade na área da saúde no Brasil – 72% das mortes ocorridas em 2007 foram atribuídas a elas. As DCNT são a principal fonte da carga de doença, e os transtornos neuropsiquiátricos detêm a maior parcela de contribuição (Maria Schmidt, Bruce Duncan, Gulnar Azevedo, 2007). A morbimortalidade causada pelas DCNT é maior na população mais pobre. Apesar de a mortalidade bruta causada pelas DCNT ter aumentado 5% entre 1996 e 2007, a mortalidade padronizada por idade diminuiu 20%. A diminuição ocorreu particularmente em relação às doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas, em conjunto com a implementação bem-sucedida de políticas de saúde que levaram à redução do tabagismo e à expansão do acesso à atenção básica em saúde. No entanto, é importante notar que a prevalência de diabetes e hipertensão está aumentando, paralelamente à prevalência de excesso de peso; esses aumentos estão associados a mudanças desfavoráveis na dieta e na atividade física.

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As regiões de Botafogo e Saenz Pena possuem os maiores índices de cidadãos portadores de doenças crônicas. São bairros que concentram os maiores percentuais de idosos na cidade do Rio de Janeiro.
O Brasil vivencia um processo de envelhecimento populacional já experimentado pelos países desenvolvidos, embora em um ritmo mais acelerado, assim como os países que apresentaram um rápido declínio da fecundidade. Essa rápida mudança na estrutura etária da população cria uma série de oportunidades para o desenvolvimento, ao mesmo tempo em que insere desafios no que concerne às questões derivadas do envelhecimento da população, seja em termos de qualidade de vida, seja em termos de assistência social e de saúde. Com o aumento da esperança de vida e da longevidade, surge um aumento da incidência de doenças crônicas associadas ao envelhecimento e a conseqüente limitação das atividades do indivíduo.
  • No Brasil, no final da década de 80, estimou-se em cerca de 8% a prevalência do diabetes em adultos (30-69 anos) residentes em nove capitais brasileiras. Na América Latina, a doença tem crescido entre as faixas etárias mais jovens, com impacto significativo sobre a qualidade de vida e a carga global de doenças.
  • A hipertensão, além de ser uma doença tratável, é um marco importante, passível de ser medido clinicamente, no caminho causal que leva à doença cardiovascular sintomática. Dados nacionais representativos obtidos em 2008 a partir de quase 400.000 entrevistas estimam que 24,0% (IC 95% 23,7–24,4) das mulheres e 17,3% (17,0–17,6) dos homens com idade ≥20 anos e cerca de metade dos homens e mais da metade das mulheres com idade ≥60 anos relataram diagnóstico prévio de hipertensão.
  • As doenças cardiovasculares geram o maior custo referente a internações hospitalares no sistema de saúde nacional. Em 2007, 12,7% das hospitalizações não relacionadas a gestações e 27,4% das internações de indivíduos de 60 anos ou mais foram causadas por doenças cardiovasculares.
  • Com relação à asma, a World Health Survey, que avaliou amostras representativas de adultos com 18 anos ou mais em setenta países em 2002–03, mostrou que o Brasil tem a maior prevalência de autorrelato de sibilância (24,3%) e o sexto maior autorrelato de diagnóstico médico de asma (12%; IC 95% 11,0–13,1).

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