Embora haja uma antecipação das datas-base para o primeiro semestre  com o objetivo de moderar pressão dos ganhos salariais sobre preços no varejo. Por outro lado, a concentração de dissídios com forte predominância estatal no segundo semestre parece favorecer a participação de servidores públicos em anos eleitorais. Categorias que permanecem meses em greve, acabam por dispensar seus empregados terceirizados que podem se tornar mão-de-obra para cabos eleitorais. O TSE precisa rever essa concentração.

Os dissídios de importantes categorias profissionais como bancários, petroleiros, comerciários e metalúrgicos este mês devem contribuir para pressionar os índices de inflação nos últimos meses do ano, mas de forma menos significativa, de acordo com a avaliação de especialistas.

Apesar de serem categorias numerosas, com grande mobilização e poder de negociação o impacto deve ser menor este ano porque desde 2010 vários segmentos estão antecipando as campanhas salariais para o primeiro semestre.

Esse fato tem contribuído para que ocorra uma menor pressão nos preços vinda dos reajustes salariais entre o terceiro e o quarto trimestre.

Dos cerca de 700 acordos coletivos acompanhados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aproximadamente dois terços, 66,8% do total estão concentrados no primeiro semestre do ano, sendo que quase 27% das negociações têm como data-base o mês de maio.

Por muitos anos maio foi o mês de competência para o reajuste do salário mínimo. Mas a partir de 2010, com a mudança para janeiro, houve um movimento de antecipação dos dissídios para o primeiro semestre e essa tendência deve ganhar força, segundo o economista da Fábio Romão, da consultoria econômica LCA. Mas são sindicatos de pequena representatividade, de setores privados e com pouca força política.

Dissídios em setembro devem pressionar menos a inflação no fim do ano

As negociações, de forma geral, têm apresentado ganhos acima da inflação, desde 2004, numa proporção crescente. Segundo o Dieese, em 2010 foi verificado o melhor resultado dos últimos quatorze anos em termos de ganhos reais para os salários com 94% dos acordos resultando em ganhos. Desse total, 15% das categorias conquistaram ganhos reais de 3%.

No primeiro semestre deste ano, 84,4% de 353 acordos salariais obtiveram reajustes superiores à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o segundo melhor da série histórica perdendo apenas para o primeiro semestre de 2010, quando os acordos com ganho real somaram 86,7%.

Assim como ocorre com a bagunça dos 30 partidos políticos no Brasil, segundo os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a representação das centrais sindicais é a seguinte:
A Força Sindical é a segunda maior central sindical do Brasil com 1.721 sindicatos filiados. Esse número representa 23,76% do total de sindicatos válidos em todo território brasileiro. A CUT tem 2.188 sindicatos válidos, o que representa 30,21% do total, em terceiro lugar vem a UGT com 1031 (14,24%). A NCST vem em seguida com 974 (13,45%), a CTB esta na 5ª posição com 583 que representa (8,05%) dos sindicatos validos em todo o País.