Um problema que atinge um em cada cinco jovens (ou 19,5% dos 27,3 milhões de pessoas dessa faixa etária), aponta o estudo exclusivo “Juventude, desigualdades e o futuro do Rio de Janeiro”, coordenado pelo professor Adalberto Cardoso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele teve por base microdados do Censo Demográfico de 2010, do IBGE.

O contingente de 5,3 milhões de jovens inativos no Brasil ocorre num momento em que o país tem baixas taxas de desemprego e os empresários se queixam de escassez de mão de obra.

— É um desperdício de recurso, especialmente no momento econômico do país — disse Naércio Menezes, professor de economia do Insper, acrescentando que, quando o jovem deixa de enxergar os benefícios da educação, ele deixa de ter um futuro melhor.

Essa geração perdida vai fazer falta para um crescimento sustentado, advertiu Paulo Levy, economista do Ipea. Ele explica que as empresas terão que aumentar a produtividade dos que estão trabalhando.

Mas o crescimento econômico do país também permite que uma ínfima parcela desse contingente tenha respaldo em casa para pensar na carreira. Além disso, na chamada “geração canguru” os jovens deixam a casa dos pais mais tarde. Nesse universo, estão pessoas que se preparam para concursos públicos ou tiram um sabático para viajar. O Iesp-Uerj só considerou quem não frequenta a educação formal.

Logo, esses jovens não têm recursos para pagar mensalidades, nem potencial para obter boas notas no Enem, o que lhes permitiria obter vagas no ensino superior privado por meio do ProUni, por exemplo. Além disso, o próprio fato de ter estudado a vida toda em escolas com baixa qualidade desestimula a busca por uma faculdade.

Enfim, a solução parece ser oferecer outras possibilidades, além do ensino médio tradicional, para os jovens que concluem o ensino fundamental. Essas modalidades têm que ser voltadas para a profissionalização e alternativas ao ensino médio tradicional, e não complementares como ocorre hoje em dia.  Assim, o jovem não teria que aprender as matérias tradicionais, que ficariam reservadas para os que almejam o ensino superior. Enquanto isso não for feito, a parcela de jovens sem escola nem trabalho tende a aumentar no Brasil.

A Espanha, onde a taxa de desemprego juvenil está em torno de 50%, se tornou o país europeu com maior número de jovens que não trabalham nem estudam, segundo um artigo publicado no jornal El País que analisa dados de uma pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O autor do texto, economista José García-Montalvo, professor na Universidad Pompeu Fabra, lembra que esse número não foi alcançado apenas por causa da atual crise, mas em parte também pelos momentos “prodigiosos” do mercado de trabalho espanhol, na década de 2000.

Segundo relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), 22 milhões de jovens da América Latina e do Caribe, entre 15 e 24 anos, o equivalente a 20% do total de 106 milhões de jovens, não trabalham nem estudam. O desemprego atinge 10 milhões de jovens na região, sendo que o índice entre adultos é de 6% e entre jovens, de 17%. Outros 31 milhões trabalham em empregos considerados precários ou informais. O documento Trabalho Decente e Juventude – América Latina, que utiliza dados de 2005, foi apresentado em Santiago do Chile pelo diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Segundo o estudo, o índice de desemprego na região em 2005 era maior do que em 1990. O que mais diferencia os jovens dos adultos é o tipo de emprego a que eles têm acesso. Dois de cada três jovens trabalham em atividades informais, onde frequentemente a remuneração é menor que o salário mínimo e sem cobertura da previdência social. Em termos de renda, um jovem ganha, em média, 56% do que um adulto, diz o texto da OIT. O estudo cita o programa brasileiro ProUni (que financia o estudo universitário de jovens) como exemplo de programa que abre caminho para jovens pobres. Segundo a OIT, na realidade latino-americana, nunca houve tantas pessoas com idade entre 15 e 24 anos. É provável que, no futuro, essa cifra pare de crescer, visto que as projeções indicam, a partir de 2015, uma taxa menor de crescimento da população.