Depois do Banco Central decretar intervenção no Banco Cruzeiro do Sul, agora a Moody’s ebaixou a nota de crédito de oito instituições financeiras brasileiras entre um e três graus. A Moody’s rebaixou Banco do Brasil, Safra, Santander e HSBC Bank Brasil – Banco Múltiplo ao nível do rating de crédito soberano do Brasil, ou seja, o grau de investimento Baa2.

“Nossa análise indicou que há poucas razões para acreditar que esses bancos estariam isolados a partir de uma crise da dívida do governo”, justificou a Moody’s, em comunicado. “Mais especificamente, nós notamos uma significativa exposição direta desses bancos para os títulos do governo brasileiro, equivalente a 167% do capital de nível 1, em média.”

O Banco Cruzeiro do Sul foi colocado sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), o que significa que os controladores – a família Índio da Costa – serão afastados e a gestão será feita pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituição criada com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País.

Inspeções feitas no Banco Cruzeiro do Sul identificaram um rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão. A princípio, foram detectadas fraudes parecidas com as do Banco Panamericano, instituição que pertencia ao Grupo Silvio Santos, com registro de créditos fictícios no balanço. O Cruzeiro do Sul registrava um patrimônio líquido negativo de cerca de R$ 150 milhões. O Cruzeiro do Sul, que tem como um dos focos principais o crédito consignado e vinha sendo há tempos alvo de rumores sobre dificuldades financeiras, interessava ao Banco BTG Pactual – atualmente controlador do próprio Panamericano. O BTG chegou a fazer oferta de compra. No sábado, no entanto, essas negociações foram encerradas, já que os valores oferecidos foram considerados baixos.

Em janeiro, os bancos BMG, Bonsucesso e Cruzeiro do Sul foram os maiores beneficiados pelos incentivos dados pelo governo às compras de carteiras de crédito, segundo relatório divulgado pela Moody’s, agência de classificação de risco de crédito.

De acordo com a Moody’s, essas instituições foram as mais favorecidas porque historicamente são as que mais usaram a venda de carteiras de crédito como forma de levantar recursos para suas operações. No caso do Bonsucesso e do BMG, por exemplo, as cessões representaram em 2010 mais de 60% da necessidade de ‘funding’ deles. Em março, a agência de classificação de risco Moody’s chegou a rebaixar o rating do Cruzeiro do Sul, alegando que ele tinha uma dependência muito grande de “depósitos com garantia e de acordo de securitização de ativos com o Fundo Garantidor de Crédito, que ao final de 2011 representou mais de um terço da captação total”.

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