Apicultores e pesquisadores de Santa Catarina estão intrigados com um mistério que cerca as colméias. É o desaparecimento das abelhas, fenômeno conhecido como “Colapso das colméias”.

O abandono das colmeias teve início em 2006, nos Estados Unidos e depois em alguns países da Europa, como o Reino Unido. No Brasil, o desaparecimento começou em 2010, desde então, esse fenômeno está atingindo apicultores de diversas regiões. Em Santa Catarina, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária) está investigando quantos dos 30 mil apicultores foram atingidos por esse Colapso.

Os primeiros estudos dos pesquisadores sobre as causas do desaparecimento das abelhas, aponta para o uso de agrotóxicos. Segundo eles, é uma combinação de fatores, como novas doenças, parasitoses, genética, nutrição, pesticidas agrícolas e alterações do agroecossistema podem estar causando essa mortalidade súbita de abelhas ( DE JONG & MESSAGE, 2008; SPIVAK, 2008).

As abelhas são importantes para a produção de alimentos em vários níveis. O mel, o pólen e a geleia real são consumidos em todos os países. Mas é na polinização a maior contribuição das abelhas para a agricultura. A polinização aumenta a concentração de açúcar e a qualidade da fruta, principalmente as cítricas. A falta de abelhas para polinizar está afetando os pomares de maçãs de Santa Catarina, por exemplo. O estado é o maior produtor nacional dessa fruta, e 100 mil colmeias são utilizadas nessa tarefa, sendo que 90% da produção de maçãs dependem da polinização.

No gráfico de barras, percebemos que as colheitas de uvas, maçãs e amêndoas necessitam muito da polinização das abelhas.

Outro fator que pode estar ajudando no desaparecimento das abelhas é o canibalismo entre as próprias abelhas. Para o pesquisador James Salomé, a falta de proteínas e problemas nutricionais pode ser um dos fatores que tem causado esse desaparecimento.

Alguns artigos indicavam que o desaparecimento das abelhas iria resultar em fome alastrada por várias regiões. Outras citavam Albert Einstein, dizendo que os seres humanos morreriam em quatro anos se as abelhas entrassem em extinção.

É bastante improvável que Einstein tenha feito essa afirmação sobre abelhas, que agora é famosa, mas o Distúrbio do Colapso das Colônias (DCC) é um fenômeno real. Ele tem o potencial de afetar drasticamente a produção de comida e de mel, mas é mais complexo do que algumas notícias o fazem parecer. Primeiro, o DCC afetou abelhas domésticas e comerciais, aquelas que são criadas exclusivamente para produzirem mel e polinizar plantações. Ele parece afetar abelhas de colméias que são movidas de um lugar para o outro com o intuito de polinizar plantações. As abelhas comerciais compõem uma pequena porção da população geral de abelhas. Outros tipos delas, inclusive as abelhas africanizadas, não parecem ser afetadas.

Essa também não foi a primeira vez que a população de abelhas domésticas diminuiu de maneira repentina e inesperada. As populações de colônias individuais podem diminuir bastante durante o inverno, época em que as abelhas morrem naturalmente. Além disso, os apicultores relataram grandes diminuições nas populações de suas colméias várias vezes nos últimos 100 anos. Em 1915, apicultores de vários estados informaram grandes perdas de abelhas. Esse distúrbio ficou conhecido como Doença do Desaparecimento, não porque as abelhas desapareciam, mas porque o distúrbio era temporário e não voltou a ocorrer.

Os pesquisadores nunca determinaram a causa da Doença do Desaparecimento ou das diminuições subseqüentes na população de abelhas. As causas da DCC ainda são incertas e várias possibilidades foram descartadas porque não estão presentes em todas as colônias afetadas. Por exemplo, os apicultores que tiveram as colônias afetadas têm métodos diferentes para alimentar suas abelhas e para controlar os ácaros e outras pestes. As abelhas nas colônias afetadas não parecem ter vindo do mesmo fornecedor. O Grupo de Trabalho do Distúrbio do Colapso das Colônias, que está investigando o fenômeno, também não suspeita que as plantações geneticamente modificadas sejam culpadas.

Aproximadamente 15% da comida que os norte-americanos consomem vem diretamente da polinização das abelhas domésticas. Outros 15% vêm de animais que consomem alimentos que as abelhas polinizam. Em outras palavras, quase um terço da comida que os norte-americanos consomem atualmente precisa da polinização. Alguns artigos afirmam que os norte-americanos também irão perder todo o fornecimento de carne sem as abelhas domésticas para polinizar os alimentos. Isso não é necessariamente verdade. Algumas plantas, como o trevo vermelho e a alfafa, são uma grande fonte de alimento para vacas e outros animais de pasto. As abelhas grandes geralmente polinizam os trevos vermelhos e as solitárias abelhas cortadoras-de-folhas costumam polinizar a alfafa. Em outras palavras, a diminuição das abelhas domésticas não significa necessariamente que essas plantas irão perder seus polinizadores.

Infelizmente, se as abelhas domésticas entrarem em extinção, seria difícil para as abelhas selvagens assumirem as funções delas na polinização de plantações de alimentos. Existem algumas razões para isso:

  • as fazendas de hoje geralmente são de monocultura — elas usam bastante terra para cultivar um único tipo de plantação. Grandes colônias de abelhas domésticas são boas para polinizar esses tipos de plantações. As abelhas solitárias são melhores para polinizar plantas mais variadas e em áreas menores;
  • o uso de pesticidas e a perda do habitat causou um grande declínio na população e na diversidade de abelhas solitárias e selvagens.
  • Neste momento, não se sabe exatamente para onde foram as espécies de abelhas domésticas e como essa queda da população irá afetar o fornecimento de comida mundial. Embora essa diminuição possa não resultar na extinção repentina da raça humana, é provável que tenha, se continuar, um grande efeito sobre o que comemos.