Uma fazenda de Ricardo Teixeira no interior do Rio é o elo entre o presidente da CBF e a Ailanto Marketing, investigada por superfaturar amistoso da seleção com Portugal, em novembro de 2008. Documento obtido pela Folha revela que, por 26 meses, a Ailanto foi dona de uma empresa que tinha como endereço a fazenda de Teixeira em Piraí, a 80 km do Rio.

Essa empresa é a VSV Agropecuária Empreendimentos Ltda, registrada na Junta Comercial do Rio no dia 11 de novembro de 2008, oito dias antes da partida em Brasília. A VSV tinha como sócios a Ailanto, do presidente do Barcelona, Sandro Rosell -ex-executivo da Nike e amigo de Teixeira-, e a secretária dele, Vanessa Precht. O apartamento dela constava como sede da Ailanto em 2008.

A empresa recebeu R$ 9 milhões do governo do DF para organizar o amistoso, que teve até Cristiano Ronaldo. Indícios de superfaturamento nos gastos da Ailanto no amistoso levaram a Polícia Civil de Brasília a abrir inquérito para investigar suposto desvio de dinheiro público. Agora, o caso está na Justiça Federal do DF. Teixeira sempre negou relacionamento com a Ailanto. Alegava que o amistoso era responsabilidade da empresa -contratada sem licitação pelo governo do DF. Por isso, dizia que não poderia responder sobre as suspeitas.

Mas documentos mostram que a VSV, de propriedade da Ailanto, tem como endereço a estrada Hugo Portugal, 13.330, em Piraí. É justamente onde fica a Agropecuária Santa Rosa Indústria e Comércio Ltda, fazenda de propriedade de Teixeira por meio de outra empresa, a RLJ.

A Folha foi a Piraí. Funcionários que trabalhavam na fazenda do presidente da CBF negaram que a VSV alguma vez tenha funcionado ali. Com sede na fazenda, a empresa só foi extinta em 14 de janeiro de 2011. Sua existência jurídica até então, portanto, mostra a ligação comercial de Teixeira com os sócios da Ailanto. Desde 2010, a Polícia Civil do Distrito Federal apura suposto superfaturamento em gastos da Ailanto no jogo, que foi a reinauguração do estádio do Bezerrão durante a gestão de José Roberto Arruda, ex-governador afastado por caso de corrupção.

Perícia do Tribunal de Contas do DF constatou irregularidades nas contas. A Polícia Civil suspeita de superfaturamento em diárias de hotel e passagens aéreas. Em agosto de 2011, a polícia fez operação de busca e apreensão no apartamento de Vanessa Precht, no Rio. O sócio dela, Rosell, é amigo de Teixeira há mais de uma década. A relação deles se iniciou quando Rosell comandou a Nike no Brasil. Desde então, são vistos juntos constantemente. Rosell é até sócio da mulher de Teixeira em outra empresa.

A filha de Ricardo Teixeira, de apenas 11 anos recebeu em sua conta de nº 6592 – 7, numa agência do BRADESCO, situada na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, um depósito de R$ 3,8 milhões. O depósito foi efetuado no dia 22 de junho do ano passado em nome de Antônia Wigand Teixeira e o autor é identificado como Sandro Rosell, ex-diretor da Nike no Brasil e atual presidente do clube Barcelona.

Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona, é sócio da atual mulher de Ricardo Teixeira na empresa W Trade, cuja sede fica no shopping Citá América, na Barra da Tijuca. Ele também é sócio da empresa Alianto, que recebeu R$ 9 milhões, do governo do Distrito Federal, sem licitação, pelo amistoso da seleção brasileira contra Portugal, em 2008.

A revista Época publicou em julho de 2011, matéria em que o dinheiro público do cidadão do Estado do Rio de Janeiro foi utilizado para adquirir a casa de propriedade da família da mulher do vice-governador. Mais grave, hoje, a desapropriação superfaturada na cidade de Barra do Piraí não foi utilizada para nada, continua vazia. A casa que, segundo corretores experientes da cidade não poderia custar mais que R$ 250 mil, foi comprada pelo Estado por R$ 470 mil. Agora veja vocês, o vice-governador tem o cinismo de dizer o seguinte: “Eu só assinei. Não sabia que o imóvel era da família de minha mulher”.