Por Luis Nassif.

O maior estaleiro do Hemisferio Sul, capaz de construir navios de grande porte, exemplo maior e acabado de capitalismo de Estado, foi construido a um custo de R$2 bilhões em Pernambuco, com recursos do Fundo da Marinha Mercante e do BNDES, tendo como controladores duas grandes empreiteira de obras publicas. Seis anos apos sua fundação, o estaleiro não entregou um só navio pronto. Tem um no deque que porem tem tais problemas que não pode ser entregue, custou cinco vezes mais do que o previsto e está inclinado, algo tão fatal para um engenheiro como um predio torto. A ideia-força por trás do grande estaleiro é fazer renascer a industria naval no Brasil Ideia boa mas pèssimamente executada.
Voluntarismo não constroe navio e nem sonda. Primeiro grande erro : empreiteiro de obras publicas não tem absolutamente nada a ver com construção naval. Numa estrada com buracos pode passar um caminhão. O defeito não impede a passagem. Mas um navio com buracos afunda, o defeito é fatal. Industria naval tem muito maior afinidade com industria metal-mecanica, é um tipo de engenharia que exige procedimentos técnicos muito rigidos, planejamento minucioso de todas as etapas, como foi possivel pensar que empreiteiros de concreto pudessem fazer navios? Arranjaram um socio estrangeiro para fazer figuração de curriculo técnico mas deram a esse socio, que é o maior do ramo no planeta, uma participação simbolica e nenhuma ingerencia na administração do estaleiro.

O fator central na industria naval é a qualificação da mão de obra, antes de existir o estaleiro, que esta numa zona sem tradição de construção naval, seria necessaria a construção de uma escola para treinar operarios e tambem a construção de moradias para os empregados, na area não há aonde morar e nem cidades perto para abrigar essa mão de obra especializada. Nem escola e nem casa, para que? devem ter pensado os empreiteiros, acostumados a empilhar gente em canteiros de obras. Os operarios que se ajeitem em favelas, o tradicional quebra galho para areas de expansão nova. Conclusão, em seis anos de estaleiro, nem um só navio entregue. A capacidade é para CINCO navios por ano, o sócio estrangeiro faz 70 por ano. Prejuizos se dizem nos bastidores, de R$1,2 a R$2 bilhões. Agora, posto para fora o socio estrangeiro, os controladores querem sócios novos mas que venham com dinheiro, no minimo 400 milhões de dolares. Vai ser dificil. Minha sugestão: convoquem alguns professores de economia da UNICAMP, paladinos do capitalismo de Estado, sábios de gabinete, com suas caras sérias de conteudo e genialidade, para daram um jeito no estaleiro. Não vai ser facil. Uma coisa é certa: o prejuizo será publico, do meu, do seu, do nosso, como é da regra do capitalismo de Estado, só esqueceram que fazer navio é um pouco mais complicado, só dinheiro não resolve, precisa de disciplina e capacidade, avião mal feito cai e navio mal feito afunda, precisa especialmente de GESTÃO, improviso não funciona nesse ramo. Felizmente para a Petrobras há no Brasil outros estaleiros com maior tradição e que terão capacidade para atender as encomendas fundamentais para a Petrobras, sem sondas e sem navios de apoio e unidades de produção, não tem pré-sal.

A outra vencedora, a Ocean Rig venceu à proposta independente para construir e afretar cinco sondas à Petrobras por taxa média, equivalente à US$ 584 mil por unidade por dia. A Ocean Rig tem acordo com os estaleiros do grupo Synergy, do empresário German Efromovich, para construir as sondas nos estaleiros dele. Se ficar com a encomenda, a Ocean Rig começaria construindo as unidades no estaleiros Mauá e Ilha S.A. (EISA), do grupo Synergy, no Rio.

A Ocean Rig é uma companhia jovem no ramo da perfuração (1996). Ela inicia suas atividades em 2001 com 2 modernas SS de quinta geração, classe Bingo 9000, DP3.  As sondas, Leiv Eiriksson e Eirik Raude, na época eram as duas maiores no mundo, construídas para operar em condições extremas e águas ultra profundas. A Ocean Rig é uma empresa formada por fundos de investimentos imobiliários da Noruega e tem como sede administrativa em Sandnes e Stavanger, mas com escritórios em Nova York e Londres, e agora chega ao Brasil.

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