Há milhares ou milhões de anos, um mosquito picou um chimpanzé da África equatorial que estava infectado com o parasita Plasmodium reichenowi. Depois, picou um humano, tendo o parasita evoluído para o Plasmodium falciparum, o principal causador da malária, que mata anualmente um milhão de pessoas. A descoberta de que a doença teve origem nos chimpanzés pode ajudar os investigadores a desenvolver novos tratamentos.

“O parente mais próximo do Plasmodium falciparum é um parasita presente nos chimpanzés, o Plasmodium reichenowi”, escreveram os cientistas na Proceedings of the National Academy of Sciences, depois de analisarem amostras de sangue de 94 chimpanzés dos Camarões e da Costa do Marfim.

“Quando a malária passou aos humanos, tornou-se perigosa rapidamente”, indicou Francisco Ayala, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Califórnia, no comunicado oficial. “A doença nos humanos tornou-se resistente a muitos medicamentos. Espero que a nossa descoberta nos coloque mais perto de criar uma vacina”, acrescentou o principal autor do estudo.

A análise de DNA mostrou que na América do Sul existem duas subdivisões do parasita. Uma delas presente na selva colombiana. A outra afeta populações da Guiana Francesa, Brasil e Bolívia.

Os exames mostraram que os dois tipos genéticos do Plasmodium falciparum foram introduzidos nessas regiões de forma independente, entre os séculos 16 e 19, durante o período do tráfico negreiro. O professor Ayala diz que “algumas pessoas argumentam que a doença existia na região há milhares de anos”. “O que mostramos, claramente, é que a malária maligna está na América do Sul há uns 300 ou 500 anos”, diz.

Além da malária, outras doenças graves tiveram origem nos chimpanzés – o vírus da sida, por exemplo – ou noutros animais. É o caso da gripe aviária, da pneumonia atípica (que matou 800 pessoas em 2003 e 2004), da praga ou dos vírus ébola ou marburg. Os autores deste estudo deixam por isso um alerta importante: à medida que os humanos se embrenham ainda mais nos últimos habitats dos chimpanzés nas florestas da África equatorial “aumenta o risco de transmissão de novas doenças, incluindo novos parasitas da malária”, ao homem.