TRADIÇÃO JUDAICA

A base para o primado do casamento público e civil sobre o sacramento cristão repousa no episódio evangélico das bodas de Caná. Cristo desloca-se à cerimônia para abençoar um casamento já celebrado.

No tempo de Cristo, este assunto era motivo de disputa entre as duas principais escolas rabínicas:

A escola de Shammai ensinava que se um homem descobrisse alguma má conduta (sexual) de sua esposa ele deveria divorciar-se dela.

  • A escola de Hillel ensinava que se um homem, simplesmente, desagradasse de sua esposa ele poderia divorciar-se dela.

  Alice Laffey, em Introdução ao Antigo Testamento, destaca que o adultério era considerado, não como ofensa contra a vítima feminina, mas pecado contra o marido a quem pertencia a mulher, a saber, o pai ou o marido. Por isso, quando morria o marido de uma mulher casada, esta ficava marginalizada. Era maldade mandar uma viúva embora de mãos vazias (Jó 22:9), tomar seu boi como penhor (24:3), deixar que seu olho se consumisse (31:16).

As esposas não podiam divorciar-se dos maridos, mas estes podiam divorciar-se das esposas: duas das esposas de Saaraim são repudiadas, Baara e Husbim (I Cro 8:8).

INTERPRETAÇÃO CONTEXTUAL

Refletindo sobre Mateus 19, o pr. Carlos Roberto Martins, da IECBR, diz que o homem não deve separar o que Deus uniu, mas a situação é diferente em casamentos que foram feitos fora da vontade do Pai. O pr. David Baeta, da PIB de Moça Bonita, acredita que os textos devem ser lidos levando-se em consideração o contexto atual. Já Lisâneas Moura, pastor da PIB do Morumbi, diz que a orientação da igreja é que haja divórcio em caso de traição ou quando o não-crente pôr fim no casamento por questões de fé.

O Dr. John Stott declara: “pornéia significa imoralidade sexual física; razão pela qual Jesus estabeleceu como única para o divórcio, tendo em vista que há uma violação do princípio de “uma só carne”, que é fundamental para o matrimônio ordenado po0r Deus e definido pela Bíblia”.

Nesse caso, a escola do rabino Shammai se aproximava mais da verdade. Robert Plekker, no seu livro Divórcio à Luz da Bíblia, afirma: “A infidelidade (pornéia) conjugal destrói de tal maneira a união de uma só carne entre marido e mulher que Deus, em Sua sabedoria, permite um divórcio”.

O Dr. Russell Shedd comentou sobre a orientação de Jesus: “Jesus colocou um cadeado bem forte na porta do divórcio”.

Sobre a permissão para o divórcio, João Flavio Martinez, fundador do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) é enfático numa análise inicial: “A princípio, a resposta é: o que Deus ajuntou não separe o homem (Mat 19:6). Esse texto deixa claro que, para Deus, deve haver só uma união matrimonial e que Sua vontade é que dure para sempre”. Apenas o adultério é apontado pelo professor como motivo respaldado biblicamente para a separação conjugal.