As expressões e mudanças culturais num mundo transmoderno produzem impacto direto na expressão religiosa do brasileiro. A avaliação regular da Missão Integral da igreja pode acompanhar este impacto nas dimensões ao longo do tempo.

 Gene Getz, no livro Igreja: Forma e Essência, lista três experiências vitais para cada crente:

  1. Experiências de aprendizado da Palavra de Deus;
  2. Experiências relacionais uns com os outros e com Deus;
  3. Experiências de testemunho aos não-cristãos.

Getz apresenta o diagrama abaixo que identifica três ângulos através dos quais se define a forma eclesiástica apropriada:

 

Pacto de Lausanne

 O Pacto de Lausanne reconheceu a importância da variável cultural, mas afirmou que “[…] A cultura deve ser sempre julgada e provada pelas Escrituras.” Por ser uma religião universal, o cristianismo não pode ser identificado com nenhuma cultura, não podendo promover ou destruir culturas.

A fase eurocêntrica vai do século XVI à segunda metade do século XX. Pela primeira vez na História, um império é substituído por outro da mesma cultura e da mesma língua: a Grã-Bretanha pelos Estados Unidos da América.

Mais recentemente, os termos igreja emergente e igreja pós-moderna são utilizados como sinônimos. Alguns escritores identificam que as mudanças culturais avançaram tão rapidamente que chegamos a uma era pós-pósmoderna. Paul Vitz usa o termo transmoderna.

Relativismo cultural

O sacerdote espanhol, Bartolomeu de Las Casas, desenvolveu um relativismo cultural no qual os indivíduos eram vistos dentro de seus próprios valores do que um padrão ideal. Tanto que em sua defesa, datada de 1550, da prática indígena de sacrifício humano, ele a considerou uma expressão do amor de Deus sendo parte da lei natural praticada pelos homens.

Para o sacerdote, os índios alcançaram o status legal de menores de idade cristianizáveis, e os negros escravos consolidaram o status de não-humanos, todos os habitantes do continente se tornaram de alguma maneira uma mesma gente, uma gente que não conhecia a palavra de Deus e que necessitava do cuidado e do mando daqueles que conheciam a verdade – ou seja, Deus. E ainda que a exploração dos indígenas tenha continuado, reconheceu-se a existência de duas repúblicas separadas, a dos índios e a dos espanhóis, enquanto os negros foram definidos como propriedade explorável até o limite da racionalidade econômica de seus donos. Isso se chama relativismo cultural.

Os negros não contaram no plano dos evangelizadores da América Latina. Ao contrário, a Igreja fez uma inteira aliança com aqueles que os oprimiam, confiando ao senhor de escravos a tarefa de evangelizá-los.

Em sua obra Cristo e cultura, o teólogo Niebuhr (1967) apresentou cinco abordagens distintas sobre o relacionamento da fé cristã e a cultura:

  1.  modelo isolacionista _ Esse modelo foi intitulado por Niebuhr de “Cristo contra a cultura”. A Igreja não pode estar isolada da sua cidade, pois não há impacto sem contato. O texto bíblico (Mt 5:14-16; I Pe 2:12) parece não dar apoio ao modelo isolacionista;
  2. modelo pessimista _ Niebuhr chamou-o de “Cristo e cultura em paradoxo”. Os cristãos aguardam de modo passivo pelo “Reino” de Deus;
  3. modelo dupla cidadania _ Para Niebuhr, essa reação é denominada “Cristo, o transformador da cultura”. Precisamos resgatar aquilo que se poderia descrever como a “dupla identidade” da igreja. Por um lado ela é um povo “santo”, separado do mundo para pertencer a Deus. Por outro, porém, é composta de gente mundana, no sentido de que é enviada de volta ao mundo para testificar e servir.
  4. modelo tolerante _ Niebuhr chamou-o de “Cristo sobre a cultura”. Os cristãos vivem as duas realidades, trazendo alguns aspectos culturais para a igreja.
  5. modelo imersionista _ Niebuhr dá o nome de “O Cristo da cultura”. Trata-se de uma imersão total na cultura urbana, esquecendo-se de que há uma diferença entre uma postura cristã e os males e pecados da sociedade sem Deus. John Stott afirmou que “A influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade”.