Por esta altura o correcto seria dizer-se, no entender da Scotland Yard, porque faleceu Sean Hoare, o jornalista responsável pelo início da denúncia das escutas telefónicas que está a abalar o Reino Unido e o império mediático de Rupert Murdoch? Para uma das mais bem treinadas (e pagas) polícias do mundo, Sean Hoare morreu de forma inexplicável mas não pensam que a sua morte seja suspeita. São estas as palavras precisas: “unexplained, but not thought to be suspicious”. Não é inacreditável?

No Brasil, recentemente, tivemos o caso do dossiê contratado pelo PT para vasculhar a declaração de renda da filha do candidato José Serra. Quem executou a pesquisa foi a delegacia da Recita Federal de Santo André (SP), reduto petista. No Rio de Janeiro, o blogueiro Ricardo Gama, que denuncia desmandos do Governo do Estado do RJ, foi alvejado por vários tiros e, milagrosamente escapou com vida. Até agora, não pegaram o autor dos disparos.  O caso do menino Juan também continua sem solução. No RJ, menos de 10% dos homicídios são solucionados!

Mas vejamos a história: Sean Hoare denuncia que o seu editor, Andy Coulson, era uma das pessoas responsáveis pelas escutas às principais figuras da política, da família real, do showbiz, enfim, da socialite dos brits. Com o escândalo na praça pública os nomes vão saltando como pipocas uns atrás dos outros, sendo que dez pessoas já foram constituídas arguidas e Paul Stephenson, chefe da Scotland Yard, já pediu a demissão.  Se morreu de causas naturais, quais foram essas causas num homem de meia idade aparentemente de boa saúde? Se foi assassinado, ou sabia mais do que já tinha dito, ou disse à polícia mais do que sabemos (e assim sendo a polícia é a principal suspeita uma vez que é implicada no caso por corrupção, precisamente por Sean), ou era mesmo irrelevante e trata-se de um pérfido golpe de pedagogia? Em qualquer das hipóteses, uma, várias ou todas as figuras citadas nesta posta ou está envolvida ou sabe quem foi o assassino. Não vos parece elementar?