A mulher hebraica não cogitaria em hipótese alguma adentrar no Templo (ou mais tarde sinagoga) sem cobrir suas cabeças. Esta prática é simplesmente passada pela Igreja (isso é passado também nas Igrejas orientais ortodoxas).

Durante centenas de anos o véu foi usado pelas mulheres tanto pela Igreja Romana como nas Igrejas do Oriente sem precisar ser obrigatório por meio de código canônico. Com a criação do Código de Direito Canônico em 1917, foi mencionado que toda mulher deveria usar o véu.
Por quase 2000 anos, mulheres Católicas se cobriram com o véu antes de adentrarem na igreja ou em qualquer momento que estivessem na presença do Santíssimo.
Está escrito no Código de Direito Canônico de 1917: cânon 1262, que a mulher tem que cobrir suas cabeças “especialmente quando se aproximam da mesa sagrada” (Mulieres autem, capite cooperto et modest vestitae, maxime cum ad mesnam Domincam accedunt).
Quando o Código de Direito Canônico de1983 foi produzido, a questão do véu simplesmente não foi mencionada. E se espalhou na mídia que tal prática não precisava mais ser seguida pelas fieis católicas. E foi mais alimentada pelos movimentos feministas e pelos padres animados pela reforma litúrgica da decada de 60 (sec. XX).

Minha intenção não é defender o uso do véu por motivos religiosos ou culturais. Porém, buscar entender as raízes da utilização do véu pelas mulheres muçulmanas e pertencentes a outros grupos religiosos.

O uso do véu, aconselhado por Paulo numa das suas Epístolas, representou o reclamar para si de um direito próprio das elites: as mulheres cristãs querem o uelum matronale, símbolo tradicional da pudicitia da mulher casada em iustae nuptiae e marca de estatuto social. Ao contrário do que frequentemente se pensa, hoje para estas mulheres, e para os cristãos em geral, o véu representava mais um sinal de liberdade e de promoção social do que um objecto redutor e símbolo da submissão da mulher ao homem.

1Cor 10-15. O uso do véu tornava todas as mulheres iguais em dignidade. É mecanismo de opressão, dado o exemplo bastante mediatizado do que ocorre em determinadas comunidades muçulmanas. A opinião ocidental sente-se chocada com o hábito do véu no mundo islâmico, mas pontualmente vemos mulheres muçulmanas atestar que, para elas, o véu é não só um símbolo da cultura de origem (o caso das emigrantes muçulmanas em França), como uma garantia de liberdade de circulação.