Rahab, o rio Nilo e o Egito.

A vitória de Yahweh sobre o exército egípcio é poeticamente expresso por Moisés em Êxodo 15:1-18. Em vez de Yahweh que compete com o Mar (Iam), como no mito de Baal, ele está competindo contra os exércitos egípcios. Neste caso soluciona o conflito com uma vitória sobre o inimigo usando o Mar como instrumento do Seu julgamento.

Yahweh estabelecerá então, um pacto em uma montanha e será construído um templo para Ele (no mito cananeu, Baal está morando no Mt. Zaphon num palácio por ele desejado).

Em Números 25:1-3 Moisés registra para posteridade um pecado lastimoso de Israel contra Yahweh. Aparentemente havia um local para Baal (de Peor) adoração em Siquém e quando Israel estava lá, os homens começaram a se ocupar de imoralidade sexual com mulheres de cananitas, e junto com isso (provavelmente como parte do culto), curvaram o joelho diante de Baal.

Balaque, rei de Moabe, incitou o profeta Balaão a amaldiçoar Israel. Afinal, os israelitas sob comando de Josué haviam derrotado 2 reinos a lesta do Jordão: Sihon, rei dos amoritas e Og, rei de Bashan.

Em dois textos, Rahab é sinônimo político e geográfico do Egito:

  • Isaias 30:7 Pois, quanto ao Egito, vão e inútil é o seu auxílio; por isso, lhe chamei ‘que nada faz’.
  • Sal 87:4 Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram.

O ap. John Eckhardt afirma que Rahab é identificado com o Egito. O nome aparece seis vezes. O rio Nilo era o orgulho do Egito por sua fertilidade. O rio foi palco da ação libertadora de Deus sobre os falsos deuses do Egito que humilhavam o povo hebreu e envaideciam os egípcios.

Estudiosos citam o Salmo 89:8-13, entre outros, como cenário da Criação:

  • 8 Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu és, SENHOR, com a tua fidelidade ao redor de ti?! 9 Dominas a fúria (orgulho) do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas. 10 Calcaste a Rahab, como um ferido de morte; com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos. 11 Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.

O Salmo 24 inclui a narrativa da Criação, o confronto com os espíritos que dominavam os corações dos homens e o caráter dos filhos de Deus:

  • 1  Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.2  Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.3  Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?4  Aquele que é limpo de mäos e puro de coraçäo, que näo entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.5  Este receberá a bênçäo do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvaçäo.

O profeta Isaías proferiu no capítulo 51:9

  • 9 Desperta, desperta, arma-te de força, braço do SENHOR; desperta como nos dias passados, como nas gerações antigas; não és tu aquele que abateu o Egito e feriu o monstro marinho (tanniym)? 10 Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo (tehom rabbah)? Aquele que fez o caminho no fundo do mar, para que passassem os remidos?

John Oswalt, no artigo The Myth of the Dragon and Faith in Old Testament, ensina que o verbo semítico bãqa’ tem o significado de romper, dividir, abrir. Gênesis 7:11, o verbo aparece pela primeira vez: No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo (tehom rabbah) , e as comportas dos céus se abriram,12 e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. O verbo ocorre 51 vezes, sendo 15 referindo-se à divisão do Mar Vermelho. O evento e sua narrativa serviriam como cartão de visita para o povo cananeu por sua similaridade com o mito da conquista de Yam (mar) por Baal. Ou da divisão da mar feita por Marduk no épico caldeu.

O dr. John Marr, chefe epidemiologista de Nova Iorque, apresentou uma teoria para explicar as pragas do Egito. Um rápido crescimento de algas vermelhas, conhecidas como fysterias, teria liberado grande quantidade de toxinas no rio Nilo que desencadeou as pragas seqüenciais descritas no Êxodo.

O profeta Ezequiel em 29:3 proferiu:

  • 3 Fala e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, crocodilo enorme (tanniym), que te deitas no meio dos seus rios e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim mesmo.

O patriarca Jó, no cap. 26 reconheceu:

  • Ele estende o norte (monte Zaphon = atual Monte Casius, Jebel el´Aqra) sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada. 8 Prende as águas em densas nuvens, e as nuvens não se rasgam debaixo delas.9  Encobre a face do seu trono e sobre ele estende a sua nuvem.10  Traçou um círculo à superfície das águas, até aos confins da luz e das trevas.11  As colunas do céu tremem e se espantam da sua ameaça.12  Com a sua força fende o mar e com o seu entendimento abate o adversário.13  Pelo seu sopro aclara os céus, a sua mão fere o dragão (Rahab) veloz .14  Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos! Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?