Após a aprovação do “Bill Aberdeen” em 1845, até 1º de maio de 1851, os ingleses se apoderaram de 368 embarcações brasileiras, das quais 24 foram destruídas, e as demais incorporadas a Marinha mercante inglesa, e que nunca foram indenizadas ou devolvidas aos seus proprietários. O “Bill Aberdeen” foi um ato unilateral do parlamento inglês que autorizava a sua Marinha aumentar a repressão às embarcações brasileiras, inclusive em águas nacionais. Os prejuízos eram enormes, “Em quarenta anos de guerra não declarada do Brasil, os ingleses haviam apreendido e destruído cerca de 850 navios de longo curso. Quando o tráfico acabou, a nata da frota mercante brasileira, formada por barcos capazes de realizar viagens entre províncias distantes, fora de embarcações – justamente os que estavam em tão mal estado que os traficantes fugiam delas”.

A ascensão de Irineu Evangelista de Sousa adquire dimensões somente compreensíveis se analisarmos o meio social em que se processou. Instalou em 1846, a primeira empresa de fundição e construção naval no Brasil- a Ponta da Areia (R.J.)- empregando mais de 300 funcionários. Esse estabelecimento iria sofrer, em 1857, um violento incêndio, onde modelos de embarcações foram criminosamente destruídos.

Em 1860, tinha acabado de obter o mais invejado reconhecimento da época, o do barão Lionel de Rothschild. Este foi o primeiro a assinar o prospecto de lançamento da The San Paulo (Brazilian) Railway, nome inglês da ferrovia Santos-Jundiaí, além de subscrever pessoalmente mil ações da empresa, dando a Mauá o “status” de empreendedor sério. O barão Rothschild era Zeus no Olimpo econômico do século, e um gesto como esse equivalia a reconhecer Mauá como um dos deuses legítimos.

Segundo Ênio Caldeira Pinto, no livro O Barão de Mauá, “Os maçons ingleses acreditavam em Deus, na defesa do rei e da Constituição, no trabalho de conscientização de cada indivíduo e nas mudanças progressivas – dentro de seu país. Para os outros, pregavam fórmulas bem diferentes, que logo se expandiram. Na década de 1730, maçons ingleses – que certos historiadores diziam estar ligados recém-criado serviço secreto britânico – fundaram o primeiro agrupamento maçônico na vizinha França. Mas, ao atravesssar o canal da Mancha, certas crenças acabaram sofrendo modificações. A loja maçônica francesa  rezava por outra cartilha, que se difundiria pelo mundo dos adversários da Inglaterra. A vertente para consumo externo, o rito francês ou vermelho pregava a destruição da monarquia, a luta de morte contra o poder estabelecido, o ateísmo e o republicanismo.”

José Bonifácio fundou a versão azul de um órgão central autônomo,o Apostolado. Organizado em torno de “palestras” (equivalentes às “lojas” vermelhas), uma das quais se chamava “Independência ou Morte”, o Apostolado era chefiado por um arconte-rei – o próprio José Bonifácio, que assim detinha o comando formal dos dois ramos maçons. A diferença estava no juramento.

No portfólio dos Rothschild londrinos estavam financiamento da campanha de Wellington, o da Guerra da Criméia, a toma-da do canal de Suez pela Inglaterra, as construções de ferrovias na França e na Áustria, a conta de governos como o da Inglaterra, Nápoles e Duas Sicílias e do Brasil. Dezessete anos depois de inaugurada, a primeira grande indústria  instalada no Brasil fechava as portas. Para o Barão de Mauá restou um prejuízo de mil contos de réis.

Em 1875 o Barão pediu moratória por três anos e faliu em 1878, ao morrer em 21 de outubro de 1889, embora tivesse perdido todo o seu império industrial, ele conseguiu pagar todas as suas dívidas. Mauá morreu como um homem rico, mas não como o construtor de uma nação.