No mundo todo, clínicas especializadas são contratadas para induzir o sono dos trabalhadores durante o horário comercial. Segundo estudos, cerca de 30 minutos de soneca faz com que o funcionário volte para a labuta muito mais bem disposto.

Depois das massagens e de outras técnicas para relaxar e aliviar a tensão, estão surgindo clínicas no mundo todo (inclusive no Brasil) dispostas a induzir o sono de seus clientes durante o horário comercial, para que eles saiam dali mais descansados e bem dispostos para a labuta.

Assim que a pessoa entra no “quarto do cochilo”, aprende técnicas de respiração e relaxamento. Tudo é feito para fazer você cair no sono, da iluminação e dos aromas até a música que faz a mente repousar. No Rio de Janeiro, a clínica Pausadamente, por exemplo, conta com poltronas especiais inspiradas nas cadeiras “gravidade zero” criadas pela Nasa. Elas são desenvolvidas para amenizar a tensão dos astronautas: projetam o corpo para trás elevando as pernas acima do nível do coração, reduzindo o peso na coluna e acelerando a sensação de relaxamento.

Meia horinha de sono sai por cerca de 24 reais. Nos tempos em que dormir mal virou uma epidemia, um cochilo pode ser revigorante para uma rotina cheia de pressão, trabalho e ansiedade. “Não se trata de repor o sono noturno, mas uma soneca de até 30 minutos pode melhorar o humor e aguçar o pensamento, já que é normal termos uma sonolência no início da tarde”, afi rma o neurologista Luciano Ribeiro Pinto, do Instituto do Sono, da Unifesp. Nos países latinos em que a siesta é oficialmente instituída, eles levam a sério os benefícios do cochilo. E sem pagar nada por isso!

Dormir pouco ou dormir mais que os outros é um caso que foi anunciado recentemente pelos cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade Ludwig Maximilians, na Alemanha, como sendo um fator genético relacionado ao gene ABCC9, um velho conhecido dos cientistas e responsável pela identificação de doenças cardíacas e da diabetes.

Com mais de 4000 pessoas em sete países europeus como exemplo do estudo, as pessoas que dormiam em média 30 minutos mais que as outras, ou seja, aquele ficar na cama “só mais 5 minutos” representaram 20% dos pesquisados e todos apresentaram a presença do ABCC9, enquanto os que dormiam regularmente dentro da média normal de 8 horas não tinham esta característica genética em sua formação.

Amostras de DNA dos voluntários foram analisadas e o estudo foi apresentado no periódico “Molecular Psychiatry”.

Diversos fatores influenciam o sono, não só os fatores genéticos, mas o estudo levou em consideração os fatores externos na pesquisa, como excesso de trabalho, cansaço emocional ou físico ou medicamentos que os voluntários estavam fazendo uso.

Para você conhecer um pouco mais de como funciona o metabolismo do sono, considere que seu corpo passa por 2 fases bem distintas de sono.

O sono não REM, ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), é a preparação do corpo para o sono. Por sua vez é dividido em 3 fases: Sonolência, relaxamento aprofundado e sono profundo e o tempo para esta preparação do sono pode durar 90 minutos. (1 hora e meia).
O sono REM é aquele onde acontecem os sonhos, e também as diversas formas do cérebro de arquivar as informações acumuladas durante o dia.

Em um dia perfeito, uma mulher ocidental de 38 anos dá prioridade a uma noite bem dormida, um pouco de sexo e algum tempo com os amigos, garante uma pesquisa da Universidade de Bremen, na Alemanha e do Instituto de Tecnologia da Georgia, nos Estados Unidos. No estudo Just A Perfect Day: Developing a Happiness Optimized Day Schedule, publicado na “Journal of Economic Psicology”, os pesquisadores Christian Kroll e Sebastian Pokuta entrevistaram 900 mulheres economicamente ativas para descobrir que falta tempo para o básico. Em vez de horas no shopping ou na academia, elas querem dar atenção a quem importa e, principalmente, aliviar o cansaço. No Brasil, dados do estudo Episono, realizado em 2007 pelo Instituto do Sono, também mostram que as mulheres dormem 6h33m mas gostariam de dormir mais. Exatamente 1h49m a mais. Já os homens têm 6h28m de sono e ficariam mais 1h34m na cama.

— De tudo o que acontece no nosso corpo, o sono é a única variável sobre a qual temos uma certa ingerência e é justamente o que sacrificamos quando queremos mais tempo para outras atividades — observa a bióloga Lúcia Rotemberg, vice-chefe do laboratório de Educação em Ambiente e Saúde da Fiocruz, que atualmente faz um pós-doutorado em sociologia sobre o uso do tempo. — Temos um orçamento, é preciso eleger prioridades dentro das nossas 24 horas, que são as mesmas para todo mundo: rico ou pobre, o tempo é o mesmo. Hoje vivemos num mundo produtivista, com muitas demandas e uma competição muito alta, o trabalho é levado para casa. Como tempo tem a ver com espaço, tudo fica misturado e, para descansar, é preciso reequilibrar esse orçamento — explica.

As razões para este déficit de horas de sono vão desde a perda de uma a duas horas por século desde a invenção da luz elétrica — quando passamos a dormir menos —até a lista de tarefas diárias da gincana feminina que cada vez aumenta mais.

— As mulheres dessa faixa etária da pesquisa têm mais insônia, na proporção de três para um homem. A mulher trabalha, gerencia casa, filhos, marido, seu papel social é muito maior. Se fizessem esta pesquisa no Brasil o resultado seria bem parecido — acredita a neurocientista Dalva Poyares, médica do Instituto do Sono e professora da Unifesp.

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