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Princípios bílbicos financeiros

Fusões e Aquisições no Brasil, desindustrialização sob proteção do Estado.

Fusões e aquisções no Brasil 2009 - 2012

Em 2012, cerca de 300 empresas foram desnacionalizadas. A maioria das aquisições ocorrem com a compra de plantas existentes. Um levantamento da Dealogic mostra que no primeiro semestre de 2012 foram feitas 459 fusões e aquisições no Brasil, enquanto que no mesmo período do ano passado foram fechados 291 negócios do gênero. O número elevado é explicado em parte pela vigência das novas regras para análise de fusões e aquisições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas também aponta a efervescência deste tipo de negociação no Brasil.

O volume de fusões e aquisições tendo como alvo empresas brasileiras em 2010 foi o segundo maior entre os mercados emergentes – atrás apenas da China –, segundo um levantamento da consultoria britânica Dealogic. Até setembro, a Dealogic registrou 375 operações que resultaram na troca de mãos de ativos de empresas brasileiras, alcançando quase US$ 76 bilhões. Além da compra de parte da Brasilcel pela Telefônica por US$ 9,6 bilhões, figuram na lista das maiores operações a união da TAM e da LanChile anunciado em agosto (US$ 5,5 bilhões) e a aquisição de ativos da Cosan pela anglo-holandesa Shell em fevereiro (US$ 5,4 bilhões).

O BTG Pactual foi líder em Fusões e Aquisições em 2011. Em 2011, o Banco participou das maiores e mais complexas operações de fusões e aquisições do país. Entre elas estão a venda do controle da Schincariol para a Kirin por R$ 4 bilhões e a compra de fatia da Usiminas pela Ternium, no valor de R$ 5 bilhões. Outros destaques foram a reorganização societária do Grupo Oi, a aquisição da AES Atimus pela TIM, e a incorporação da WTorre pela BR Properties. No consolidado de 2011 da Thomson Reuters, o Banco participou de 54 operações, que movimentaram cerca de US$ 24 bilhões. O volume representa 30% de participação no segmento. De janeiro a dezembro, as transações de M&A totalizaram US$ 79,2 bilhões no Brasil. Em 2010, o BTG Pactual também ocupou o primeiro lugar do ranking, com participação em 56 fusões e aquisições.

Desde 2004, 1.300 empresas brasileiras foram VENDIDAS!

De acordo com o levantamento da KPMG, o número de fusões e aquisições no Brasilapresentou maior alavancagem em 2007, uma vez que expressou um crescimento 43% em relação ao ano anterior. Ainda segundo a pesquisa, de Janeiro até Dezembro de 2007 foram efetuadas 699 acordos durante o ano, superando o ano de 2006 que apresentou 473 transações desta natureza. Os setores que mais se destacaram foram o de alimentos, bebidas e fumo, com 66 transações; o de TI (Tecnologia de Informação) com 55 transações e o imobiliário e shopping centers (ambos com 51 operações) respectivamente

Certamente as fusões e aquisições alegram a IBOVESPA mas refletem o processo de sucateamento da indústria no Brasil.

Compras Educação 2011O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu que vai fazer uma análise profunda nas operações de fusão e aquisição na área de educação, que foi tema de 40 julgamentos do órgão entre setembro e dezembro do ano passado. A intenção é identificar quem está por trás dos grupos educacionais e desvendar qual é o real nível de concentração do setor.

Mergulhos como este já foram feitos pelo Cade em outros setores, como saúde, frigoríficos, cimento e siderurgia. Em alguns deles, a autarquia percebeu que grupos com atuação sólida no País começaram a usar holdings e outras empresas para abarcar o maior volume possível de empresas. Isso diminui a concorrência e pode criar um ambiente de manipulação, com influência sobre os preços.

As relações cruzadas entre sócios vieram à tona porque Rodrigues é também o maior acionista individual do Fundo de Educação para o Brasil (FEBR), dono de 17,24% da Anhanguera. Ele vendeu, porém, sua participação de 49% na Anhembi à Laureate em janeiro. “A questão é saber qual é o núcleo do comando da operação. O Anhanguera é um dos maiores concentradores com maior expressão no setor”, disse o relator. “Concorrente é para concorrer, não é para ficar junto.”

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Jeitinho brasileiro em pesquisas e no livro Missão da Igreja: dimensões e efeitos

No meu livro Missão da Igreja: dimensões e efeitos abordo o jeitinho brasileiro destacando que no estabelecimento de estratégias para esse confronto do evangelho com a cultura, Stephen C. Neill propõe um modelo hierárquico de ação em três níveis sobre a penetração do evangelho na cultura:

  • Para ele, há, em primeiro lugar, alguns costumes que não podem ser tolerados, tais como a idolatria, infanticídio, canibalismo, vingança, mutilação física, prostituição ritual, etc. Entre os quais situamos o ‘jeitinho brasileiro’.
  • Em segundo lugar, há alguns costumes que podiam ser temporariamente tolerados, tais como a escravidão, o sistema de castas, o sistema tribal, a poligamia, etc.
  • E, em terceiro lugar, há alguns costumes cujas objeções não são relevantes para o evangelho, tais como o homem e a mulher sentarem-se separados nos cultos, costumes alimentares, vestimenta, hábitos de higiene pessoal, etc.

O Congresso de Lausanne I, através do Relatório Willowbank, de 1978, adota essa abordagem de Neill, acrescentando uma categoria entre a segunda e a terceira, tratando de assuntos onde há controvérsia entre as igrejas, tal como a questão da consanguinidade.

Uma situação cultural concreta em nosso ambiente brasileiro é a do jeito ou jeitinho que tem trazido grandes dificuldades na concretização do evangelho do dia-a-dia. Padilha lembra-nos de que o jeitinho representa a formalização de todas as características básicas atribuídas ao homem brasileiro. Ele afirma que o jeitinho é a palavra chave, o “abre-te-Sésamo” para todas as situações difíceis.

O livro A Cabeça do Brasileiro (Ed. Record), do sociólogo Alberto Carlos Almeida há uma pergunta que trata o tema:

“Como considerar a atitude do funcionário público que ajuda uma empresa a ganhar um contrato no governo e depois recebe dela um presente de Natal?”.

Para 80% dos que não sabem ler ou escrever, isso é apenas um “favor” ou um “jeitinho”. Para 72% dos que concluíram a universidade, é corrupção e ponto final. Entre os analfabetos 40% acham que uma pessoa eleita para um cargo público deve usá-lo em benefício próprio. Dos que atravessaram todo o ensino superior, somente 3% pensam assim.

Cerca de 53% dos eleitores sem instrução são de opinião de que um político que faz muito e rouba um pouco merece voto. Já o percentual dos que concordam com essa atitude, e que cursaram até a 4ª série do ensino fundamental, é um pouco menor, de 46%. 46% entre os eleitores com escolarização entre a 5 ª e a 8 ª séries também dariam seus votos para esse tipo de político. Os que cursaram o 2º grau compõem um grupo que começa a ficar menor nessa pesquisa: eles são 38%. Um total de 25% das pessoas com curso superior afirma que votaria num político corrupto.

O resultado da pesquisa induz à conclusão de que a formação superior estancaria a corrupção. Mas pode ser que o motivo seja basicamente outro: a renda pessoal. No nosso país, a diferença de renda é muito grande. Nós conhecemos a indústria eleitoral que se movimenta ao arregimentar desempregados, desocupados e pessoas com má formação profissional. Uma pessoa com princípios bíblicos, com suficiente renda pessoal (próspero) e bem-sucedida na vida terá fundamento e condições para firmar-se contra a corrupção e seus contornos.

Pesquisa divulgada pela faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (Direito-FGV) mostra que 82% dos brasileiros reconhecem que é fácil desobedecer às leis no Brasil e que 79% acreditam que, sempre que podem, as pessoas apelam para o “jeitinho” para evitar cumprir as normas legais. Além disso, 54% acham que existem poucas razões para obedecer às leis no país.

— As pessoas não têm a sensação de que é importante, para a coletividade, obedecer a lei. Mais de 50% das pessoas dizem que não têm razão para obedecer a lei e mais de 70% dizem o brasileiro sempre opta pelo jeitinho. As pessoas acham que cumprir a lei não vale a pena, não percebem que é importante obedecer as leis, independentemente de seu ganho individual e imediato. Elas não encontram razões e acham que em geral os outros não obedecem — disse Luciana Gross Cunha, coordenadora da pesquisa.

O levantamento mostrou também que os brasileiros dão menos importância às ordens de policiais que a de juízes. Enquanto 81% entendem que devem obedecer decisões judiciais que determinem pagamento a alguém, apenas 41% acreditam que devem obedecer uma ordem de um policial, mesmo que discordem dela.

O coordenador da Direito-FGV, professor Oscar Vilhena Vieira, disse que é muito preocupante o fato de a população não confiar na polícia, que é a autoridade que está diretamente ligada ao cumprimento das normas legais.

— Um dos instrumentos de eficiência policial é a confiança. Quando o cidadão confia na polícia, ele leva informações que permitem que a polícia previna e busque a punição — afirmou Vieira.

Os responsáveis pela pesquisa relataram que os dados sobre obediência à norma que criminaliza a compra de produtos piratas chamaram a atenção. Apenas 54% dos entrevistados responderam que é provável ou muito provável que a compra de um CD ou DVD falso resultará em punição e só 64% acham que se fizessem isso seriam reprovados moralmente por amigos e familiares. E 91% das pessoas que responderam à pesquisa disseram ter comprado CD ou DVD pirata nos últimos 12 meses.

O levantamento foi realizado por meio de questionários com 3.300 pessoas maiores de 18 anos de oito estados do Brasil, entre outubro de 2012 e março de 2013. O Índice de Percepção do Cumprimento da Lei (IPCLBrasil), que mede como as pessoas se comportam em relação ao cumprimento da lei e como elas enxergam a possibilidade de punição e adequação moral no caso de descumprimento, foi de 7,3 numa escala de zero a 10 (sendo 10 um total comprometimento com o cumprimento da lei). A pesquisa continuará sendo realizada nos próximos meses, para que seja possível comparar as taxas ao longo do tempo.

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O que a carga de impostos tem a ver com a curva de Laffer?

Será que a carga de impostos no Brasil em que a receita para os Governos já foi atingida ou ultrapassada? Penso que sim. Estamos navegando nas águas fétidas do lamaçal tributário. Os governos anteriores não foram honestos em realizar uma reforma tributária simplificadora. A Constituição de 1988 concedeu maior fatia de arrecadação para o governo federal a fim de controlar as dívidas externas e internas. Porém, o poder financeiro se tornou uma arma para comprar votos nos estados e municípios.

Professor de economia na universidade da Califórnia, Arthur Laffer demonstrou na década de 70 do século passado que a partir de um determinado ponto da percentagem estabelecida para cobrar impostos, o Estado começa a perder dinheiro na colecta e a sociedade a definhar por falta de investimento.

Laffer e a sua curva, nos anos 70

No desenho de Laffer, no eixo horizontal está a taxa de imposto e no eixo vertical as receitas cobradas. Inicialmente, subir a taxa de imposto traduz-se em mais receita. A curva sobe, mas cada 1% de aumento de imposto leva a um aumento da receita inferior a 1%. Quando os impostos sobem, a atividade económica contrai-se por várias razões. O trabalhador liberal vai estar menos inclinado a trabalhar uma hora a mais se sabe que o rendimento adicional depois de impostos é menor.

A medida de redução de IPI, adotada frequentemente pelo Governo, com o objetivo de estimular o consumo de bens finais elaborados em cadeias produtivas de ampla disseminação pela economia, na verdade, é uma ação para ARRECADAR MAIS.

A redução do imposto não passa disso – uma mãozinha do governo para a flexibilização da margem de comercialização dos produtos beneficiados. Fabricantes e comerciantes, com base na ajuda do governo, podem oferecer “promoções”, jogando com a redução do tributo para, dependendo da demanda no mercado, manter, ampliar ou reduzir menos suas margens.

Quanto mais os impostos sobem, maiores são estes efeitos. A partir de determinada altura, a redução na atividade econômica com a subida dos impostos é tão grande que chegamos ao pico da curva de Laffer: a receita máxima que o Estado consegue cobrar. À direita deste ponto, aumentos de impostos contraem tanto a economia que a receita cai.

O aumento do imposto gera dois efeitos na arrecadação, um no sentido positivo, pois, na medida em que aumenta os impostos cresce a parcela do que é produzido coletado pelo governo e outro no sentido negativo, pois, o imposto desestimula a produção e o consumo, que diminui a quantidade produzida a incidir impostos. Como vivemos em um sistema capitalista de produção, a doação de 100% de tudo que um trabalhador ganha para o governo o levaria a parar de trabalhar, pois não há estímulos para o esforço diante dessa lógica.

A questão dos impostos vai um pouco além da teoria, pois, pode ser observados, na prática, países com a mesma carga tributária e serviços públicos totalmente diferentes. Portanto, o retorno dos impostos depende de outros fatores como corrupção, educação e planejamento. De toda a forma, o retorno dos impostos para a sociedade é discutível, pois, diversos estudos demonstram que ao se cobrar um tributo t sobre um consumidor e devolver o mesmo valor para o mesmo, ele não consumirá a mesma quantidade caso não houvesse o tributo. Cabe, então, ao governo fazer mais com menos, buscando a eficiência dos seus gastos para que os impostos não acabem em prejuízos maiores que a sua própria natureza gera.

Quase todos os economistas concordam com esta descrição de uma relação entre as taxas de impostos e a receita fiscal. A curva de Laffer, em si, é consensual. O que foi muito controverso foi afirmar que os EUA no final dos anos 70 estavam à direita do pico da curva de Laffer. Convencido, Ronald Reagan cortou os impostos em 1981, esperando com isso aumentar a receita fiscal e cortar o défice. Mas qualquer investigador imparcial que olhasse para os dados concluiria que os EUA estavam muito à esquerda do pico. Como previram, o corte de impostos baixou as receitas e levou a um déficit ainda maior.

Avançando 30 anos, vejam o que se passou na Grécia nos últimos anos. O governo grego subiu quase todos os impostos. A receita praticamente não mexeu. Não só a economia grega se contraiu, como o Estado grego se viu incapaz de cobrar impostos aos cidadãos, que fugiram ao fisco em massa.

Os números da execução orçamental em Portugal nos últimos 12 meses têm sido sempre desanimadores. Subiram as taxas de imposto sobre o consumo, os rendimentos foram taxados de várias formas e os funcionários públicos viram parte dos seus salários confiscados. No entanto, a receita fiscal só aumentou modestamente. Portugal provavelmente não está à direita do pico da curva de Laffer. Mas está muito perto deste pico. A economia portuguesa simplesmente não aguenta mais impostos.

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A reação excepcional do povo da Islândia.

Os cidadãos da Islândia referendaram em outubro de 2012, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.

Durante sua redação, qualquer um podia utilizar as redes sociais para enviar sugestões de leis e questionar o projeto. Foram 3600 comentários e 370 sugestões no site do projeto e de suas representações em redes sociais.  Todas as discussões entre os membros do Conselho Constitucional podiam ser acompanhadas do computador de qualquer cidadão. O resultado é uma Constituição que estatiza todos os recursos naturais, impede o Estado de ter documentos secretos sobre seus cidadãos e cria as bases de uma democracia direta, onde basta o pedido de 10% da população para que uma lei aprovada pelo Parlamento seja objeto de plebiscito.

Seu preâmbulo não poderia ser mais claro a respeito do espírito de todo o documento: “Nós, o povo da Islândia, queremos criar uma sociedade justa que ofereça as mesmas oportunidades a todos. Nossas diferentes origens são uma riqueza comum e, juntos, somos responsáveis pela herança de gerações”. Em uma época na qual a Europa afunda na xenofobia e esquece o igualitarismo como valor republicano fundamental, a Constituição islandesa soa estranha. Esse estranho país, contudo, já não está mais em crise econômica.

Cresceu 2,1% no ano passado e deve crescer 2,7% neste ano. Eles fizeram tudo o que Portugal, Espanha, Grécia, Itália e outros não fizeram. Ou seja, eles confiaram na força da soberania popular e resolveram guiar seu destino com as próprias mãos. Algo atualmente muito estranho.

A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 km², só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século XIX, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

O islandês descreve com orgulho que o seu Parlamento é o mais antigo do Mundo. Stephen Neill, autor de História das Missões, identifica que na Islândia o cristianismo foi aceito por processo democrático. Um Conselho de sábios ponderou longamente e declararam que a nova religião era boa. Porém, o infanticídio e o ato de comer carne de cavalo, relacionado com a tradição pagã, continuaram a ser permitidos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320 mil habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos. Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu PIB (Produto Interno Bruto). O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendo e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

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O messianismo de Chavez deixou a Venezuela em suspense vertiginoso.

A atitude messiânica de Chavez e seus correligionários corrói a Venezuela e infecciona os países vizinhos. O seu discípulo do Equador foi reeleito e o presidente da Bolívia pressiona o Congresso por um 3° mandato. O Brasil busca de todas as formas, inclusive apoio nas últimas eleições, em troca do sonho de assento na Comissão de Segurança da ONU. Um preço alto demais, a começar pelo preço da RNEST, refinaria em término de construção em Pernambuco. Até hoje, a parceira PDVSA não colocou um centavo na obra. Ela quer participar da Gestão! Com isso, poderia impedir a incorporação desta ao Refino da Petrobras, como a REFAP ficou durante muitos anos.

“Comandante, eu sou Chávez e levo joelhos ao chão”, disse o apresentador de TV Winston Vallenilla, diante de milhares de seguidores do presidente venezuelano, ministros e presidentes latino-americanos em Caracas. Ajoelhou-se.

A exibição de fervor de um dos rostos mais conhecidos da TV privada venezuelana –fez carreira na extinta RCTV, arqui-inimiga do chavismo cuja concessão não foi renovada em 2007– foi um ponto alto da cerimônia de 10/1, que marcou o início do quarto mandato de Hugo Chávez, só que sem ele.

“Com Chávez, joelhos ao chão!”, bradava, pouco antes, o funcionário público Andrés Velásquez, 45, que assistia ao ato diante do palácio presidencial de Miraflores, no centro de Caracas. “Rodilla en tierra”, no jargão militar brasileiro, se traduz por “posição de joelhos” ou “posição de atirador ajoelhado”, na qual o soldado firma um dos joelhos no chão e fica de prontidão para mirar e atirar. De joelhos, porém, também se venera e se reza.

Flexionada no plural pelo chavismo, a expressão marca a mistura tão venezuelana de fé e militarismo no martírio do presidente que trata um câncer há 19 meses. “O comandante dos mil milagres vai em sua batalha. Cada dia consolidando sua recuperação. Nós, na Caracas de Bolívar, esperamos”, disse o vice Nicolás Maduro, nomeado herdeiro político.

Batalha e milagre sempre andaram juntos no discurso de Chávez, o tenente-coronel reformado que prega a recuperação dos ideais do herói da independência Simón Bolívar (1783-1830), a união cívico-militar, o socialismo do século 21, o anti-imperialismo e uma espécie de cristianismo revolucionário.

 

Há 20 anos, derrotado na intentona golpista, Chávez foi obrigado a difundir pela TV uma mensagem de rendição a seus asseclas, no que seria a estreia de sua longa carreira em rede nacional. Após pedir um tempo para se recompor, o paraquedista surgiu de farda verde-oliva e boina vermelha, conforme conta a biografia “Hugo Chávez sem Uniforme” (Gryphus, 2006), de Alberto Barrera Tyszka e Cristina Marcano.

“Companheiros, lamentavelmente, por enquanto, os objetivos a que nos propomos não foram conseguidos na capital”, disse, rosto magro, olhos fixos na câmera. No embalo daquele “por enquanto”, Chávez chegou à Presidência, pelo voto, em 1998.

Veio a vitória que lhe deu um novo mandato, até 2019, com 55 % dos votos. Dois meses depois, foi feito o anúncio da recidiva. Numa noite de sábado, 8/12, Chávez disse pela primeira vez que o câncer poderia retirá-lo de vez do poder. Solene, indicou o ex-sindicalista Nicolás Maduro como seu delfim.

Segundo a BBC Brasil, esta situação favorável se sustenta por um clima de culto da imagem do presidente, criado pela direção do partido governista, o PSUV.

Por exemplo, diz que em numa reunião partidária para inscrever voluntários para a campanha presidencial em Petare, um dos bairros mais populosos de Caracas, a multidão de simpatizantes chavistas era embalada pelo som de tambores e o coro de um “mantra curativo”, alusivo a Chávez.

“Está salvo, está salvo, levanta a mão, levanta a mão”, cantavam. As canções foram interrompidas somente quando a voz de Chávez foi ouvida em uma gravação do hino nacional, cantado pelo mandatário em alguma das manifestações lideradas por ele antes da doença.

A “hiperliderança” de Chávez, criticada inclusive por setores chavistas, se tornou o principal aspecto de incerteza e crise no interior do governo. Com o líder enfermo, se torna ainda mais incerto o futuro do projeto político bolivariano.

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A queda do viaduto da Perimetral no Rio de Janeiro

Uma via elevada de 5,5 km de extensão virá ao chão, no Rio de Janeiro. A derrubada do elevado da Perimetral, construído em etapas entre os anos 1950 e 1970, com acessos para a Avenida Brasil, o Aeroporto Santos Dumont e a Ponte Rio-Niterói fazem parte de um projeto de reurbanização da zona portuária da capital carioca e tem entre os objetivos melhorar o tráfego na região, já saturado em 119%. “Trafegam hoje no elevado da Perimetral mais de 4.753 veículos em direção ao Centro, superando o ideal que é de dois mil veículos/ dia”, informa relatório da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP). As obras começaram em junho de 2011 e estão previstas para terminarem em 2016.

Os 144 mil motoristas que usam diariamente o Elevado da Perimetral e a Avenida Rodrigues Alves terão que se acostumar, a partir de abril de 2013, com rotas alternativas de acesso ao Centro e à Zona Sul pela Zona Portuária.

Perimetral foraA Perimetral é considerada hoje a principal barreira que impede a ligação da área portuária com o fronte marítimo. Com sua derrubada, um novo sistema viário integrará a área portuária com o Centro carioca e bairros próximos, aumentando a capacidade de fluxo de tráfego do local em 40%, segundo a CDURP. A avenida que hoje passa por baixo do elevado – a Rodrigues Alves – será reurbanizada e se tornará uma via expressa (sem interferência com as demais vias da região portuária) de 4 km de extensão, com três faixas e controle de acesso. Paralela a ela, e percorrendo longitudinalmente todo o trajeto atual do elevado, será construída uma nova avenida, de aproximadamente 3,5 km de extensão. Chamada provisoriamente de Binário do Porto, cruzará toda a região – da Praça Mauá à Avenida Francisco Bicalho -, sendo responsável pela distribuição interna do trânsito na região portuária.
perimetral SIMO elevado da Perimetral foi construído de 1973 a 1978 e possui 7,32 km de comprimento com vãos que variam de 31 a 60 metros. São vigas reforçadas com lonagrinas e transversinas que possuem peso total de 25.000 toneladas de aço com alta resistência à corrosão. De fato, as colunas de concreto parecem ser o ponto fraco da via elevada. As vigas estão perfeitas. Esta pode ser a real motivação para sua demolição: a possível falência das pilastras de concreto! Então a retirada desta grande quantidade de aço será um grande negócio. O custo estimado para a demolição do primeiro trecho da via é de mais de um bilhão de reais, conforme mostrou reportagem do RJ TV 1º edição.

Conselheiro da seção Rio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o arquiteto Luiz Fernando Janot é um dos urbanistas que não veem sentido nesse bota-abaixo contemporâneo: – Demolir parte da Perimetral e criar um túnel ao custo de bilhões, sem antes estudar outras possibilidades, é uma irresponsabilidade. Proponho a organização de um concurso público internacional para adequar o elevado às contingências da paisagem urbana e da dinâmica de transporte – critica Janot, referindo-se à intenção da prefeitura de fazer um mergulhão entre o Arsenal de Marinha e o Armazém 5, com 1.800 metros, para suportar o tráfego.

O arquiteto Jorge Jauregui, responsável pelos projetos urbanísticos dos complexos do Alemão e de Manguinhos, também é contra: – Um princípio básico da sustentabilidade é a reutilização do que existe. A Perimetral, no Centro, poderia ser um espaço público de lazer, com uma rua verde para pedestres e pequenos veículos elétricos, pegando como referência os bondinhos de Santa Teresa, capazes de interconectar o Aeroporto Santos Dumont e a rodoviária. Serviria como espaço de contemplação e via para se chegar ao trabalho.

Segundo ele, o viaduto poderia ter um sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) fixado a um dos lados de seus pilares. – Debaixo dele, poderia surgir um passeio coberto, com trabalhos artísticos como a obra do profeta Gentileza – acrescenta Jorge.

O arquiteto da moda, o valenciano Santiago Calatrava, disse logo que aquilo é horrível e que tem que ser derrubado.  É claro, o cara não mora aqui, não paga impostos aqui e não sabe o que é uma cidade com carência de mais de 200 leitos de UTI, onde as pessoas não conseguem ser atendidas em hospitais ou postos de saúde e onde não tem escola pra todo mundo.  E as escolas que temos são as que colocam o Rio de Janeiro entre os últimos do ranking brasileiro.

Na mesma matéria o secretário municipal de urbanismos, o arquiteto Sérgio Dias, diz que a demolição terá custo praticamente zero.  Será que ele realmente acredita nisto?

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Cidades brasileiras, cheias de dívidas, cancelam carnaval 2013

Diversas cidades de todo o Brasil decidiram cancelar os desfiles de escolas de samba no carnaval. Cada município justificou de maneira diferente a suspensão dos eventos, mas as razões mais citadas foram a falta de verbas ou o direcionamento dos recursos para outras áreas. No Rio de Janeiro, a prefeitura de Petrópolis cancelou o carnaval. Surpreende é Nova Friburgo manter a festa, enfrentando tantos problemas sociais.

Há 26 dias para a comemoração das maiores festas populares do País, o Carnaval, a  Prefeitura de Boa Vista (RR) anunciou em nota enviada à imprensa que este ano não realizará a festa na cidade. Segundo o município, a decisão foi tomada em razão da “gravíssima situação financeira” que o Executivo se encontra. Conforme o anúncio, as dívidas da Prefeitura chegam a R$ 150 milhões. O Governo do Estado ainda não se pronunciou se este ano vai ou não ajudar financeiramente as agremiações.Em 2012, a Prefeitura não realizou o evento e o Governo do Estado de Roraima liberou um montante de R$ 654.300 para as seis escolas de samba da Liga Roraimense promoverem o evento.

Cidades do Brasil, sem carnaval

A Prefeitura de Patos (PB) resolveu cancelar os tradicionais festejos de Carnaval na cidade este ano. Fiz questão de procurar de maneira antecipada a Liga dos Blocos, mostrando as nossas dificuldades, como a seca que temos atravessado e a ausência de cobertura legal por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE), uma vez que o município estando em estado de emergência, não há como destinar investimentos municipais em eventos, por mais simples que sejam realizados. Tenho certeza que a sociedade patoense irá compreender, da mesma maneira que obtivemos a compreensão por parte da Liga”, afirmou a prefeita.

Os prefeitos de Almino Afonso, Felipe Guerra, Guamaré, Lages e Santana do Matos cancelaram o Carnaval devido à seca no RN. Apesar de receber um grande volume de recursos dos royalties, o prefeito de Guamaré disse que está levando em consideração vários fatores, a deficiência do abastecimento de água na cidade e as recomendações feitas pelo Ministério Publico Estadual (MPE), e Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Na Bahia diversas cidades já decidiram cancelar a festa. Jussiape, Brumado, Barreiras e Ilhéus estão entre elas. Informações ainda não oficiais também noticiam que a cidade de Paramirim também não deverá realizar a festa. Os motivos mais comuns são a falta de dinheiro em caixa (em sua maioria ocasionada pela troca na gestão dos municípios) e a seca que vem castigando o país.
Diversas cidades paulistas também enfrentam restrições de orçamento. A prefeitura de São José do Rio Preto (SP) anunciou nesta quinta-feira (17) o cancelamento do desfile de rua do Carnaval 2013. De acordo com a Secretaria de Cultura, foram encontrados problemas jurídicos que inviabilizam o repasse de verbas. Marília também anunciou que a cidade não vai gastar dinheiro nos desfiles de carnaval neste ano. Segundo a prefeitura, a decisão foi tomada em razão da crise financeira que afeta o caixa municipal e que resultou até no atraso do pagamento dos servidores. 

O desfile das escolas de samba e blocos carnavalescos de São José dos Campos também não vai ocorrer. A prefeitura decidiu cancelar o desfile, porque não pode repassar a verba para a liga das escolas de samba, já que a prestação de contas do carnaval do ano passado não foi aprovada.

O desfile das escolas de samba e blocos carnavalescos de Lorena não vai ocorrer em 2013 devido aos problemas financeiros que a administração municipal enfrenta. A prefeitura decidiu cancelar a folia na cidade em consenso com as escolas de samba durante uma reunião no início desta semana. A Prefeitura de Itapetininga informou que não realizará o carnaval de rua em 2013. De acordo com o prefeito, Luis Di Fiori, o motivo é a contenção de gastos para aplicação de dinheiro na Saúde. 

Os presidentes das escolas de samba de Porto Feliz (SP) foram comunicados que não haverá verba para a realização do carnaval. De acordo com a prefeitura, os representantes das escolas compreenderam os motivos apresentados e apoiaram a iniciativa.

Representantes das três escolas de samba e da prefeitura de Assis decidiram cancelar o carnaval durante uma reunião nesta quarta-feira. O motivo seria a falta de dinheiro da prefeitura e de tempo para organizar os desfiles.  As festas serão mais curtas em Araraquara e Taubaté. Em Campinas, vai durar só dois dias e não terá trios elétricos.

Em Minas Gerais, o carnaval de rua de Santa Rita do Sapucaí foi cancelado por uma dívida da prefeitura. Segundo o prefeito, Jéferson Gonçalves Mendes, o custo do evento seria de R$ 600 mil, mas ele teria herdado uma dívida de R$ 3 milhões da administração anterior.

Segundo nota assinada pela Prefeitura de Santana do Livramento (RS) e pelas 10 escolas do município, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) orçou o valor do carnaval em R$ 160 mil a serem repassados às escolas e R$ 70 mil para estrutura, mas a administração municipal determinou que R$ 40 mil seriam repassados às escolas. Sem tempo hábil para a captação de novos patrocínios, as entidades decidiram cancelar o evento neste ano. Uma situação parecida ocorreu em Alegrete. A prefeitura e a Associação Cultural, Recreativa e Carnavalesca de Alegrete (Assercal), que representa as escolas, optaram por cancelar a festa para ter uma estrutura melhor em 2014.

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Aumentam as dívidas de cidades e estados de modo irresponsável e sem sustentabilidade.

As operações de crédito realizadas por governos estaduais e prefeituras em 2009 e em 2010, com autorização do Ministério da Fazenda e do Senado Federal, bateram recorde e atingiram R$ 18,77 bilhões, com um crescimento de 215% em relação aos dois anos anteriores, quando ficaram em R$ 5,96 bilhões, de acordo com dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

A maior operação de crédito feita de 2009 a 2010 foi para o Estado de Goiás, que obteve R$ 3,898 bilhões. Desse total, no entanto, R$ 3,728 bilhões foram concedidos pela Caixa Econômica Federal para o pagamento de dívidas da Companhia Energética de Goiás (Celg). Ou seja, não foram utilizados em investimentos. Outros R$ 170,59 milhões foram concedidos a Goiás pelo BNDES, no âmbito do PEF.
Em julho de 2010, a prefeitura do Rio de Janeiro foi autorizada a fazer uma operação de crédito com o Banco Mundial, no valor de R$ 1,045 bilhão, destinada à reestruturação e recomposição do principal de suas dívidas renegociadas com a União. Com essa operação, o Rio reduziu o seu custo de endividamento e ampliou o espaço para novos empréstimos.

Nos últimos dois anos, o Estado de São Paulo foi beneficiado com operações de crédito no montante de R$ 2,65 bilhões. Os recursos obtidos foram utilizados pelo governo paulista em investimentos de infraestrutura e na aquisição de máquinas, equipamentos e veículos, entre outras destinações. Em 2009 e 2010, o Estado do Rio de Janeiro foi autorizado a contratar operações de crédito no montante de R$ 1,9 bilhão, enquanto o governo da Bahia ficou com R$ 1,3 bilhão.

dívida cidade São PauloA propósito, Sttephen Kanitz deu uma entrevista sobre o crescimento exponencial da dívida pública da cidade de SP, que deve chegar a R$ 250 bi, nas próximas 2 gestões. Segundo ele, essa deveria ser a principal pauta da disputa eleitoral de 2012, pois, se nada for feito, o aumento de impostos e o corte de gastos públicos para resolver tal problema tornaria a vida na cidade inviável.

Em 2007 e 2008, os Estados e municípios foram autorizados a fazer operações de crédito no montante total de R$ 5,96 bilhões, de acordo com dados da Secretaria do Tesouro Nacional. A rigor, o governo federal começa a facilitar a obtenção de empréstimos por parte de governadores e prefeitos a partir de 2008, quando as operações atingiram R$ 5,5 bilhões. Em 2007, elas ficaram em apenas R$ 488,3 milhões.
Este ano, as operações de crédito deverão continuar em ritmo intenso, principalmente para as 12 cidades-sede da Copa de 2014 e respectivos Estados. O CMN autorizou o BNDES a abrir linha de financiamento de R$ 4,8 bilhões para a construção dos estádios, e de R$ 8 bilhões para projetos de mobilidade social. Muito pouco desses recursos foi liberado até agora.

Apenas em projetos de infraestrutura civil, que incluiu principalmente construção de estádios, melhoria dos aeroportos e adequação urbana, o Brasil receberá R$ 33 bilhões, valor que corresponde ao dobro dos investimentos feitos na África para a Copa de 2010. O levantamento também revelou que 78% dos investimentos deste setor serão provenientes dos cofres públicos.  Mas qual é o problema do modelo? Ele não utiliza capital privado para evita o endividamento da União, estados e municípios.

cidades

investimentos privados

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No Brasil, cerveja vale mais que Petróleo!

Em dezembro de 2012, o Mercado Financeiro testemunhou a ultrapassagem do valor de mercado da Ambev, braço nacional da Holding Inbev, sobre a Petrobras. A Inbev produz cerca de meio milhão de barris (117 litros) de cerveja por dia. A Petrobras produz 2 milhões de barris (159 litros) diários. No Brasil, cerveja vale mais que petróleo?

Petrobras x AmbevÉ bom que se diga, que em 2006, os produtores de cerveja utilizaram 24 milhões de toneladas de cereais para produzir 160 bilhões de litros. Para se ter uma comparação da área plantada ocupada, a produção de milho foi de 56 milhões de toneladas. Naquela época, muitos especialistas já estavam preocupados com a diminuição da área plantada para produção de alimentos em ralação ao aumento da área destinada ao plantio de soja e cana para produção de etanol.

Em 2009, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que não recorreria à Justiça para derrubar a liminar concedida à cervejaria AmBev para suspender multa aplicada em julho. Segundo explicações do Conselho, para garantir essa decisão liminar, a companhia teria que depositar em juízo o valor da multa, de R$ 352 milhões. A decisão do conselho antitruste de multar a cervejaria foi tomada em julho de 2009 após ter sido considerado anticoncorrencial o programa “Tô Contigo”, utilizado pela AmBev para relacionamento com bares e restaurantes. Para o Cade, o programa, que previa a distribuição de brindes como refrigeradores, mesas, cadeiras e descontos em compras futuras para os pontos-de-venda, levou a AmBev a conseguir exclusividade com bares e restaurantes, prejudicando a concorrência no setor.

Untitled-1A participação da Ambev no mercado publicitário e patrocínio a grandes eventos lhe garante um certo apoio da grande Mídia.

Em 2011, o valor de mercado da Ambev aumentou 30%. A empresa possui quase 70% do mercado. Em 1994, as empresas brasileiras Brahma (8a) e Antarctica (15a) respondiam por 2,4% e 1,6% do mercado mundial, respectivamente. A InBev surgiu em março de 2004, pela fusão entre a brasileira AmBev e a cervejaria belga Interbrew. Depois do negócio, a AmBev passou a ser o braço da InBev nas Américas ao incorporar a cervejaria canadense Labbatt.

O setor está em declínio também nos Estados Unidos e Europa  porém com grande expansão das micro-cervejarias  A moda consiste nos brewpubs, restaurantes que elaboram e servem suas próprias cervejas. Por isso, os investimentos na América Latina e Ásia.

Regionalmente, o consumo per capita apresenta uma estrutura bastante diferenciada, oscila de 96 litros/habitante no Grande Rio para 24 litros/habitante no Nordeste. Um média de 50 litros por ano. Parece que a média tem permanecido a mesma nos últimos anos. O consumo de cerveja por pessoa aumentou mas o número de consumidores tem diminuído. Uma das razões pode ser as restrições de uso de bebidas alcóolicas na condução de veículos.

market share Ambev

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Os derivados importados pela Petrobras estão vindo do Oriente Médio

Além do óleo cru, o País ampliou fortemente a compra de derivados dos países do Oriente Médio. O motivo é o aumento do consumo, que não foi acompanhado do crescimento da produção nacional. Embora a estatal Petrobras não detenha o monopólio legal da importação de petróleo e derivados, na prática ela é quase a única importadora e é dona de todas as refinarias nacionais. Além disso, a empresa tende a seguir as ordens de seu acionista majoritário, o governo, e tem vendido no mercado interno produtos abaixo do preço pago na importação, o que explica em parte o prejuízo bilionário que a companhia teve no segundo trimestre deste ano.

A importação brasileira de gasolina entre 2015 e 2020 pode custar R$ 58 bilhões, caso não haja aumento na oferta do combustível, disse nesta quarta-feira o secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins. Segundo ele, nenhuma refinaria de gasolina está sendo construída ou planejada para os próximos anos e as únicas opções até o final da década seriam aumentar a importação do combustível ou incentivar a produção de etanol.

“Ou a gente importa ou podemos construir 67 usinas de etanol a um custo aproximado de R$ 67 bilhões. Seriam usinas de médio porte, de 3,5 milhões de toneladas (de cana processada anualmente) cada uma para atender à demanda. Precisamos tomar a decisão de qual caminho seguir”, disse ele, durante evento no Rio de Janeiro. Martins disse ainda que o consumo mensal de gasolina no país em 2020 deve ser de 1 bilhão de litros.

 

 

“A importação cobriu praticamente todo o aumento da demanda”, afirmou o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e ex-assessor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A capacidade [brasileira] de refino está no limite”, acrescentou.

Na mesma linha, o diretor geral do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Ildo Sauer, disse que por um lado o governo incentivou a produção e a venda de veículos, por meio da redução de impostos, a partir da crise internacional de 2008, mas não implementou uma política para que o setor de combustíveis acompanhasse tal avanço.

Exemplo disso é a indústria do etanol, que pouco cresceu e agora o Brasil tem que importar o produto, utilizado em larga escala como combustível há mais de 30 anos. Sauer lembra que para ser competitivo, o álcool tem que custar para o consumidor abaixo de 70% do preço da gasolina, pois o carro abastecido com o biocombustível gasta mais, apesar de ter uma performance melhor. Vale lembrar que a maior parte dos automóveis produzidos no País é “flex fuel”, ou seja, podem ser abastecidos tanto com etanol como com gasolina, ou qualquer mistura dos dois.

“O desequilíbrio [do mercado] pode ser mostrado na conversão da frota para ‘flex fuel’ [ocorrida nos últimos anos]”, declarou Sauer, que foi diretor da Petrobras. Ele destacou que quando o preço do etanol estava mais competitivo, boa parte dos motoristas abastecia seus carros com o produto e o País até exportava o excedente de gasolina que produzia, quadro agora invertido.

“É um incentivo desordenado, são mais carros engarrafando as cidades, sem coordenação com outras áreas. O governo não fez nada [no ramo de combustíveis] e descarregou na Petrobras a responsabilidade de resolver o problema. É um sistema caótico”, criticou Sauer.

Pires acrescenta que a produção agrícola brasileira aumentou fortemente nos últimos anos e que muito diesel é utilizado nas máquinas para plantar, colher e transportar a safra. Essa demanda foi coberta também com importados.

Para o diretor do CBIE, as importações de derivados vão continuar em alta nos próximos anos, porque a produção nacional não vai aumentar rapidamente. A próxima refinaria brasileira, a Abreu e Lima, em Pernambuco, só deverá entrar em operação em 2014. “Nos próximos quatro a cinco anos nós vamos importar muito”, declarou ele.

Árabes

Entre os principais itens importados pelo Brasil do mundo árabe, além do petróleo bruto, estão nafta, querosene de aviação, gás natural liquefeito (GNL) e diesel. As compras de todos estes produtos tiveram forte elevação no período de janeiro a julho, tanto em valor quanto em volume, com exceção da nafta, utilizada como matéria-prima na indústria petroquímica.

Sauer observa que o governo e a Petrobras têm boas relações com os países do Oriente Médio e Norte da África há muito tempo. “No segundo choque do petróleo [em 1979], países como Argélia, Iraque, Irã, Líbia e Arábia Saudita não deixaram o Brasil desabastecido”, declarou. Destas, a única nação não árabe é o Irã. “Há uma posição de fraternidade, uma simpatia mútua”, concluiu.

Outro atraso foi a decisão de construir Fábricas de fertilizantes nitrogenados. O consórcio feito entre as empresas Repsol Sinopec, Galvão e GDK é o responsável pela construção da fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O início das obras aconteceu no final de 2011, e a previsão para a entrada em operação do projeto é o terceiro trimestre de 2014.

A Planta de Produção de Amônia terá capacidade para produzir 761,2 mil toneladas por ano. Já a Planta de Produção da Ureia deverá produzir 1,210 milhão de toneladas anualmente. A Fafen-III será a maior unidade de fertilizantes da América Latina e vai duplicar a produção de ureia no País. Atualmente o Brasil importa 65% da ureia consumida no mercado interno.

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