Arquivo do mês: julho 2012

Missões e Negócios por terras na África!

A maior estatal chinesa do setor, a China National Agricultural Development Group Corporation, opera em 40 países e 10 mil de seus 80 mil funcionários trabalham no exterior. A empresa detém 6 mil hectares na Tanzânia e criou negócios no setor de alimentos também na Guiné, no Benin e em Zâmbia e já entrou na Argentina e no Peru. Outras companhias chinesas também têm comprado terras em vários países, com o mesmo objetivo: garantir à China produtos indispensáveis ao seu crescimento econômico e à urbanização de centenas de milhões de pessoas.

Desde a última década o governo chinês vem aumentando os investimentos em recursos naturais de outros países. Até agora, seu avanço mais impressionante ocorreu na África, onde os investimentos em mineração e depois na compra de terras foram acompanhados de projetos de cooperação com os países hospedeiros, quase sempre pobres e com baixo grau de desenvolvimento.

A corrida pelo controle de áreas cultiváveis está em pleno desenvolvimento. O forte aumento dos preços dos alimentos ocorrido em 2007-2008 está por trás do fenômeno. Muitos Governos de países dependentes das importações de alimentos se convenceram da necessidade de reduzir sua vulnerabilidade comprando ou arrendando terras em outros países. Em 2011, depois de alguns anos de relativa calmaria, os preços estiveram constantemente acima do pico de 2008, segundo o índice elaborado pela Organização para os Alimentos e a Agricultura da ONU (FAO). A febre dos cultivos segue queimando e, segundo vaticinam os expertos, não há previsão de que vá abrandar a curto e médio prazo.

A África é o principal cenário da corrida. A falta de transparência de muitos acordos e a ausência de registros públicos confiáveis em vários países impede perfilar estatísticas exaustivas em escala global sobre o fenômeno. Mas os dados disponíveis indicam que este é de amplíssimas proporções, com contratos que cobrem extensões de milhares de quilômetros quadrados. Tão somente na Etiópia, Moçambique, Sudão e Libéria, cerca de 43.000 quilômetros quadrados foram vendidos ou arrendados a investidores estrangeiros entre 2004 e 2009, segundo dados oficiais reunidos pelo Banco Mundial. Trata-se de uma superfície equivalente ao território da Suíça. Caso se tiver em conta que são muitos os países que – na África, mas também em outros continentes – vivem experiências similares, a magnitude da questão é evidente.

O aumento da população mundial, a dieta mais rica de milhões de pessoas em países emergentes e a crescente quantidade de cultivos destinados a biocombustíveis explicam a subida do preço dos alimentos e, em grande parte, a consequente procura por terras. Para além de sua dimensão econômico-social, este estímulo tem implicações geopolíticas.

Uma delas é o controle da água. “Estes grandes investimentos se situam em zonas com um acesso estratégico à água”, comenta em conversa por telefone Michael Taylor, analista da International Land Coalition, uma ONG que acompanha de perto o fenômeno. “Por exemplo, vários países das bacias do Nilo e do Níger são grandes receptadores deste fluxo de investimentos. Muitos dos contratos assinados nestes países não regulam claramente a questão do uso da água. A utilização do caudal do Nilo já é motivo de tensão entre o Egito e outros países da bacia. Quando todos estes projetos estiverem em pleno funcionamento, são de se esperar crescentes extrações de água. Há um alto potencial para que se produzam conflitos”. Cerca de 200 milhões de pessoas viviam na bacia do Nilo em 2005, e a ONU estima que serão 330 milhões em 2030.

O Mali, um dos países atravessados pelo rio Níger, vendeu ou arrendou cerca de 2.400 quilômetros quadrados de terra a estrangeiros somente em 2010, segundo dados reunidos pelo Oakland Institute. Mais de 100 milhões de pessoas vivem na bacia do Níger.

Países que sofrem escassez de água – como a Arábia Saudita, Catar ou os Emirados Árabes Unidos – estão entre os maiores protagonistas da corrida pela terra. “Mas também há outros tipos de investidores: países como a China ou a Índia, que têm água para cultivar, mas temem que no futuro seu setor agrícola seja incapaz de abastecer suas grandes populações; e empresas de países ocidentais, que querem terras para cultivar biocombustíveis, ou simplesmente vender mais no mercado internacional”, observa Taylor. Não faltam tampouco investidores que simplesmente buscam refúgio das turbulências do mercado financeiro.

A briga pela água não é a única evidente consequência geoestratégica neste fenômeno. Também tem um potencial desestabilizador na política de Estados nos quais a terra é uma questão vital, o meio de subsistência direta de grandes porcentagens da população.

Madagascar é um caso premonitório do que pode acontecer. Em 2009, o rechaço a um projeto para conceder à empresa sul-coreana Daewoo a exploração de uma área de 13.000 quilômetros quadrados – aproximadamente a metade da Bélgica – foi o catalisador de um profundo mal-estar que explodiu com violentos distúrbios que deixaram dezenas de mortos. O Governo que assumiu o poder após as desordens descartou imediatamente o projeto. A frustração de camponeses ou pastores expropriados ou despojados do direito de acesso às terras já criou tensões em outros países.

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O fim do saldo das commodities está próximo.

Os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, devem se preparar para um período de vacas magras no mercado de commodities. O alerta do Fundo Monetário Internacional (FMI) reacendeu, nesta semana, o debate sobre os impactos da desaceleração econômica mundial neste mercado. Em um capítulo especial sobre commodities no relatório Panorama da Economia Mundial, o FMI indica que a “era de ouro” das matérias-primas chegou ao fim.

“Nos próximos anos, os preços das commodities não devem crescer no forte ritmo da década passada”, diz. Para 2012 e 2013, o fundo prevê queda de 10,3% e 2,1%, respectivamente -o cálculo é para um grupo de commodities, excluindo combustíveis. Em linhas gerais, três fatores justificam essa avaliação.

  1. O primeiro é a incerteza que ronda o crescimento mundial no curto prazo. Como a produção industrial afeta a demanda por commodities, o nível de atividade tem impacto direto nos preços. O risco, porém, é diferente para cada tipo de commodity. Os preços dos metais e de energia, destaca a instituição, são mais sensíveis à desaceleração econômica.
  2. O segundo fator é a desaceleração econômica acima do esperado nos países emergentes, especialmente a China, onde o alto nível dos estoques também preocupa. Por fim, o crescimento da oferta de algumas matérias-primas, incentivada pela alta dos preços nos últimos anos, compõe a terceira influência de baixa para os preços.
  3. O economista Fábio Silveira, da RC Consultores, traz mais um elemento para o debate: o movimento especulativo dos fundos de investimento, que, segundo ele, elevaram os preços no primeiro trimestre deste ano. “Há um risco grande de queda significativa nos preços das commodities se os desdobramentos da crise na zona do euro gerarem maior aversão ao risco, o que levaria os especuladores a sair do lado comprador”, afirma.

LONGE DO FIM

Mas ainda há quem defenda que China continuará sustentando o mercado de commodities, mesmo em um ambiente de maior volatilidade. Para os analistas do banco Barclays, o processo de urbanização chinês está longe do fim e permanecerá como principal influência para os minérios na próxima década. Hoje, cerca de 50% dos chineses vivem nas cidades. No Brasil, esse índice é de 87%. O consumo de matérias-primas na China está longe de saturar, diz o Barclays. “O consumo acumulado de aço na China após 1945 representa de um terço a um quinto do de países desenvolvidos.”

Até 2015, o Barclays estima, para a China, crescimento médio entre 3,5% e 4% para a produção de aço, que tem o minério de ferro como principal matéria-prima. A influência da urbanização chinesa também é positiva para os produtos agrícolas, pois as mudanças sociais devem modificar os hábitos alimentares no país.

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Menos dinheiro, mais reuniões

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Quanto o brasileiro gasta com energia elétrica? Nesta semana, falaremos do aumento da conta de água e esgoto.

Em 17 de dezembro de 2010, postei um artigo sobre a evolução crescente da tarifa de energia elétrica. Parece que enquanto o custo da energia elétrica diminui, a conta de água e saneamento aumenta exponencialmente. Você já percebeu? As Estatais de Saneamento são “cabides de emprego” bem conhecidos dos governos municipais ou estaduais.

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Países ricos em petróleo estão atraindo ditaduras democráticas como a Rússia e Venezuela. Receio que o Brasil corre perigo.

O mistério em torno do câncer que pode minar as pretensões eleitorais do presidente Hugo Chávez fortaleceu uma “aura messiânica” em torno do líder venezuelano, que encabeça todas as pesquisas de opinião para as eleições de outubro. A reportagem é de Claudia Jardim e publicada pela BBC Brasil, 09-06-2012.

A imagem construída por Chávez em mais de uma década no poder – de um presidente incansável que podia discursar por mais de nove horas, cantar e dançar em atos públicos e ser invencível nas urnas – foi seriamente abalada há um ano. Em 10 de junho de 2011, os venezuelanos foram surpreendidos com uma cirurgia de emergência para a extração de um “abcesso pélvico” no presidente. Foi o próprio Chávez que confirmou o diagnóstico de câncer em discurso, em Cuba. Um tumor “do tamanho de uma bola de beisebol” fora extraído da zona pélvica em uma segunda operação, dia 20 de junho, de acordo com o próprio paciente. O venezuelano disse que fez a cirurgia em Cuba após ser inquirido e convencido pelo líder cubano Fidel Castro. “(Fidel) me interrogou quase como um médico e me confessei quase como um paciente”, afirmou Chávez.

O diagnóstico de câncer marcou um longo caminho de ausência do presidente na Venezuela e abriu espaço para a consolidação de sua imagem messiânica. “A imagem de Chávez foi sacralizada”, afirmou à BBC Brasil o escritor Alberto Barrera, autor da biografia Chávez sem uniforme. “Este país se ergueu nos últimos 13 anos ao redor da figura de Chávez, tanto o chavismo como a oposição. Agora, de repente esse homem pode desaparecer. É ele quem dirige o mistério sobre sua saúde, como o capítulo final de uma novela”, afirmou.

Esse suspense em torno do câncer é visto como um dos elementos que tem contribuído para o fortalecimento da figura “mística” do líder venezuelano. “Chávez se consolidou como um um líder religioso, mais do que um presidente ou um líder revolucionário”, afirmou à BBC Brasil o analista político Oscar Schemel, diretor da consultoria privada Hinterlaces.

Atos políticos do partido governista PSUV passaram a ser um espaço de culto da imagem do presidente. Em um ato do partido para nomear voluntários para a campanha presidencial em Petare, um dos bairros mais populosos de Caracas, a multidão de simpatizantes chavistas era embalada pelo som de tambores e o coro de um “mantra curativo”, alusivo a Chávez. “Está salvo, está salvo, levanta a mão, levanta a mão”, cantavam. As canções foram interrompidas somente quando a voz de Chávez foi ouvida em   uma gravação do hino nacional, cantado pelo mandatário em alguma das manifestações lideradas por ele antes da doença. Analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que o câncer presidencial afetou tanto o chavismo quanto a oposição.

“Houve um desajuste emocional entre os simpatizantes do presidente, em especial nos setores populares”, afirmou Schemel. De acordo com a consultoria Hinterlaces, houve uma “radicalização do chavismo” neste período, acompanhada de um incremento de sete pontos em popularidade, entre os meses de junho e julho do ano passado. Schemel explica que a avaliação “racional” sobre a gestão do governo foi substituída por um uma percepção “emocional” e de solidariedade com Chávez. “Isso explica, entre outras coisas, porque, apesar do descontentamento de parte da população, o presidente tem índices tão altos de aprovação”, afirmou.

De acordo com pesquisas realizadas nas últimas semanas, a popularidade de Chávez alcança 55% e o índice de intenção de voto flutua entre 17 e 20 pontos a favor da reeleição do presidente contra a candidatura do opositor Henrique Capriles Radonski.

A “hiperliderança” de Chávez, criticada inclusive por setores chavistas, se tornou o principal aspecto de incerteza e crise no interior do governo. Com o líder enfermo, se torna ainda mais incerto o futuro do projeto político bolivariano. Além de ser garantia de unidade das diferentes correntes que formam o chavismo, Chávez também é sua garantia de “êxito”. Sem ele, uma disputa eleitoral contra a oposição tenderia a ser mais difícil. A oposição também enfrenta dificuldades devido ao câncer presidencial. Os problemas da gestão chavista levantados por Henrique Capriles durante sua campanha se diluem no mistério do câncer presidencial. “Fizeram todo esse esforço (eleições primárias) para enfrentá-lo e agora é a doença o centro do debate”, afirmou o escritor Alberto Barrera.

As relações do governo de Chávez com a Igreja Católica foram difíceis desde sua chegada ao poder em 1999, mas atingiram o ponto máximo de tensão em 2010, quando houve uma ruptura. “A Igreja pode realizar muito junto ao governo na luta contra a pobreza, a miséria, a criminalidade e muitos dos males que ainda temos”, reiterou Chávez, que buscará sua terceira reeleição consecutiva nas eleições de 7 de outubro.

O presidente fez o pronunciamento na reunião que seu vice-presidente, Elías Jaua, realizou ontem com autoridades da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV). Em julho de 2010 Chávez chamou os sacerdotes de “homens das cavernas” depois que a CEV apoiou o cardeal Jorge Urosa, que acusou o presidente de violar a Constituição e planejar instaurar uma “ditadura comunista”.

Chávez anunciou então que iria dedicar sua vida a criticar Urosa e decretou que fosse revisto um convênio de 1964 pelo qual o Estado venezuelano concede privilégios à Igreja Católica e compromete recursos estatais para financiar obras sociais e projetos educativos católicos. O assunto não foi adiante e, em 27 de abril, o governo doou quase US$ 294 milhões a uma rede de colégios católicos.

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O Brasil é o quarto país do mundo que mais enviou dinheiro para paraísos fiscais!

Brasileiros tornaram o país o quarto maior cliente de contas em paraísos fiscais, segundo relatório da Tax Justice Network . Cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) foram depositados de 1970 até 2010  nessas contas, onde se pode guardar dinheiro em razoável sigilo, sem ter de responder a muitas perguntas, nem pagar imposto. O valor equivale a pouco mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) oficial brasileiro. De acordo com o estudo, o tamanho da fuga de capitais do país é maior do que a dívida externa acumulada no período, de US$ 324,5 bilhões.

O documento foi escrito pelo economista James Henry para a Tax Justice Network, organização independente, focada nesse tipo de levantamento, que surgiu em 2003 no Parlamento britânico. Henry cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e de governos para chegar aos valores, segundo informações da BBC. No ranking de países elaborado pela organização, o Brasil perde apenas para a China (US$ 1,2 trilhão), a Rússia (US$ 779 bilhões) e a Coreia do Sul (US$ 779 bilhões). Na América Latina, além do Brasil, o México, a Argentina e a Venezuela estão entre os 20 que mais enviaram dinheiro a paraísos fiscais. Ao todo, ao menos US$ 21 trilhões não contabilizados estão depositados nessas contas, diz o documento.

No dia 05 de junho, o Senado Federal brasileiro aprovou lei que visa tratar de forma mais rigorosa o crime de lavagem de dinheiro. Com a nova regulamentação, que modernizou a Lei 9.613/1998, qualquer recurso vindo de atividade ilícita poderá ser enquadrado como esse tipo de crime. Além disso, os chamados “laranjas”, parentes ou demais pessoas envolvidas com o acusado, também poderão ter seus bens confiscados no caso de comprovação do crime.

“A maior parte da renda de investimento perdida pelos países foi recebida por elites privadas de nações em desenvolvimento, que tinham contas em bancos no exterior, mas nunca declaravam em seus países a renda recebida”, disse Henry no relatório.

As empresas petrolíferas criaram, nos anos 60, um esquema para fugir aos impostos que também servia para pagar o mínimo aos países de onde extraíam o crude. Para evitar as consequências de acidentes no transporte marítimo tinham idealizado o truque do país com bandeira de conveniência (Libéria, Panamá…). Uma empresa fantasma com sede nestes países fretava o petroleiro e a empresa petrolífera (Standard Oil ou qualquer outra) vendia o crude à empresa de transportes. Se acontecia um desastre, como o do Exon Baldez, os responsáveis eram companhias fantasmas sem património que nada tinham a perder. Com isso as petrolíferas evitavam enormes despesas com seguros. O sistema era permitido pelas agências internacionais e pelos Estados, pois desta forma o petróleo ficava mais barato.

No início dos anos 90 os grandes bancos americanos criaram fundos de investimento, especializados na dívida pública a curto prazo, de “países emergentes”, em dólares (estes fundos eram diferentes dos que actualmente se conhecem como tal). Os governos argentino, brasileiro e mexicano (promotores de reformas e normas que facilitavam e promoviam as fugas de capitais, fugas essas que deixavam exausta a fazenda pública) endividaram-se alegremente a curto prazo a níveis inverosímeis. Era o boom dos anos 90, o da euforia financeira que não via risco em nenhuma operação. Os Fundos de investimento proliferaram como cogumelos e com eles os paraísos fiscais ligados a estas operações. Os paraísos fiscais reciclavam os dólares da máfia, o narcotráfico, a cleptocracia russa, de Pinochet e congéneres, dos impostos evadidos… para emprestá-los aos países emergentes.

O boom que registraram os países-paraíso, como o Luxemburgo, Liechtenstein, Andorra, Panamá, etc., levou a uma verdadeira proliferação deste tipo de mercados. O mais avançado neste campo são os paraísos fiscais localizados em países virtuais como The Dominion de Melchizedek ou o Reino de Enenkio, que alegam estar situados em atóis da Micronésia, mas que graças às suas operações online “trabalham” com a mesma eficácia ou mais que a dos seus congéneres materiais, num mundo onde a virtualidade é um valor em alta.

“Um banco, por exemplo, junta numa conta 10 milhões de euros de vários clientes na Alemanha e manda para o Liechtenstein como se fossem próprios, sem nomes. Meses depois, envia uma nota esclarecendo de quem é cada parte. O banco do Liechtenstein cria então uma fundação numerada para cada cliente. Como só o banco e o cliente sabem de quem é a fundação, o sistema é fácil, limpo e opaco ao fisco”. O principado do Liechteistein tem mais do dobro de empresas que cidadãos. 35.000 habitantes e 80.000 empresas, muitas das quais reportam como domicílio uma caixa postal. No Liechtenstein, país que tem 33.000 habitantes, já há mais de 50.000 fundações (stieftung).

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Biopolítica ocorre quando o Estado embolsa a família!

O estudo sobre a biopolítica realizado em Foucault começa por meio de uma metodologia que se poderia denominar de Genealogia da Forma de Governar ao analisar as influências do mercantilismo no que ele denomina por razão de Estado durante os séculos XVI e XVIII. “O que é governar? Governar segundo o princípio da razão de Estado é fazer que o Estado possa se tornar sólido e permanente, que possa se tornar rico, que possa se tornar forte diante de tudo o que pode destruí-lo”.

Contudo, Foucault não quer entender a população como algo, digamos assim, vivo. Isto é, a população não é “quem”, mas “o que”, porque é um construto. Antes de destacar o conceito de população, Foucault (2008) analisa o conceito de ‘razão de Estado’, que teria sido formado nos séculos XVI e XVII. A noção de uma ‘razão de Estado’ dava ao soberano o direito de matar, mas para fazer viver. A população é que deveria ser preservada, pois dela vinha toda a riqueza do reino, pois constituíam tanto a força produtiva quanto a força de consumo, responsável, então, pela circulação de bens. Já por volta da metade do século XVIII, engendrou-se uma nova política centrada no “corpo-espécie”. Isto é, um corpo biológico: capitado demograficamente, com regulações que interferem ou controlam a sua saúde, a sua longevidade, a partir de uma série de intervenções e controles reguladores: uma biopolítica da população.

Rémi Lavergne comenta no seu artigo Bolsa Família: uma nova modalidade de biopolítica: “Essa infiltração capilar e política na intimidade das famílias “em situação de vulnerabilidade social” se conecta sobre os pilares da normalização que são, desde o século XIX, a escola, a medicina preventiva e as redes de saúde pública e de assistência social. Através deles, trata‑se de tecer estratégias normativas cujo foco principal é a vida com vistas à prevenção dos riscos sociais. “Prevenção” constitui a palavra de ordem difundida por experts e monitores que promovem
novas prescrições de cuidado e de governo de si para tornar o governo da família ainda mais eficiente porque as condições do programa favorecem uma forma de solidariedade mecânica onde os recursos disponíveis são escassos.”

De volta à cena pública, depois de meses em tratamento contra o câncer, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a criação de um novo programa social para erradicar a pobreza no país, nos moldes do Bolsa Família. O projeto “Filhos do meu povo”, que unifica os antigos programas sociais, prevê que até três filhos de cada família em situação de extrema pobreza recebam, cada um, 430 bolívares (o equivalente a US$ 100 ou R$ 188) por mês. Com um investimento equivalente a R$ 4,3 bilhões em 2012, a medida é lançada a menos de um ano das decisivas eleições presidenciais. Chávez pretende disputar mais uma reeleição em 2012, para um terceiro mandato presidencial.

Segundo Chávez, o programa permitirá ao país “acabar com a miséria e o atraso”. O programa priorizará cerca de 800 mil mulheres grávidas, além de crianças ainda nos primeiros anos de vida. O beneficio também será estendido a cerca de um milhão de jovens de até 17 anos. Famílias cujos filhos tem deficiência física receberão ajuda no valor de 600 bolívares (o equivalente a US$ 139,50 ou R$ 263), sem limite de idade. Uma das condições para o recebimento do benefício é manter as crianças na escola e, no caso das gestantes, acompanhar a rotina médica pré-natal. “Essa missão é só uma ponte para passar a um estado de vida superior (…) com seu próprio esforço, através do trabalho produtivo e criador”, afirmou Chávez.

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Interceda para que os efeitos danosos do El Niño sejam atenuados

O fenômeno climático “El Niño” pode reaparecer durante o segundo semestre do ano, anunciou a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O evento é caracterizado pelo aquecimento incomum das águas do Pacífico, perto da costa oeste da América do Sul e provoca alterações no clima do Brasil. Segundo a nota emitida pela OMM, as condições das águas da região estavam “neutras” desde abril, quando terminou uma ocorrência de “La Niña”. Esse fenômeno é o contrário de “El Niño”, ou seja, é um resfriamento incomum do Pacífico.

O fenômeno El Niño, que representa a fase positiva do ENOS, caracteriza-se pelo enfraquecimento dos ventos alísios2 e o aumento da temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial Leste, resultando em águas mais quentes próximas à costa oeste da América do Sul . As conseqüências deste fenômeno para a Região Sul do Brasil são chuvas intensas de maio a julho e primavera, além do aumento da temperatura média. O aumento de precipitação no Sul do Brasil está relacionado com a intensificação do jato subtropical associado a uma situação de bloqueio na troposfera superior, estacionando os sistemas frontais nessa região do país. Como exemplo, citam-se as inundações catastróficas ocorridas em 1983, que afetaram praticamente todos os municípios de Santa Catarina.

Por exemplo, após a ocorrência do El Niño em 1983, o PIB do Peru caiu em 12%, principalmente devido a uma redução na produção agrícola e na indústria pesqueira. A economia nacional levou uma década para se recuperar. Os danos nos países da Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) causados pelo El Niño de 1997/1998 foram calculados em mais de US$ 7,5 bilhões (CEPAL, 1999).

Uma nova imagem da região central do Pacífico, com base em dados coletados entre os dias 20 e 26 de junho, revela um aquecimento de até 2°C acima da média da temperatura das águas da superfície do oceano (a área em vermelho na figura, que se estende da costa oeste da América do Sul e avança para o centro do Pacífico).

Até três meses atrás, a mesma ainda sofria um resfriamento das águas, o que caracteriza a ocorrência do La Niña, o principal responsável pela longa estiagem que afetou o Rio Grande do Sul desde o final do ano passado. O El Niño provoca um efeito inverso: excesso de chuva no Estado, além de temperaturas acima da média.

“A partir de julho podem surgir condições neutras ou um episódio de El Niño, sendo levemente maiores as possibilidades de formação do El Niño. Se considera pouco provável que volte a formar-se um episódio de La Niña”, afirma a nota da OMM.

O boletim indica que, “com base fundamentalmente em um acúmulo de calor na zona mais profunda do Oceano Pacífico tropical produzida desde o início de maio, a maioria dos modelos climáticos estudados preveem a formação de um episódio de El Niño entre julho e setembro e que se prolongará até o final de 2012″.

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Mais de 60% das famílias brasileiras estão totalmente endividadas. A força do Mercado interno se esgotou.

O número de famílias endividadas no país cresceu 6,39% entre 2010 e 2011, de acordo com pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Os dados mostram que 62,5% das famílias têm algum tipo de dívida, o que representa 525 mil famílias nas capitais. A capital com aumento maior da quantidade de famílias endividadas foi Florianópolis, que tem 119.271 (88,8%) de suas 134.271 famílias nessa situação. Em 2010 eram 58,6%. O volume das dívidas aumentou 11,57%, com as famílias devendo em 2010 R$ 145,1 bilhões e em 2011, R$ 161,9 bilhões. Por mês essa dívida fica em R$ 13,5 bilhões. Em 2010 era de R$ 12,1 bilhões.
A pesquisa mostrou também que ao mesmo tempo em que as dívidas aumentaram, o rendimento das famílias endividadas cresceu 11,7%, ao passar de R$ 491,5 bilhões para R$ 549,2 bilhões, ou R$ 45,8 bilhões por mês.

Segundo o assessor econômico da Fecomercio, Guilherme Dietze, o aumento do salário foi o que permitiu que as pessoas pudessem aumentar suas dívidas sem aumentar o comprometimento com as dívidas. “O importante foi que o aumento de renda proporcionou uma diminuição das famílias que têm dívidas. As famílias estão conseguindo quitar suas dívidas então não vemos um cenário crítico de endividamento”. Na avaliação do economista, o estudo mostra que com a continuidade da renda do trabalhador as famílias continuarão se endividando, mas com condição para honrar os compromissos. O estudo indicou ainda que a dívida representa 29,5% da renda. “Nó consideramos que a taxa de 30% é saudável e não prejudica o orçamento. O ideal é dividir a renda em um terço para gastos fixos, um terço para gastos voluntários e outro para dívida”.

De acordo com a pesquisa o número de famílias inadimplentes caiu 2 pontos percentuais e representam 22,9% do total. Aqueles que afirmaram não terem condições para pagar as dívidas somam 8%. “As famílias melhoram sua situação financeira de um ano para outro, fazendo do ciclo econômico algo mais saudável. Fala-se muito de aumento da inadimplência, mas mostramos o contrário, que as famílias estão com consciência, pagando suas dívidas e não há risco de algum prejuízo maior na economia”.

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Porque a próxima batalha em Megido será espetacular? Porque Jesus voltará, derrotará Satanás e estabelecerá o Milênio.

Em recente estudo que ministrei sobre o livro das revelações chamado Apocalipse, na Escola Bíblica Dominical de minha igreja, um dos alunos fotografou as anotações que fiz no quadro branco. Percebi que as pessoas necessitam de ensino mais profundo e didática mais adequada para aprendizado da Bíblia. Sem dúvida, a categoria mais visitada do Blog é Revelações da Palavra. Portanto, vamos oferecer mais conteúdo nesta área.

Recentemente, postei um artigo sobre a seca do rio Eufrates e a guerra civil no Egito como profecias em cumprimento. Um dos motivos que não estudei Teologia em Seminário é porque todos os que conheço são amilenistas. E seus argumentos são baseados em uma sequência de grandes estudiosos  que acreditavam que estaríamos vivendo o Milênio, portanto seria virtual.

John Keegan reconhece, no seu livro Uma história da guerra (pag. 192), que a primeira batalha de bigas de que temos notícia, a de Megido, no Norte da Palestina, foi travada em 1469 a.c. entre o faraó Tutmés III e uma confederação de inimigos do Egito liderada pelos hicsos, terminou quase sem derramamento de sangue de ambos os lados. Megido é também geralmente considerada a primeira batalha da história, no sentido de que podemos datá-la, situar seu local, identificar seus combatentes e seguir seu desenrolar. Tutmés, que tinha acabado de subir ao trono, estava dando andamento à nova estratégia egípcia de ofensiva vigorosa contra os intrusos que tinham violado a imunidade do império fluvial. Reunindo um exército, ele marchou em etapas de 15 a 25 quilômetros por dia – uma velocidade de avanço impressionante, ao longo da costa do Mediterrâneo, através da faixa de Gaza e depois subindo as montanhas da fronteira síria. Ao que parece o inimigo contava que o terreno difícil seria uma barreira contra seu ataque. Havia três rotas através das montanhas para chegar à cidade de Megido: contra todos os conselhos, o faraó escolheu a mais difícil, afirmando que assim poderia surpreender o inimigo. A marcha de aproximação levou três dias, com o último sendo gasto para transpor uma passagem de menos de duas bigas de largura. Ao anoitecer, acampou numa planície diante de Megido e na manhã seguinte dispôs seu exército para a batalha. Os inimigos também tinham avançado, mas ao verem a extensão da linha egípcia com uma ala em cada flanco e o Faraó no centro, fugiram em pânico para as fortalezas de Megido. A cidade conseguiu resistir ao cerco durante 7 meses. Em resultado da vitória em Megido, o Egipto consegue um espólio de guerra que incluía bens como 894 carros de guerra (2 cobertos em ouro) e 2 mil cavalos.

Seguindo o costume da época, Tutmés III tomou como reféns os filhos da cada um dos reis derrotados. Após ser educados na corte egípcia, foram devolvidos a seus lugares de origem, onde governaram com o consentimento do Egito. A vitória de Megido foi só o começo da pacificação de Canaã e Síria. A esta batalha seguiriam uma série de campanhas, com periodicidade quase anual, que suporiam a expansão do poder do Egito até o norte de Mesopotamia. Tutmés III levou muitas campanhas mais em Canaã, e oito anos após a batalha de Megiddo tomou Kadesh no Orontes. Após a conquista do Retenu, ele construiu uma grande frota naval, que foi fundamental em sua extensão e influência egípcia sobre grande parte do litoral do Oriente Próximo. Seu exército poderia chegar a qualquer cidade costeira na Síria por via marítima, em 4-5 dias, enquanto a pé, a viagem iria demorar mais de uma quinzena. Surpresa foi uma importante arma em seu arsenal.

O exílio auto-imposto de Moisés ocorreu em 1486 a.c., quando ele tinha 40 anos de idade, conforme Atos 7:23 e Tutmés III já estava no poder há 18 anos. A morte de Tutmés III é mencionada em Êxodo 2:23.

Hatchepsut teria nascido por volta de 1505 a.C. (data não precisa). Fora filha do faraó Tutmés I e da rainha Ahmose. Quando seu pai veio a falecer, ela tinha entre 15 ou 20 anos, então acabou se tornado esposa de seu meio-irmão Tutmés II. Estima-se que Hatchepsut teria começado a governar por volta de 1490 a.C, como co-regente do jovem Tutmés III. Mas pouco tempo depois, contrariando a espectativa de muitos, ela acabou adotando os nomes reais que designavam um faraó, passando a se tornar uma farani (farani é o termo feminino para faraó, contudo, Hatchepsut não o utilizava, ela se autoproclamava faraó). Sendo assim, ela passou a se vestir como um homem e a usar os trajes dos faraós.

O profeta Jeremias foi chamado ao ministério no décimo terceiro ano de Josias, no 672 a.C. Devido a que Josias já havia começado sua reforma religiosa, é razoável deduzir que o profeta e o rei trabalhassem em estreita colaboração.

A morte de Josias pode ser conferida na Bíblia, em 2 Crônicas 35.20-24 (NTLH):

Depois de tudo isso, quando Josias já havia acabado de pôr em ordem o Templo e o culto, o rei Neco, do Egito, marchou com o seu exército para lutar em Carquemis, que ficava na beira do rio Eufrates. Josias saiu com o seu exército para lutar contra ele, mas Neco lhe mandou a seguinte mensagem:

— Rei de Judá, você não tem nada a ver com esta luta. Eu não vim lutar contra você, mas contra os meus inimigos, e Deus mandou que eu me apressasse. Deus está comigo; portanto, se você lutar contra Deus, ele o destruirá.

Mas Josias não voltou atrás; ele não quis dar atenção ao aviso que Deus estava dando por meio do rei Neco. Pelo contrário, ele se disfarçou e marchou para lutar contra Neco no vale de Megido. Os soldados egípcios atiraram flechas contra Josias, e ele gritou para os seus oficiais:

— Estou gravemente ferido! Tirem-me daqui!

Os oficiais o tiraram do seu carro de guerra, e o puseram em outro carro, e o levaram para Jerusalém. Josias morreu e foi sepultado nos túmulos dos reis. Todo o povo de Judá e de Jerusalém chorou a morte dele.

“Porquanto eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá “e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem eles espalharam entre as nações, repartindo a minha terra.” (Joel 3:1,2)

A campanha de conquista da Palestina, durante a Primeira Grande Guerra, foi dominada pela cavalaria e os britânicos alcançaram duas vitórias de infiltração em Gaza (1917) e em Megido (1918). O coronel T.E. Lawrence e outros oficiais britânicos guiaram tropas paramilitares árabes numa incursão contra os Otomanos, usando estratégias e tática desenvolvidas na Guerra da Boêmia. A batalha de Megido (1918) é também considerada a última em que a cavalaria foi utilizada com sucesso. Perceba que a planície de Megido foi palco da primeira batalha registrada e da última em que um símbolo de poderio, que eram os cavaleiros, teve seu ocaso.

O monte Tabor se eleva quase 600 metros diante do vale do Megido. Muitos estudiosos acreditam que ali o Senhor Jesus transfigurou-se diante de Pedro e João. Na visão, Moisés e Elias conversavam com ele para admiração dos discípulos. Como se aproximava a Festa dos Tabernáculos, Pedro ofereceu montar tendas para eles. Profeticamente, Jesus indicou o lugar de Sua descida gloriosa e magnífica onde irá derrotar o Anticristo, e seus seguidores, junto com Seus exércitos de homens e anjos. Um evento de grande registro, poderes envolvidos e Juízo de Deus.

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