Arquivo do mês: abril 2010

Alteração do modelo de autoridade na igreja cristã – parte I

Segundo Frank Viola, autor de Cristianismo Pagão, Inácio foi a primeira figura da história da igreja a dar o primeiro passo no escorregadio e decadente caminho da fixação de um líder único na congregação. Pode-se atribuir a ele a gênese do cargo de pastor e da hierarquia na igreja moderna.
Inácio elevou um dos anciãos acima dos demais. O ancião promovido era agora chamado de “o Bispo”. Todas as responsabilidades que pertenceram ao colegiado de anciões eram exercidas pelo Bispo.
Em 107 d.C., Inácio escreveu uma série de cartas enquanto seguia para Roma antes de ser martirizado. Seis de suas sete cartas tratavam do mesmo tema. Estavam carregadas de uma exaltação exagerada à autoridade e à importância da posição do Bispo.
Segundo Inácio, o Bispo teria a última palavra e deveria ser prontamente obedecido. Considere os seguintes extratos de suas cartas: “Todos vocês sigam o Bispo como Jesus Cristo segue o Pai… Ninguém fará qualquer negócio da igreja sem o Bispo… Onde o Bispo estiver ali deve estar o povo… Vocês nunca devem atuar independentemente do Bispo e do clero. Olhem seu Bispo como um tipo de Pai… Tudo o que ele aprova, agrada a Deus…”.

Para Inácio, o Bispo tomara o lugar de Deus enquanto que os presbíteros tomaram o lugar dos doze Apóstolos. Apenas o Bispo poderia celebrar a Santa Ceia do Senhor, dirigir os batismos, dar conselhos, disciplinar os membros da igreja, aprovar os matrimônios e pregar sermões.
Os anciãos se sentavam ao lado do Bispo durante a Ceia do Senhor. Mas era o Bispo quem a ministrava. Ele, se encarregou do culto público e do ministério. Somente em casos excepcionais poderia um “leigo” ministrar a Ceia do Senhor sem a presença do Bispo. O Bispo, dizia Inácio, necessita “presidir” sobre os elementos e distribuí-los.
Na mente de Inácio, o Bispo era o remédio que curava a falsa doutrina e estabelecia a unidade na igreja.

Inácio acreditava que a sobrevivência da igreja ao assalto da heresia dependia do desenvolvimento de uma estrutura poderosa e rígida como a estrutura política centralizada em Roma.A regra do governo por um Bispo único resgataria a igreja da heresia e da divisão interna.
Historicamente, isso é conhecido como o “mono-episcopado” ou “episcopado monárquico”. É o tipo de organização onde o Bispo é distinto dos anciãos (o presbítero) e é superior a eles.

Jesse Lyman Hurlbut, em História da Igreja Cristã, destaca que desde o reinado de Trajano ao de Antonino Pio (98-161), o Cristianismo não era reconhecido, mas também não foi perseguido de modo severo. Sob o governo dos quatro imperadores Nerva, Trajano, Adriano e Antonino Pio (os quais, com Marco Aurélio, foram co­nhecidos como os “cinco bons imperadores”), nenhum cristão podia ser preso sem culpa definida e comprovada. O espírito da época inclinava-se a ignorar a religião cristã. Contudo, quando se formulavam acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram obrigados, contra a própria vontade, a pôr em vigor a lei e ordenar a execução. Alguns mártires proeminentes da fé executados nesse período foram os seguintes: Simeão (ou Simão; Marcos 6:3), o sucessor de Tiago, bispo da igreja em Jerusalém e, como aquele, era também irmão do Senhor. Diz-se que alcançou a idade de cento e vinte anos. Foi crucificado por ordem do governador romano na Palestina, no ano 107, durante o reinado de Trajano.
Inácio, bispo de Antioquia da Síria. Ele estava disposto a ser martirizado, pois durante a viagem para Roma escreveu cartas às igrejas manifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor. Foi lançado às feras no anfiteatro romano, no ano 108 ou 110. Apesar de a perseguição durante estes reinados não haver sido tão forte como a que se manifestou depois, contudo, registraram-se vários casos de martírios, além dos dois que já registramos.

Knight e Anglin, em História do Cristianismo, destacam que Inácio, que dizem ter conhecido os apóstolos Pedro e João, e ter sido ordenado bispo de Antioquia pelo apóstolo João, foi martirizado durante essa época. O zelo com que ambicionava sofrer o martírio o expôs a censuras de vários historiadores, e com certa razão.
Conta-se que na ocasião em que Trajano visitou Antioquia, ele pediu para ser admitido a presença do imperador, e depois de explicar, por bastante tempo, as principais doutrinas da religião cristã, e mostrar o caráter inofensivo daqueles que a professavam, pediu que se fizesse justiça. Contudo o imperador recebeu o seu pedido com desprezo, e depois de censurar aquilo que Trajano se aprazia de chamar a sua superstição incurável, ordenou que fosse levado para Roma e lançado às feras.

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#Missões no Mundo
G/P
Jair

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Um bônus demográfico para enfrentar as ‘vacas magras’

Em 2050, estima-se que haverá 200 milhões de refugiados ambientais. O principal estopim desses conflitos será a escassez de água. Nos próximos 15 anos, a temperatura média poderá aumentar em 2ºC. Além disso, a demanda por alimentos deve aumentar 50% até 2030. São tempos de ‘vacas magras’ que se aproximam. Mas Deus providenciou um escape se o Brasil assumir sua posição diante de Deus e do mundo.

Em 2030, estima-se que a população brasileira chegará ao pico de 207 milhões (apenas 17 milhões além do contingente atual). Então, passará a encolher.
O envelhecimento da população brasileira tem sido acelerado, muito mais que o registrado na Europa. Em 1960, as brasileiras tinham em média 6 filhos. O IBGE projetava que a média de dois filhos fosse atingida apenas em 2016, em vez de 2005, como ocorreu.
Durante o período desse bônus demográfico, a força de trabalho crescerá mais rapidamente que a população dependente, o que é bom. Hoje, 67 de cada 100 brasileiros estão em idade produtiva. A boa notícia é que essa janela de oportunidade deve perdurar nas próximas 4 décadas.
A Coréia do Sul viveu seu bônus demográfico entre 1965 e 1990. A Coréia dedicou, nesse período, 10% do PIB ao setor educacional. O resultado foi uma aumento de 15 vezes no número de pessoas com ensino superior na década de 70.
100 brasileiros em idade produtiva sustentam hoje 46 crianças ou idosos. Eram 72 dependentes há 30 anos. Essa redução impulsiona a produtividade e a economia do país.
A aplicação destes recursos deve ser ágil e responsável. Pelas projeções do IBGE, em 2050, um em cada três brasileiros terá mais de 55 anos de idade. Uma população envelhecida significará mais gastos para o Estado.

#paracleto

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G/P

Jair

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Petrobras e escolas de samba, parceria perigosa para a Petrobras!

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Nós blogamos

O Instituto Jetro entrevistou William Ribeiro de Oliveira, publicitário com habilitação em Criação pela Universidade Mackenzie e responsável por novos produtos e projetos da publicidade do Portal Terra, sobre a utilização dos blogs nas igrejas e suas vantagens e desvantagens, o qual repassamos na íntegra:

Um blog (contração do termo “Web log”) é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou “posts”. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
A abreviação “blog”, por sua vez, foi criada por Peter Merholz, que, de brincadeira, desmembrou a palavra weblog para formar a frase we blog (“nós blogamos”) na barra lateral de seu blog Peterme.com, em abril ou maio de 1999. Pouco depois, Evan Williams do Pyra Labs usou “blog” tanto como substantivo quanto verbo “to blog” ou “blogar”, significando “editar ou postar em um weblog”), aplicando a palavra “blogger” em conjunção com o serviço Blogger, da Pyra Labs, o que levou à popularização dos termos. Os blogs começaram como um diário online e, hoje, são ferramentas indispensáveis como fonte de informação e entretenimento. O que era visto com certa desconfiança pelos meios de comunicação virou até referência para sugestões de reportagem.
A blogosfera, termo que representa o mundo dos blogs, ou os blogs como uma comunidade ou rede social, cresceu em ritmo espantoso. Em 1999 o número de blogs era estimado em menos de 50; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. Menos de três anos depois, os números saltaram para algo em torno de 2,5 a 4 milhões. Atualmente existem cerca de 112 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente, de acordo com o estudo State of Blogosphere.

Quais os pontos positivos e negativos de um blog?

William: Todo canal de comunicação por si só já e um ponto positivo, ainda mais o blog, que é uma ferramenta democrática onde permite que várias pessoas expressem suas opiniões de uma maneira simples e objetiva, muitos dizem que o ponto negativo dessa ferramenta é seu controle, mas como controlar opiniões, na verdade o grande ponto negativo talvez esteja mais na questão de que há tantos blogs, que ser visto hoje, talvez seja o maior desafio, encontrar a informação que procura. O ponto positivo que é de criar novas informações a todo momento é o que gera o ponto negativo, o excesso e dificuldade de seleção.Mas a maior relevância do blog ou comunidades para as igrejas é poder estar o tempo todo conectado aos seus membros, mesmo fora das dependências da igreja, todos tem necessidade de viver em sociedade, é uma necessidade básica do ser humano, mesmo que essa comunidade seja virtual.

É preciso ter um profissional de comunicação para criar um blog? Quais os passos para criar um blog pessoal ou da organização? Qual o custo?

William: Inicialmente não, um blog pode ser feito por qualquer um que tenha um conteúdo para usar, a diferença está no objetivo. Uma corporação que utiliza um espaço como um canal de comunicação provavelmente vai ter que ter um profissional, pois ele vai representar a opinião da organização. Então tudo depende da sua utilização, assim como ocorre uso simples de um telefone, objetivo é que faz a diferença. O custo também entra no tema objetivo do blog, ele pode não ter nenhum custo, como pode ter custos fixos como salário para um redator (blogueiro) ou redatores.

Um recurso característico dos blogs é a possibilidade de interação do visitante, respondendo ou opinando em relação aos artigos postados. Você acredita que o grande sucesso dos blogs está ligado a esta possibilidade de interagir?

William: Bom, talvez a resposta nem seja o motivo do grande sucesso dos blogs, mas da Internet. A febre da Internet em boa parte se dá ao fato de termos as informações obtidas rapidamente, e o mais interessante dos últimos tempos é que você pode discutir sobre o tema abordado, o que cada vez mais se assemelha ao mundo real, onde você recebe uma informação, possui mais perguntas relativas aquele assunto ou mesmo uma opinião. Algo que é cotidiano. Olhe o exemplo de uma TV ligada em uma simples padaria, todos assistem a notícia, e normalmente comentam o fato, muitas vezes, com opiniões diferentes, o mesmo ocorre no blog. Independente da informação, ou seja, quer seja ela relevante ou não, temos a necessidade de nos expressar, seja para falar do peso da informação, como para criticar a futilidade de uma notícia.

Você acredita que as igrejas e organizações são bem sucedidas em utilizá-los? Se não, como usá-los de maneira mais eficaz?

William: Vejo que a igreja tem uma dificuldade em usar não só os blog ou a “social media”, mas em explorar toda a Internet ou mesmo dificuldade em usar ferramentas de comunicação, serviços simples como: e-mail. Várias igrejas pensam que muitos de seus membros não acessam Internet, por isso seria perda de tempo focar sua atenção nisso, mas esquecem que a Internet é um canal de comunicação não só com seus membros, mas com outras comunidades, com o mundo em si. Esquecem que o fator marcante de internet é ela permitir a integração rápida e eficaz, em tempo real independente de sua localização, veja um fato recente no mundo: a eleição do Irã, onde várias pessoas conseguiram comunicar ao mundo o que acontecia, mesmo com controle do governo dos outros meios. Uma maneira eficaz de explorar esse meio e usá-lo, ter esse espaço como um canal de comunicação com seus membros, isso já e um grande passo para as igrejas, onde muitos pastores e líderes conhecem apenas suas salas na igreja como local adequado para conversar com seus membros.

Levando em conta que os jovens e adolescentes são uns dos principais usuários das redes sociais como: o Twitter, Orkut, Facebook e os Blogs, você acredita que esta é uma boa estratégia para uma maior aceitação ou adesão deste público nas igrejas que usam estas ferramentas?

William: Na verdade esse é apenas um meio, se você não possui um conjunto completo de ações e respostas para seu público, de nada adianta ter um canal, até porque o canal só tem valor se existe um alvo e conteúdo. Usar esses canais sem material prático de nada adianta, a Internet não é a grande descoberta para evangelizar todo o mundo, mas é um ótimo mecanismo para complementar esse serviço, a Internet não faz nada sozinha, precisamos de conteúdo, responder as necessidades desse público, e aí sim, esse é um ótimo mecanismo até para tratar de assuntos delicados que os jovens não falariam no meio dos outros em um igreja.

Quais os conselhos que você daria para os pastores e líderes quanto ao uso dos blogs?

William: O blog é um ótimo mecanismo de comunicação, com custos muito inferiores ao antigos jornais de igreja impresso, ele pode ser muito atual, e acima de tudo, um grande canal de informação, canal onde comunica e recebe informação, esse é o grande motivo de sucesso desse canal, mas entenda, essa facilidade também será seu problema, pois a mesma facilidade de elogiar ou de perguntar, é a mesma para criticar, e é na hora da critica que você define o sucesso ou fracasso desse canal de comunicação, aceitar apenas elogios pode determinar sua derrota nesse meio.

Seus comentários finais:

William: A grande preocupação da igreja nos dias atuais é como se comunicar de maneira eficaz e rápida com a população que precisa ser evangelizada. Muitas igrejas tem dinheiro e usam TV e Rádios, mas isso é uma minoria. Possuímos uma ferramenta barata, quando não é de graça, a Internet. Não precisamos tentar descobrir por que a Internet faz sucesso, mas sim por que as pessoas a utilizam tanto, e a resposta é simples: As pessoas adoram a Internet pois elas escolhem o que querem, e permanecem no que atende suas necessidades. E existem duas necessidades básicas do ser humano, o de “ser” e “saber”, os blogs permitem isso, descobrimos e somos descobertos. Podemos ensinar sobre Jesus e mostrar que somos dele, discutir isso, responder o “Ser” e o “Saber”, esse é o segredo do sucesso.

#paracleto
#Pesquisas
G/P
Jair

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Jesus avalia suas igrejas, seus apóstolos também

O texto de Apocalipse 2:1 – 3:22, apresenta uma avaliação de algumas igrejas cristãs, durante a visão que o apóstolo João teve na ilha de Patmos. A primeira resposta que tenho é que era a região destinada à supervisão de João.
A maior parte do livro de Atos dos Apóstolos mostra a atuação dos apóstolos Pedro e Paulo na expansão do evangelho. João, no seu exílio, tem oportunidade de publicar a avaliação de suas igrejas.

Sobre Éfeso, nota trabalho e paciência, que não pode sofrer os maus, que confrontou falsos apóstolos e aborrece os nicolaítas.

Sobre Esmirna, Jesus conhecia suas obras, embora passando por tribulação e pobreza possuía riqueza. Falsos judeus são encontradas naquela igreja.

Sobre Pérgamo, reconhece que retém Seu nome, não negou a fé ao batalhar com a Espada. Porém, alguns seguiam a doutrina de Balaão e aos nicolaítas.

Sobre Tiatira, identifica amor e serviço. Há crescimento pois a últimas obras são maiores que as primeiras. Quanto a doutrina, tolerava Jezabel.

Sobre Sardes, adverte sobre vigilância para receber e guardar a Palavra. Faltava qualidade no serviço quando diz “não achei obras perfeitas”.

Sobre Filadélfia, mostra uma porta aberta para o testemunho. Prediz que os da sinagoga de Satanás virão e se prostrarão em razão da Palavra.

Sobre Laodicéia, Jesus exerce disciplina. Revela que a igreja era morna e precisava de unção nos olhos. Ele convida para comunhão e cear naquela casa.

#paracleto
#Revelações da Palavra
G/P
Jair

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A Procissão de Corpus Christi, como plataforma de lançamento ao culto de s. Jorge

O culto a entidade chamada s. Jorge vem ganhando apoio religioso e político no Rio de Janeiro, tornando o dia 23 de abril feriado municipal desde 13/11/2001. Em 19/02/2008 a Assembléia Legislativa Estadual aprovou o projeto de lei, de autoria do deputado Jorge Babu (ex-PT), assinado pelo governador Sergio Cabral em 6/03/2008, instituindo a data como feriado estadual. A alegação para aprovação da lei foi que a entidade e padroeiro dos bombeiros e policiais do estado do Rio de Janeiro.

A Wikipedia destaca que o dia de s. Jorge e celebrado por algumas nações como Inglaterra, Portugal, Geórgia, Servia, Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Macedônia e Gora. Na Catalunha, região da Espanha, é tradição oferecer uma rosa e presentear com um livro. A tradição influenciou a UNESCO declarar o dia 23 de abriel como o dia internacional do livro uma vez que foi a data de falecimento dos escritores William Shakespeare e Miguel de Cervantes. Falando de literatura, no livro Drácula de Bram Stoker, diz-se que coisas mas ocorrem no dia de s. Jorge, ao iniciar a meia-noite.

CORPUS CHRISTI
• O nome vem do latim e significa Corpo de Cristo. A festa de Corpus Christi tem por objetivo celebrar solenemente o mistério da Eucaristia – o sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. Acontece numa quinta-feira, em alusão à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição deste sacramento.

o A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornillon teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Em 1264, o papa Urbano IV através da Bula Papal estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a Santo Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração.

o O Concílio de Trento (1545-1563) por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

SÃO JORGE
• Apesar de ter sido oficializado pela Igreja em 1264, o Corpus Christi já era tradicional em Portugal desde o século XII, poucos anos da fundação do reino, em 1139. O costume ficou ainda mais forte depois que D. João I, fundador da dinastia de Avis, consagrou São Jorge como patrono do reino. Até então o posto era ocupado por São Tiago, que era invocado já pelo fundador de Portugal, Afonso Henriques. Mas, como São Tiago também era o patrono de Castela, que tentara anexar a Portugal, D. João I, que reinou entre 1385 a 1433, instituiu outro santo. Desde então, a imagem de São Jorge passava a abrir o cortejo de Corpus Christi, ritual que foi seguido no Brasil, mas perdeu-se com o tempo, a tradição não foi mantida.

o Honrado com uma igreja em Lisboa por Afonso Henriques ( 1109-1185), fundador do reino, São Jorge recebeu como herança o cavalo de seu sucessor, Sancho I, e passou a ser evocado como grito de guerra por Afonso IV ( 1291-1279). Caracterizada como uma veneração pessoal durante a dinastia de Borgonha, a primeira de Portugal, a devoção a São Jorge assumiu outra dimensão com a ascensão dos Avis. O santo tornou-se uma espécie de divindade epônima da nação.

o A devoção dinástica ao padroeiro manteve-se nas gerações seguintes. Quando Portugal lançou-se sobre o Atlântico, São Jorge ligou-se à toponímia dos territórios anexados. O Infante D. Henrique atribuiu a uma das ilhas dos Açores o nome do mártir. D. João II, ao edificar uma fortaleza na Costa da Guiné, chamou-a de São Jorge da Mina. Em 1556, no reinado de D. João III, fundou-se na Capitania de Ihéus, por ordem do bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, a freguesia de São Jorge dos Ilhéus, na costa brasileira.

o A introdução do santo na procissão do Corpo de Deus, ainda em 1387, a grande responsável pela transformação do mártir numa entidade popular. A presença de São Jorge no cortejo de Corpus Christi simbolizava a fundação da dinastia dos Descobrimentos e imprimia no evento um caráter cívico que se transformou em tradição. Atrás do santo, os irmãos de Jorge faziam valer, pela antigüidade, a máxima que garantia sua precedência sobre as demais confrarias lisboetas.

o Os irmãos de São Jorge integravam a segunda maior corporação de ofícios da capital lusa. Restrito aos menores de quarenta anos, limitado àqueles cujo sangue desconhecia qualquer vestígio de “raça infecta”, portanto, que não contavam entre seus ancestrais com mouros, judeus ou negros, o ingresso na irmandade de São Jorge era uma conquista. A iniciativa de adotar o procedimento inquisitoral para admissão dos postulantes à irmandade de São Jorge foi obra dos líderes da irmandade e da corporação: os barbeiros de barbear e sangrar. Primitivos detentores do estandarte e os primeiros a converterem suas faltas em cera para São Jorge em seus próprios regulamentos, os barbeiros sangradores foram, de fato, os principais responsáveis pela manutenção da devoção ao padroeiro além do paço.´

TRADIÇÕES DE CORPUS CHRISTI
• Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.

• A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares onde chegaram seus imigrantes.

• A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses. No Brasil, numa carta de 9 de agosto de 1549, o Padre Manuel da Nóbrega, da Bahia, informava: “Outra procissão se fez dia de Corpus Christi, mui solene, em que jogou toda a artilharia, que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”. (Cartas do Brasil, 86, Rio de Janeiro, 1931).

• Os reis portugueses receberam do papa o título de “Grãos-Mestres da Ordem de Cristo”. A Coroa Portuguesa, por sua vez, determinava que o Senado da Câmara e as Câmaras Municipais nas colônias realizassem as várias festas reais, como as dos santos padroeiros do Reino Português.

• Quando se aproximava o dia da Procissão de Corpus Christi, a Câmara expedia editais para a população preparar as suas casas e testadas, como se lê no termo de acórdão de 26 de junho de 1754:“Acordaram que se passasse Edital para o Porteiro publicar, pelas Ruas públicas por onde passa a Procissão de Corpus Christi, para que no dia primeiro de Junho que vem todas as testadas de suas Casas, Ruas estejam compostas varridas e armações em janelas e portas como no País se costuma, com pena de que assim não o fazendo pagarem quatro oitavas para as despesas do Conselho e dez dias de cadeia.”

• No século XVIII, a Câmara comparecia com todos os componentes, seguindo os costumes portugueses. O estandarte real, era honra conferida apenas a alguém da governança da Vila, que já tivesse sido oficial da Câmara.Um dos componentes mais notáveis da procissão de Corpus Christi, nas principais vilas, era a estátua cavaleira de São Jorge. Os membros da elite da Vila compareciam agrupados em um piquete de cavalaria, armados com seus mosquetões, que eram disparados como fogos, na chegada da procissão à Igreja.

• No Brasil, a data teve aspecto político. No feriado de Corpus Christi de 1808, moradores da Capital de São Paulo foram recrutados à força para invadir o Uruguai. O governador e capitão general de São Paulo, Antônio José de Franca e Horta, foi incumbido da missão. Resolveu assim, fazer o recrutamento compulsório nas comemorações do Corpus Christi, que atraíam moradores de toda a Capitania. Para garantir ainda um fluxo maior de fiéis, Franco e Horta resolveu organizar a mais deslumbrante festa de que se tinha notícia em São Paulo. Terminada a procissão pelas ruas enfeitadas, as autoridades convidaram a população para dar seqüência aos festejos no Pátio do Colégio. De repente, surgiram tropas da Infantaria fechando os becos que conduziam à praça, bloqueando saídas, recrutando à força elementos para a guerra. Entre 1825 e 1828, quando os uruguaios travaram a guerra de sua independência, soldados brasileiros foram convocados para lutar contra as tropas do general Artigas. A campanha militar não era vista com bons olhos pela população brasileira, o que contribuiu para a renúncia de D. Pedro I, o fundador do império, em 7 de abril de 1831. Três anos antes, em 1828, o Uruguai havia conquistado a independência.

TRADIÇÕES DE SÃO JORGE
• No Rio de Janeiro a imagem possuiu capelinha na rua São Jorge. A Irmandade, em 1854, agregou-se à confraria de São Gonçalo Garcia. A imagem que recebia as continências de todas as forças militares salvas de artilharia e era acompanhada pelo “Casaca de Ferro” vestido de folhas-de-flandres, imitando um guerreiro medieval, está recolhida à igreja de São Gonçalo Garcia, na praça da República. Na cidade de Salvador, São Jorge saiu até 1865, com séquito e o “Homem de Ferro”. Em São Paulo veio até 1872, quando, desequilibrando-se, a imagem caiu sobre um soldado, matando-o. Está guardada no Museu da Cúria Metropolitana

• São Bartolomeu, São Jorge, São Roque e São Lázaro são exemplos de imagens que, em suas figurações, são associadas a demônios e a cachorros, respectivamente, gerando uma dupla devoção – em uma dialética entre negação-afirmação, ou em uma dupla afirmação. Se essa dupla devoção não foi aceita pela estrutura eclesiástica do catolicismo, por outro lado, essa mesma duplicidade foi incorporada posteriormente pelos cultos sincréticos de origem afro, como na umbanda brasileira.

BIBLIOGRAFIA

À Sombra da Inquisição: a trajetória do culto a São Jorge na Lisboa do Antigo Regime
Georgina Silva dos Santos
professora do Departamento de História da UFF e pesquisadora da Companhia das Índias

Dicionário do folclore brasileiro
CASCUDO, Luís da Câmara

O Corpo de Deus na América; a festa de Corpus Christi nas cidades da América portuguesa -
século XVIII
Beatriz Catão dos Santos

A festa de Corpus Christi e a irmandade de são Jorge no século XVIII
Beatriz Catão dos Santos
Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atualmente, desenvolve a pesquisa “Cantos comuns: ofícios, irmandades e vilancicos no Rio de Janeiro do século XVIII” com apoio da Fundação Biblioteca Nacional.

Anuário do Museu da Inconfidência.
LOPES, Antônio Francisco. Câmara e Cadeia de Vila Rica. 1952

Imagens e Devoções no Catolicismo Brasileiro
José Rogério Lopes*
Revista de Estudos da Religião Nº 3 / 2003 / pp. 1-29

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Agora, erupção de vulcão na Islândia

Um vulcão localizado na Islândia e que está espalhando cinzas que atrapalham os voos por toda a Europa aparentemente diminuiu sua atividade neste sábado, mas pode continuar em erupção por dias ou até meses, disseram autoridades. A estimativa da indústria é de que as consequências deste evento sem precedentes vão além do impacto do 11 de Setembro. As companhias aéreas não estão prontas hoje para enfrentar essas perdas”, afirmou o comissário de Transportes da União Europeia.

Bergthora Thorbjarnardottir, uma geofísica do Gabinete Meteorológico, disse que as erupções estáveis não indicavam necessariamente que o vulcão estava se acalmando. “A erupção pode continuar assim por um longo período”, disse. “Cada vulcão é diferente e não temos muita experiência com este. Faz 200 anos desde a última vez que ele entrou em erupção.Temos que observá-lo com cuidado, porque todos eles se comportam de maneiras diferentes. A última vez que ele eclodiu foi intermitente por mais de um ano, de 1821 a 1823.”

Em 1991, vulcão nas Filipinas resfriou superfície da Terra em 0,5°C. Efeito compensou impacto dos gases-estufa entre 1991 e 1993. “Basicamente, é como colocar um escudo refletor sobre o pára-brisa do carro, impedindo que o interior aqueça demais”, comparou Colin Macpherson, da Universidade Durham, nordeste da Inglaterra.

Clique na figura para ver animação da erupção e sua propagação recente:

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Jair

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